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O presidente dos EUA, Joe Biden.
O presidente dos EUA, Joe Biden.| Foto: Stefani Reynolds/Pool/Agência EFE

A grande mídia americana passou quatro anos tentando convencer as pessoas de que houve intromissão da Rússia nas eleições vencidas por Trump, como se os russos fossem se beneficiar com a administração do republicano. A história foi contada tantas vezes por New York Times, CNN, Washington Post et caterva, e tão enfiada goela abaixo como pauta, que até investigação oficial houve. Obviamente, nenhum crime ou influência foram comprovados, pois ainda é uma lei da realidade que somente Deus pode criar coisas do nada.

Aceleremos para os dias de hoje. Nove meses de administração Biden e somente uma parcela ínfima da imprensa (aqueles poucos jornalistas honestos que restam) tem mostrado quem realmente parece ter laços profundos com a Rússia. Glenn Greenwald é um deles. Em um fio de tuítes recentes, ele disse: “Uma outra questão interessante para ser explorada pelos fact-checkers altamente estimados, extremamente neutros e fundamentalmente apartidários que trabalham para as grandes corporações de mídia é se os interesses da Rússia foram melhor servidos pela administração Trump ou pela administração Biden. A teoria da conspiração, que durou quatro anos e foi espalhada por praticamente todos os veículos corporativos de mídia, de que o Kremlin estava controlando o governo norte-americano para seus interesses próprios através do uso de chantagem, foi um dos fiascos mais vergonhosos e patéticos da história do jornalismo”.

Greenwald está certo. Em 20 de dezembro de 2019, Donald Trump assinou uma lei que levou a empresa suíça Allseas Group a suspender a construção de um gasoduto ligando a Rússia à Alemanha, projeto conhecido como Nord Stream 2. A Allseas tem tecnologia proprietária para esse tipo de obra, e o governo americano fez uso de ameaças de sanções milionárias caso a empresa não desistisse da obra. Na época, o Senado americano enviou carta à empresa, dizendo “se vocês tentarem concluir o oleoduto nos próximos 30 dias, vocês devastarão o valor para seus acionistas e destruirão a viabilidade futura da sua empresa”. Após a assinatura de Trump, a Allseas obedeceu imediatamente. Mais que isso, assim que a notícia das sanções se espalhou, os russos reverteram uma posição de litígio que tinham em relação à Ucrânia e concordaram em reconhecer uma decisão judicial no valor de US$ 3 bilhões emitida por um tribunal de Estocolmo. Moral da história: o governo americano usou sua força para dificultar a expansão da influência russa na malha de distribuição de petróleo na Europa e frustrou, pelo menos temporariamente, os planos de Putin.

A data agora é 20 de maio de 2021. Joe Biden remove as sanções à Allseas e ao projeto Nord Stream 2 com base em um relatório emitido pelo Departamento de Estado, chefiado por Antony Blinken, político democrata que já havia servido em diferentes cargos do departamento durante o governo de Barack Obama. A conclusão do famigerado relatório é de que a remoção das sanções é decisão de interesse nacional dos Estados Unidos. E Biden, com sua assinatura, permitiu aos russos finalizarem seu projeto e ganharem força geopolítica. O mesmo Biden que, em seu primeiro dia de governo, cancelou o oleoduto Keystone XL, deixando mais de mil pessoas desempregadas e gerando um mal-estar com o governo canadense. O governo federal americano responde atualmente a processo judicial movido por 23 estados que reclamam enormes prejuízos por conta do cancelamento da obra. Capitaneados por Texas e Montana, os proponentes tentam reverter a decisão desastrosa do presidente. Além deles, a empresa proprietária do oleoduto, TC Energy, pede mais de US$ 15 bilhões de indenização ao governo Biden.

A diferença entre o tratamento que os jornais dispensam a Biden e o que dispensavam a Trump é ridiculamente enorme, a ponto de não haver outra explicação para o fenômeno que não a desonestidade sem vergonha de jornalistas que não fazem ideia do que é fazer jornalismo

Não se lerá uma linha sequer sobre esse assunto nas redações que continuam vendendo Trump como um populista que deu voz à “alt-right” americana e que exaltaram Biden como aquele que salvaria o mundo dos desmandos do laranjão. Enquanto Trump era presidente, havia respeito e temor aos Estados Unidos por parte de Rússia e China. Respeito e temor mútuos, diga-se de passagem. Biden, ao contrário, age sempre contra os interesses de seu país, e sua atuação no Afeganistão envergonhou os americanos como nunca na história. Mesmo assim, a grande mídia tenta poupar o atual presidente o máximo que pode. A diferença entre o tratamento que dispensam a Biden e o que dispensavam a Trump é ridiculamente enorme, a ponto de não haver outra explicação para o fenômeno que não a desonestidade sem vergonha de jornalistas que não fazem ideia do que é fazer jornalismo. Não surpreende que a confiança da população nos grandes órgãos de mídia esteja em seu nível histórico mais baixo.

Tudo isso, e nem toquei no assunto Hunter Biden. Fica para um outro dia. Mas uma coisa é clara: os russos têm Biden no bolso.

Conteúdo editado por:Marcio Antonio Campos
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