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Só existe uma forma de salvar a democracia no Brasil. O ministro André Mendonça, relator do inquérito do Banco Master, talvez tenha seu trabalho arruinado pelo restante do STF, que tem a misteriosa idée fixe de escangalhar todas as investigações de verdadeiros criminosos, enquanto criminaliza a vida comum cada dia mais um pouco.
Sendo assim, urge que o iluminado ministro crie um inquérito sigiloso, no qual ele será, ao mesmo tempo, relator, investigador e delegado (nem será suposta vítima!) para conduzir todo o processo longe dos olhos bisbilhoteiros de Moraes, Toffoli, Mendes e, de quebra, Barroso – todos, digamos, “financiados” pelo próprio Banco Master.
É a primeira vez na história em que um bug no monomaníaco sistema secreto de distribuição de processos do STF não joga um processo do interesse político de Alexandre de Moraes (e um juiz ter interesse político já mostra que a democracia foi assassinada) nas mãos do próprio Alexandre de Moraes, nem de um de seus cupinchas no STF. Pela primeira e misteriosa vez, um processo que pode transformar Moraes de juiz em réu foi parar nas mãos de um adversário seu.
Obviamente, tudo pode ser melado numa única canetada daqui a poucos dias (ou horas). Simplesmente aparece uma nova decisão mágica no colo dos outros ministros que envolva algum tema anexo, alguma filigrana jurídica, algum melindre acidental, para dizer que lamentam muito, mas precisam mandar toda a investigação do Banco Master para o beleléu.
Como Flávio Dino praticamente o fez com a CPMI do INSS. E Gilmar Mendes já está farejando, com as mensagens vazadas de Daniel Vorcaro (nenhum pio de comoção na quebra de sigilo total e completa que a CPI da Covid fez a sites de direita, envolvendo todas as conversas privadas, todas as fotos pessoais, cópia integral do iCloud, todos os e-mails e apps e até histórico de buscas no Google e geolocalização, além do inquérito contra Marcos do Val, que chegou a imprimir uma foto íntima de sua esposa).
Ou seja, é preciso agir enquanto é tempo. Mendonça precisa imediatamente instaurar um inquérito secreto para investigar justamente as ligações dos outros ministros do STF com o Banco Master
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O Banco Master que financiou o Fórum Jurídico Brasil de Ideias, que, apesar de ter “Brasil” no nome, foi sediado em Londres – com presenças de Moraes, Toffoli, Gilmar, o advogado-geral da União, Jorge Messias, o procurador-geral Paulo Gonet e até o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
Também o Fórum Esfera Internacional de Paris, em 2023. E o de Roma, um ano depois. E o Fórum Empresarial Lide no Rio de Janeiro, ligado a João Doria, e que é padrão-ouro no lobby entre empresários, políticos e… Judiciário, como se tal coisa fosse normal. Aliás, a Lide Brazil Conference de Nova York, em 2022, ficou famosa pela frase “Perdeu, mané. Não amola!” de um irracional Barroso. Financiada, obviamente, pelo Banco Master.
Como investigar tais ligações e pagamentos, se os próprios outros julgadores têm interesse no caso e podem ensebar a investigação, como já estão fazendo com a CPMI do INSS e com a CPI do Crime Organizado, em suas ligações com o Banco Master? Só com um inquérito sigiloso, para que Moraes, Gilmar, Toffoli et caterva não possam mais fazer ideia do que está nas mãos de Mendonça.
Aí, basta começar uma série de quebras de sigilo e buscas e apreensões em endereços de pessoas ligadas ao STF e aos pagamentos do Banco Master. Também vai ser importante prender muita gente preventivamente, talvez por alguns anos antes do julgamento, como foi feito com inocentes do 8 de janeiro (depois culpados por “golpe de Estado” por terem se refugiado em um prédio durante uma manifestação que terminou em quebra-quebra).
Claro, vamos precisar saber de jornalistas, pegando seus celulares e computadores e analisando suas conversas com ministros do STF, principalmente o monte de vazamentos e “informações de processo” aos quais nem as vítimas têm acesso, mas que jornalistas comentam como se discutissem a lista de compras do mercado. Alguns jornalistas graúdos também precisam ser presos, claro. Isso sem falar nos escritórios de advocacia dos próprios parentes dos ministros do STF, que julgam os casos dos escritórios. E ainda tem AGU, PGR, OAB… o que será que tanto escondem? Está faltando uma bela rodada de prisões e investigações.
C'est la démocratie.
Não existe outro caminho. Só isso é capaz de salvar a democracia. Afinal, tudo que é feito de tranqueira no país atualmente é feito para salvar a democracia. Já não são raros os relatos de pessoas assaltadas à mão armada, com o meliante alegando que está salvando a democracia.
Outras ações bizarras também foram realizadas sob a mesma desculpa: censurar previamente um documentário que nem estava finalizado antes das eleições para favorecer o candidato Lula, censurar toda a rede social X por 39 dias por um chilique de Alexandre de Moraes – com “notificação” via resposta de tweet em português, e com todos os brasileiros se tornando parte no processo sem notificação alguma, sob multa de R$ 50 mil –, com o TSE desmonetizando canais de direita (como se o TSE tivesse poder para tal), com as CPIs e inquéritos para “investigar” (e punir!) coisas imprecisas e que nem estão no Código Penal, como “fake news”, “atos antidemocráticos” ou “milícias digitais”...
O que pode dar errado? Só falta alegarem que um inquérito secreto vai contra a própria democracia e quererem destituir André Mendonça do cargo por um golpe autoritário e ditatorial.
Bom, aí teremos motivos sobejantes para mandar para a cadeia, com uma camisa de força, todo mundo que fez o mesmo.








