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Sem palavras
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Você, que me acompanha regularmente nesta coluna, sabe que o tema principal tem sido as lambanças e maldades do governo Bolsonaro.

Hoje, diante de tudo o que esse homem fez nas últimas duas semanas, me encontro sem palavras. Diante de um "governante" que faz da provocação e da mentira seu principal método de ação, e que tem agido assim desde o primeiro dia de mandato, minha paciência se esvaiu. Como se diz por aí, a gota transbordou o copo.

Bolsonaro cansa. Cansa mais que o PT. Quando Lula e Dilma ocupavam a presidência, tínhamos material farto para crítica, preocupações fartas para com o futuro do Brasil, e uma quantidade farta de corruptos e criminosos ocupando cargos na máquina pública e nos poderes da república. Sim, eles levaram o Brasil à beira do precipício. Sim, eles foram a maior chaga que já se abateu sobre nossa nação.

Incrivelmente, Bolsonaro cansa mais. É como se a gente pegasse os 13 anos petistas de notícias absurdas, decisões intragáveis, nomeações indecentes, declarações reprováveis e atos insultantes e os condensasse em apenas um ano e meio. Bolsonaro é a enxaqueca que nunca passa, a pedra do rim que nunca desce. Ele é a personificação do tensionamento.

Sua estratégia é monotônica e constante, como um sino que bate sem parar, minuto após minuto, hora após hora, dia após dia, semana após semana, mês após mês.

Bolsonaro é o vizinho de apartamento que dá festa toda semana, incomodando todas as famílias que moram ao lado, acima e abaixo; ele é o sujeito que ouve música ruim em volume alto no meio de um coletivo; é a mordida de lábio que já foi remordida três vezes e não para de doer.

Mas há um aspecto desse governo que potencializa o cansaço a níveis inéditos: o bolsonarismo. Esse comportamento de seita, que já ocorria no petismo, ganhou corpo e profundidade com a ascensão de Bolsonaro.

A seita petista era composta principalmente de gente que, de alguma maneira, era beneficiada com vantagens - fossem minúsculas, pequenas, grandes ou indecentemente gigantescas - providas pela estrutura de poder do partido, o que incluía a militância, os sindicatos, o funcionalismo público não concursado, a base aliada etc.

Já a seita bolsonarista tem um grande componente de gente que não ganha nada além da satisfação pessoal de ver seu ídolo no poder. O foco do bolsonarista na pessoa de Jair Bolsonaro é muito mais forte e devoto que o foco do petista em Lula. Novamente, é uma condensação. Não há mais partido no bolsonarismo, há apenas uma pessoa.

Não bastasse tudo isso que mencionei, há ainda a afetação pessoal de cada brasileiro que não se encaixa nem no petismo e nem no bolsonarismo. É o desgosto de ver amigos e familiares aplaudindo atitudes desprezíveis do presidente, endossando suas falas estúpidas e fazendo coro com gente sem caráter e com criminosos.

É a tristeza de ser colocado diante da decisão de manter ou não um relacionamento com alguém que você admirava mas que agora repete mantras imorais e divulga teorias da conspiração.

E a cereja do bolo é o verniz de cristianismo que envolve o presidente e seus seguidores. Para um cristão, poucas coisas causam tanto desgosto como o uso do nome de Cristo para justificar o injustificável e o uso das Escrituras para sustentar mentiras. Com Bolsonaro, isso acontece todos os dias, sem exceção.

Por tudo isso, estou sem palavras. Na verdade, eu ainda tinha algumas poucas, e as gastei nos parágrafos acima.

Bolsonaro cansa.

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