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O ex-presidente norte-americano Donald Trump.
O ex-presidente norte-americano Donald Trump.| Foto: Gerd Altmann/Pixabay

O Sexto Distrito eleitoral do Texas tem estado na mão dos republicanos há décadas. Em 1984, Jon Barton venceu sua primeira eleição no distrito e inaugurou uma série de 15 mandatos consecutivos, lembrando que a Câmara americana tem eleições a cada dois anos. Em sua primeira vitória, Barton levou com uma margem de 13 pontos porcentuais. Nas eleições que se seguiram, ele chegou a vencer com mais de 88% dos votos e, na sua última vitória, em 2016, estava de volta ao patamar de 1984.

Em 2018, o candidato republicano foi Ronald Wright, que venceu a democrata Jana Lynne Sanchez por menos de oito pontos porcentuais. Na eleição seguinte, a margem de Wright sobre o candidato democrata – desta vez, Stephen Daniel – foi ainda menor, 6,8 pontos. O Sexto Distrito vinha apresentando uma tendência clara de “fortemente republicano” para “moderadamente republicano”, como mostraram os relatórios de análise política do The Cook Political Report, do Inside Elections e do Crystal Ball.

Será muito interessante observar a performance dos candidatos apoiados por Trump nas eleições de meio de mandato, em 2022

Em 7 de fevereiro deste ano, Ronald Wright faleceu em decorrência de infecção por Covid-19. Wright foi o primeiro membro em atividade do Congresso norte-americano a morrer por causa da pandemia. Antes dele, Luke Letlow tinha falecido também em virtude de ter contraído a doença que já vitimou milhões de pessoas no mundo todo, mas ele ainda não tinha tomado posse. No Congresso americano, não existe a figura do suplente. Quando uma cadeira é aberta por qualquer motivo – morte, renúncia, cassação etc. –, uma nova eleição especial deve ser conduzida. E a eleição especial para o Sexto Distrito foi marcada para 1.º de maio passado. Foram 23 candidatos, sendo 11 republicanos, dez democratas, um libertário e um independente. Com tamanha competição, era praticamente certa a ida a um segundo turno.

O ex-presidente Donald Trump vem declarando apoio a candidatos que o apoiaram durante seu mandato, ou a candidatos em disputa com republicanos contrários à sua pessoa. Ele tem trabalhado ativamente para minar adversários como Mitt Romney e Liz Cheney – ambos se posicionaram publicamente contra Trump e votaram a favor do impeachment do ex-presidente –, e esse trabalho inclui o apoio ativo durante eleições especiais. Foi assim com a viúva de Luke Letlow, que venceu a eleição especial em Louisiana com larga margem após declarações de Trump a seu favor.

E, a apenas uma semana da eleição do Sexto Distrito do Texas, Trump entrou de cabeça na campanha da viúva de Wright. Como resultado, os texanos desse distrito terão dois republicanos como opção no segundo turno. Susan Wright avançou com a maior votação entre os 23 candidatos (19,2% dos votos) e enfrentará Jake Ellzey, que teve 13,8% dos votos e deixou para trás a candidata democrata de maior votação, a mesma Jana Lynne Sanchez que tivera mais de 45% dos votos apenas três anos atrás.

O apoio de Trump não só resultou em um segundo turno totalmente republicano; ele também garantiu que a disputa decisiva não teria nenhum candidato “Rino” (Republican In Name Only, ou “Republicano só de nome” em tradução livre), que são os republicanos inclinados a votar com os democratas em diversas pautas, e que sempre engrossaram o grupo de maior oposição a Trump dentro do partido.

Como já abordei em artigo recente, a vantagem democrata na Câmara de Representantes tem diminuído consideravelmente. O sistema político americano tem as eleições de midterm, na metade do mandato presidencial, e elas são um mecanismo de equilíbrio, uma oportunidade de limitar o poder do presidente por meio do controle do Congresso. Em 2022 teremos essas eleições, e será muito interessante observar a performance dos candidatos apoiados por Trump. Se os casos de Letlow e Wright forem indício do que vem por aí, a Câmara pode não somente virar vermelha, como poderemos ver alguns políticos de longa data perdendo mandatos para novos quadros mais alinhados com a banda mais conservadora do partido. E isso pode mudar os rumos dos republicanos, pois gente como Ron DeSantis e Ted Cruz tendem a tomar as rédeas cada vez mais.

É certo que Trump não medirá esforços para tirar o próximo mandato de Liz Cheney, e suas ofensivas contra Romney parecem estar surtindo efeito. O senador foi fortemente vaiado durante a convenção do partido em Utah, poucos dias atrás. Foram mais de 2,1 mil delegados reunidos, e a vaia foi predominante e consistente. A guerra pelo poder está em curso.

Conteúdo editado por:Marcio Antonio Campos
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