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Receita de ceviche brasileiro da Gabi Mahamud leva polpa de coco verde ou cogumelos no lugar do peixe| Foto: Gabi Mahamud/Arquivo pessoal

Já contei por aqui que desde pequena que sou muito inquieta. Questiono tudo, quero saber como funciona tudo, os porquês, os sentimentos, a sociedade, nossos padrões comportamentais, o que motiva nossas escolhas alimentares e qual nossa relação mais profunda com o alimento (e com o consumo, no geral). Foi nessa ambição de conhecimento que descobri a neurogastronomia. Desde minha viagem à Europa em setembro de 2019 que tenho estudado sobre e fico cada dia mais curiosa e interessada.

Além dos nossos cinco sentidos básicos, existem outros fatores que influenciam nossa relação com alimentos, como questões sociais e culturais. A percepção do sabor vai muito além do nosso paladar. O termo neurogastronomia foi cunhado pelo neurocientista Gordon M. Shepherd. A neurogastronomia estuda como o cérebro estabelece o gosto. É o estudo da percepção do sabor e das maneiras como afeta e é afetado pela cognição e pela memória. Esse campo interdisciplinar é influenciado pela psicologia e neurociência da sensação, aprendizado, saciedade e tomada de decisão. As áreas de interesse incluem como o olfato contribui para o sabor, a dependência alimentar e a obesidade, preferências de gosto e a linguística da comunicação e identificação do sabor.

Popularmente, achamos que o sabor costuma ser relacionado ao paladar pois a informação difundida é a de que nossas papilas gustativas estão localizadas somente na boca. Mas a verdade é que a percepção de sabor está ligada a muitos fatores. O que mais me deixou curiosa nesse estudo foi entender que até nossos hábitos comportamentais e situações que fogem do nosso controle podem estar ligados à nossa forma de perceber o sabor e, consequentemente, ao que escolhemos comer. Por exemplo, alguns testes e pesquisas chegaram à conclusão de que quando nos exercitamos, ficamos mais sensíveis ao gosto adocicado e, por isso, acabamos comendo menos açúcar, já que uma quantia menor já seria o suficiente para nos satisfazer em comparação a quando estamos sedentários.

Outro fato curioso, segundo o livro “Why we eat what we eat”, é que, crianças gestadas por mães que tiveram muitos episódios de enjoo durante a gravidez têm uma tendência maior a

comer mais sal do que as gestadas por mães que não enjoaram tanto, e isso acaba influenciando diretamente na saúde da criança. Super intrigante, né? Nossa decisão de comer é modulada pela sinalização homeostática da fome e da saciedade. Hábito, interações sociais e necessidades nutricionais afetam essa sinalização e influenciam nossa saúde dependendo do que e de quanto decidimos comer. Já a preferência de sabor começa a ser construída quando ainda estamos no útero das nossas mães e, ao crescer, fatores como companhia, exposições repetidas, ambientes e disponibilidade de alimentos acabam por interferir na modulação das preferências de sabor.

São muitos fatores e curiosidades e o mais legal é que podemos usá-los a nosso favor em diversos momentos, como na hora de decidirmos por mudar ou ressaltar um hábito ou na quando escolhemos os alimentos e sabores dentro de uma receita. Outro momento é na construção de um restaurante, entendendo como os ambientes e a construção do sabor afetam nossa percepção e o prazer ao comer. Os “porquês” e “como” vou explicar nos próximos textos nos próximos meses, desenvolvendo o assunto em um novo texto para cada gosto. Enquanto isso, vamos comer um prato que é uma explosão de sabores e sensações?

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Receita de ceviche brasileiro da Gabi Mahamud leva polpa de coco verde ou cogumelos no lugar do peixe | Gabi Mahamud/Arquivo pessoal

Ceviche brasileiro

Gabi Mahamud
Tempo de preparo
Rendimento
PreparoFácil

Ingredientes

  • Polpa fresca de 4 cocos verdes (carne de coco)
  • 1 maço de coentro
  • 1 cebola roxa média fatiada
  • 4 colheres de sopa de azeite
  • Sumo de 3 limões
  • ½ polpa de cupuaçu (opcional)
  • Sal marinho a gosto
  • 1 colher de chá de gengibre ralado
  • ½ manga verde fatiada
  • ½ pimenta dedo-de-moça (pode tirar as sementes para diminuir o ardor)
  • 2 colheres de sopa de castanha de caju tostada quebradinha
  • 4 colheres de sopa de água de coco (opcional)
  • Pedacinhos de alga nori bem pequenos (opcional)

Modo de preparo

  1. Retire a água dos cocos e abra-os com a ajuda de uma faca grande (em barracas que vendem a água do coco, eles fornecem o coco já aberto, gratuitamente ou por uma pequena quantia).
  2. Retire a carne do coco, fatie e coloque em um recipiente com água e reserve (é importante que seja consumido logo pois a carne do coco oxida com facilidade).
  3. Fatie a manga e as cebolas, pique o coentro e prepare a marinada: em um recipiente, misture a pimenta, a cebola, o azeite de oliva, o gengibre, a água de coco e o suco de limão e de cupuaçu.
  4. Junte o coco e os demais ingredientes e tempere com sal.
  5. Deixe marinar por uns 30 minutos e sirva.
  6. Adicione as castanhas ao servir para que mantenham a crocância.

Fácil, prático e super saboroso! Essa receita pode ser feita, inclusive, com cogumelos. Fica excelente também!

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