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Flavio Quintela

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Ditadores no armário

  • PorFlavio Quintela
  • 19/10/2017 21:47
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado| Foto:

Em breve fará quatro anos que estou morando aqui na Flórida. Desde que cheguei com minha esposa, conhecemos diversas pessoas da Venezuela. Logo no início, quando a Alessandra ainda estudava inglês numa escola para estrangeiros, fomos apresentados à Kimberly. Oriunda de uma família de classe média de Caracas, ela tinha vindo para Orlando para fugir da escassez de seu país. Estudava de manhã e trabalhava como garçonete à noite. Uma vez, quando saímos todos para comer um lanche, perguntei-lhe se a história da falta de papel higiênico era realmente verdadeira. Ela me respondeu que faltou papel higiênico, sim, mas se fosse só isso ela não teria saído de lá. Tinha semanas em que não conseguia comprar nenhum tipo de carne, e mesmo itens extremamente básicos de alimentação, como sal e açúcar, chegaram a faltar.

Tempos depois, conhecemos uma senhorinha muitíssimo simpática, a dona Tamara. Seu marido tinha sido militar no exército venezuelano e teve de fugir do país porque se recusou a apoiar o governo Chávez. Ela contou que eles não tinham como colocar os pés de volta no país, pois o marido poderia ser preso assim que chegasse ao aeroporto – era acusado de alta traição. Estavam aguardando uma decisão do Departamento de Imigração a respeito de seu pedido de asilo político, que acabou lhes sendo concedido pouco tempo depois.

Dias atrás, chamei um Lyft (principal concorrente do Uber aqui nos EUA) para me deslocar até uma cidade próxima, onde tinha um compromisso. No caminho, fui conversando com Oriana, venezuelana de apenas 22 anos, e que mora a apenas duas quadras da minha casa. Ela me contou que seus pais, divorciados, a ajudaram a juntar dinheiro para vir à América. Chegando aqui, alugou uma casa com seu noivo, e ambos começaram a trabalhar: ela com o Lyft, ele em um quiosque de café no complexo Disney. Depois de algum tempo, ajudou o pai a sair da Venezuela – ele já está morando aqui também –, e agora está mandando a passagem para sua mãe vir. Ela disse que a família não tem mais como viver dignamente, e que o sacrifício que fizeram para que ela viesse “abrir caminho” será compensado. Por fim, a corajosa Yuribia, que deixou tudo para trás para vir ter seu bebê aqui, pois não tinha vacinas, fraldas e outros itens tão importantes para a vida de um recém-nascido no seu país de origem.

Cito apenas quatro de muitas histórias de venezuelanos que fugiram de seu país, pois acho importante deixar bem claro que nossos vizinhos estão passando por um inferno na Terra. Os que têm alguma condição financeira acabam vindo para cá; os que não têm, mas moram em regiões fronteiriças, atravessam precariamente para os países vizinhos, como tem acontecido em Roraima; e os que nada podem fazer vivem na escassez e sob o governo tirânico de Maduro. É essa Venezuela que foi aplaudida e louvada pelo PT no início desta semana. Um texto publicado no último dia 16, no website do partido, diz o seguinte:

O Partido dos Trabalhadores saúda o presidente Nicolás Maduro e seu partido, o PSUV , pela contundente vitória eleitoral nas eleições regionais deste domingo, 15 de outubro de 2017, a vigésima segunda eleição em dezoito anos de governos liderados pelo PSUV.

Este dia será lembrado como o dia de uma vitoriosa jornada de democracia, onde mais de 60% do eleitorado atendeu à convocação democrática e compareceu, de maneira cívica e pacífica, manifestando seu apoio à paz, à democracia e à soberania na Venezuela.

Essa vitória adquire ainda mais importância histórica por ter se dado em meio a uma torpe tentativa de cerco e aniquilamento do país liderada pelo governo estadunidense, império que busca derrotar os povos e nações que lutam por justiça social, inclusão social e autodeterminação.

Parabéns, Venezuela!
Parabéns, Presidente Maduro!
Viva o povo venezuelano!

Gleisi Hoffmann
Presidenta PT

Se você tem um mínimo de moral e de princípios, vai concordar comigo que não há cabimento nesse texto do PT. Se não há cabimento, por que o partido resolveu publicá-lo? Ora, o PT acabou. Sem quadros para disputar as próximas eleições, a agremiação resolveu dar uma banana oficial à decência, à sensatez e ao povo brasileiro, e abraçar com orgulho seu DNA ditatorial e autoritário. Em outras palavras, resolveu “sair do armário”, assumindo publicamente que seu objetivo para o Brasil sempre foi uma ditadura comunista, e que todo o joguinho pseudodemocrático que fez nos últimos anos foi apenas um meio para a conquista de poder (graças a Deus não foram bem-sucedidos). Por tudo isso, o PT é hoje a menor das ameaças ao futuro do Brasil, mesmo com uma improvável, mas possível candidatura do beócio cachaceiro. O perigo está em outras legendas, especialmente na Rede e no PSol.

A Rede – formalmente “Rede Sustentabilidade” – não passa de um grande apanhado de restos do PT dentro de uma embalagem ecologicamente correta, fechada com um laço de falso cristianismo. A Tartaruga Touché tupiniquim, também conhecida como Marina Silva, tem um discurso de ética e uma história “comovente” de superação que cativam boa parte da população brasileira. Pode parecer incrível, mas tem muita gente que a considera uma ótima opção para a Presidência do país, e ela ainda leva a vantagem de posar como evangélica, vertente do cristianismo que só tem crescido no Brasil. É fato que Marina tomou ferro em todas as eleições presidenciais das quais participou, mas também é fato que conseguiu 3 milhões de votos a mais em 2014 no comparativo a 2010, lembrando que ela herdou a candidatura do falecido Eduardo Campos. Não seria nenhum exagero dizer que ela tinha chance de ir ao segundo turno.

O PSol – formalmente Partido Socialismo e Liberdade, por mais contraditórias que essas duas coisas possam ser – reúne a nata do pior; melhor dizendo, o chorume do lixo. Sabe aquele pessoal que acha o PT light demais? Pois é. O PSol quer ser o novo PT, quer resgatar aquela imagem de partido socialista raiz, que realmente se importa com o povo. Quando falam do PT, os políticos do PSol tentam sempre passar a imagem de uma pureza perdida, de um partido que era bom, mas foi corrompido. Usando uma referência bíblica, o PSol se acha um Noé, pronto para limpar a Terra da corrupção disseminada por Adão e seus descendentes. Esse papel de justiceiro social cai como uma luva na esquerda caviar brasileira, que certamente apoiará candidaturas psolentas em todo o país.

Não nos enganemos: não fosse por medo de perder votos, os políticos da Rede e do PSol teriam assinado suas próprias cartas de parabéns a Maduro. Eles compartilham dos mesmos vícios e apreciam os mesmos crimes contra a humanidade que as doutrinas vermelhas já causaram nos últimos 100 anos. A esse tipo de gente, com fortes tendências à psicopatia, nem sequer deveria ser permitido ocupar um cargo público. Andrew Lobaczewski, talvez o maior nome em toda a história na psicologia aplicada à busca das origens do mal, defende que as nações implementem mecanismos para evitar que psicopatas ocupem o poder. Na falta desses mecanismos, eu, você e todos os que prezam por uma sociedade saudável e funcional temos a obrigação de desmascarar e combater gente como Jean Wyllys, Marina Silva, Ivan Valente, Chico Alencar, Randolfe Rodrigues, Alessandro Molon, Marcelo Freixo, Luiza Erundina, Miro Teixeira e outras porcarias que compõem o quadro de políticos dessas legendas. O Brasil na mão deles pode nos dar saudades do PT.

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