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Alckmin
Sem espaço no PSDB, Geraldo Alckmin tem convite para ser candidato a vice-presidente da República na chapa de Lula em 2022.| Foto: Ciete Silvério/Governo do Estado

Chuchu no more

Eu sempre votei em Geraldo Alckmin. Votei nele em todas as vezes que disputou o governo de São Paulo; votei nele para presidente, em 2006, e me revoltei com a postura do PSDB naquele pleito, abandonando seu candidato e entregando a reeleição a Lula.

Eu sempre gostei dos governos de Alckmin em São Paulo. Em minha opinião, suas gestões o colocam entre os melhores políticos do Brasil, mesmo considerando duas graves falhas – seu desempenho durante a crise hídrica de 2015 e sua política de concessão rodoviária.

Por tudo isso, jamais imaginei que falaria o que falarei agora: eu nunca mais votarei em Geraldo Alckmin. Não sei se essa parceria com o sapo barbudo vai se concretizar, mas o fato de ele sequer considerar a possibilidade de ser vice de Lula é suficiente para eu tomar essa decisão.

Eu sempre votei em Geraldo Alckmin. E jamais imaginei que falaria o que falarei agora: eu nunca mais votarei em Geraldo Alckmin

E haja malabarismo mental para explicar essa aliança absurda aos outros milhões de paulistas que votaram reiteradamente em Alckmin.

O picolé de chuchu derreteu.

Homem ou rato?

A fala de Ratinho sobre a deputada federal Natália Bonavides, do PT do Rio Grande do Norte, foi uma das coisas mais imbecis do ano. O apresentador conseguiu superar todos os concorrentes já no fechamento de 2021, poucos dias antes do réveillon.

Não fosse esse sujeito um ícone de certa parte da direita brasileira, eu provavelmente não opinaria. Mas ele o é. Infelizmente. Porque, de conservador e defensor da liberdade, Ratinho não tem nada.

O vídeo viralizado é uma mistura de clichês do machismo dos anos 60 e bobagens infantiloides, do tipo que nem aquele tio piadista sem graça se animaria a repetir. Estamos terminando o ano de 2021 e ainda tem gente que acha hilário dizer que mulher tem mais é que lavar louça e cueca do marido.

A turma afetada da esquerda vai dizer que o pior de tudo foi Ratinho fazer apologia a assassinato, como se ele estivesse sendo literal em sua brincadeira de mau gosto. Não. O pior não foi isso. Ninguém vai pegar uma metralhadora e alvejar a deputada só porque um apresentador idiota fez uma piada sem graça e cretina. O pior de tudo é ver o conservadorismo arrastado para algo completamente estranho a sua natureza. A fala de Ratinho é tão conservadora quanto a bancada do PSol na Câmara. Mas é sobre o conservadorismo e a direita que recairá a culpa.

Como diz o ditado: Ratinho, calado, é um poeta.

Eu, robô

Sergio Moro começou a dar entrevistas aqui e acolá. Volta e meia, lá está ele, como um autômato a encarar seu interlocutor.

Se a terceira via depender das entrevistas de Sergio Moro para ganhar a Presidência, é melhor nem começar. O ex-juiz tem a eloquência de uma girafa e o carisma de uma pedra. E, como todos já sabem, uma voz que não ajuda em nada.

Se a terceira via depender das entrevistas de Sergio Moro para ganhar a Presidência, é melhor nem começar

Os lavajatistas não se incomodarão com nada disso. Votarão incondicionalmente em Moro. Mas eles não bastam para levá-lo ao segundo turno. Nem mesmo para lhe dar uma votação de dois dígitos.

É mais uma candidatura que afunda antes mesmo de sair do estaleiro.

Banho de sangue

As primeiras pesquisas de intenção de voto para as midterms indicam um resultado devastador para os democratas.

Tradicionalmente, a mesma pergunta é feita em pesquisas sucessivas nos 12 meses que antecedem as eleições norte-americanas de meio de mandato: “Quem você prefere no comando da próxima legislatura: republicanos ou democratas?”

E aí vem a devastação. Pela primeira vez na história, os republicanos têm 10 pontos ou mais de diferença para os democratas, o chamado double-digit advantage (“vantagem de dois dígitos”). Os resultados da primeira medição, divulgados no último dia 10 pela CNBC, mostram 44% para republicanos e 34% para democratas.

As midterms são consideradas as eleições que medem o sucesso da primeira metade do mandato presidencial. Sendo assim, não é estranho o resultado, dada a imensa rejeição de Biden na atualidade. A popularidade do democrata não para de cair, e a chegada da inflação aos lares americanos deve enterrá-lo de vez.

Caso se confirme o banho de sangue, Biden governará seus últimos dois anos sem nenhum apoio no Legislativo. Alguns analistas políticos estimam que os republicanos possam tomar mais de 100 assentos no Congresso, além de retomar a maioria no Senado.

E a surra não deve parar no âmbito federal. Há rumores de que a coordenação nacional de campanha dos democratas já jogou a toalha na Flórida, e que não pretende investir recursos na campanha contra Ron DeSantis, o governador com maior popularidade do país. Com o Legislativo estadual majoritariamente republicano e o governador a caminho de uma reeleição fácil, a Flórida deve passar a ser considerada um estado vermelho, e não mais um swing state, já na próxima eleição presidencial.

Conteúdo editado por:Marcio Antonio Campos
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