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Francisco Escorsim

Francisco Escorsim

Do mensalão ao Master

O Super Bowl da corrupção

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Nos Super Bowls da corrupção, o juiz vem demonstrando que joga para um dos lados. (Foto: Imagem criada utilizando Whisk/Gazeta do Povo)

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Sou daqueles que não podem ver uma final qualquer que já presto atenção. Não importa se é final de Copa do Mundo ou da segunda divisão do campeonato acreano de curling. Gosto de drama, ainda mais quando reúne finais felizes e infelizes num só.

Estava assistindo ao tal do Super Bowl de domingo passado. A final daquilo que os norte-americanos chamam de football, mas jogam com as mãos. Vai entender...

Aguentei até o show do intervalo. É um jogo chato, convenhamos. Cheio de interrupções, dura horas de trocentas trombações e perseguições ao único cara com algum talento nos times, o quarterback, que lança a bola que não é bola.

É impossível assistir a esse treco sem fazer outras coisas ao mesmo tempo. Os intervalos constantes, a demora em ter alguma emoção, tudo conspira para que sua mente divague. E foi assim que esta crônica começou a ser pensada, tomando forma.

A corrupção é o Real Madrid brasileiro, é sempre a favorita e raramente perde

Se há uma constante na Nova República brasileira é a perene luta contra a corrupção. Já tivemos alguns Super Bowls a respeito, aliás. Como no impeachment do Collor, no mensalão, na Lava Jato, dentre outros casos menos ou mais rumorosos.

Infelizmente, o país venceu poucas vezes. A corrupção é o Real Madrid brasileiro, é sempre a favorita e raramente perde. No Super Bowl da Lava Jato, por exemplo, estávamos vencendo até o último quarto da partida, com uma vantagem considerável. Mas aí...

O STF, árbitro da final, passou a tomar decisões mais do que suspeitas e a corrupção marcou touchdown atrás de touchdown. E, quando acabou, não só a corrupção venceu como o outro lado foi tratado como se fosse ela. Triste, mas que não espanta diante do nosso histórico nesta competição.

Agora, parece que estamos no primeiro quarto de um novo Super Bowl. O caso do Banco Master mal começou e já se tornou o caso do STF, com as suspeitíssimas relações já provadas existentes entre o ministro Dias Toffoli e Daniel Vorcaro, dono do banco. Sem esquecer do ministro Alexandre de Moraes, com o contrato surreal que o banco tinha com o escritório de sua esposa.

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No momento, enquanto as equipes ainda estão na fase de estudar o adversário, a imprensa segue insistentemente mostrando o replay em câmera lenta do que ninguém consegue mais negar que está vendo: o juiz parece estar a favor de um dos lados. E não é do nosso.

Show Infinito do Intervalo

Não sei se com os norte-americanos é assim, mas o resto do mundo parece se interessar mais pelo show do intervalo do Super Bowl do que pela partida.

Neste último, foi com um tal de Bad Bunny. Assisti também. Não entendi nada do que o sujeito falava (ele não canta, ela fala rápido de modo fanho), mas deduzi que ele planta cana-de-açúcar em casa, que não fica em Porto Rico. Gostei, nota 2,0.

O bom do Brasil é que não precisamos esperar o intervalo para termos nossos shows. São como o carnaval, duram o ano inteiro. E o do atual Super Bowl começa no próximo domingo. Terá uma escola de samba do Rio de Janeiro que fará seu desfile em homenagem ao Lula. Achei coerente.

O STF, árbitro da final da Lava Jato, passou a tomar decisões mais do que suspeitas e a corrupção marcou touchdown atrás de touchdown

Fui dar uma conferida no samba-enredo, chamado Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil. O que seria esse “alto do Mulungu”? Descobri que mulungu é uma árvore típica do agreste pernambucano, onde Lula nasceu, e com a qual gostava de brincar quando criança. É um símbolo de sua origem e infância, portanto.

Mas descobri algo mais interessante e útil. Segundo a IA do Google: “O mulungu (Erythrina mulungu) é amplamente utilizado na medicina popular como calmante, ansiolítico e indutor do sono natural. Suas cascas, flores e raízes contêm alcaloides que atuam no sistema nervoso central, sendo eficazes para reduzir ansiedade, estresse, agitação e insônia”.

Fica a dica aí, portanto, de tomar uma dose de mulungu antes do desfile: ajudará a perdê-lo. Além disso, o fitoterápico pode nos ajudar a suportar o atual e os futuros Super Bowls da corrupção. Quase sempre perdemos, mas pelo menos estaremos calminhos.

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

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