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Francisco Razzo

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Contra os direitos dos animais, mas nem tanto

  • Por Francisco Razzo
  • 04/09/2019 00:01
Contra os direitos dos animais, mas nem tanto
| Foto: Pixabay

Sou contra a ideia de “direitos dos animais”. Afinal, se boi e cachorro fossem pessoas, segue que toda comercialização desses animais deveria ser considerada uma monstruosidade análoga à escravidão ou ao genocídio. Porém, se animais têm direitos, como resolver o fato de que matamos alguns animais para comer? Poderíamos argumentar que animais têm direitos e nós não deveríamos matá-los em hipótese alguma.

Muitos ativistas pelos direitos dos animais pretendem criminalizar o uso dos animais para benefício dos humanos. Transformar num verdadeiro monstro moral quem consome carne. Justo. Para eles, animais possuem, por serem animais, direitos em si. Em virtude dessa dimensão natural, os animais não podem ser adotados como meios para benefícios de seres humanos. Todo ato de comer carne seria um atentado contra a dignidade dos animais.

De qualquer maneira, considero a discussão sobre os direitos dos animais uma discussão de natureza filosófica. Há muitas nuances, reconheço. Mas gostaria de fazer uma provocação filosófica: um cão (ou qualquer outro animal não humano) é um “algo” ou um “alguém”? Para ser um “alguém” (sujeito de direto) não basta levar um “nome” e estabelecer relação afetiva com um “dono”. Considero o seguinte: a relação de propriedade, no contexto entre um dono e seu cão só pode ser unilateral.

Em linhas bastante gerais, só humanos possuem a categoria de “próprios” (por exemplo: eu tenho a consciência de ser eu mesmo), disso não significa que eu sou o proprietário de mim mesmo; sou, na verdade, consciente de que eu sou eu. Um animal não humano, pelo contrário, não manifesta essa experiência de ser ele mesmo. Não é sujeito moral, não tem autonomia, liberdade e capacidade de estabelecer relações intersubjetivas, formar uma comunidade moral e política.

Atribuir respeito aos animais não diminui nossa humanidade. Muito pelo contrário, só nos torna ainda mais humanos

Meu cachorro, Max, que hoje é membro de minha família, só participa dessa relação por vínculos de afetividade, jamais será capaz de desenvolver uma consciência robusta de um membro que se senta à mesa, se reconhece herdeiro de uma determinada cultura, que partilha de sua história, de seus sonhos etc.

Se Max, meu cão, mata o gato do vizinho, quem responderá por esse dano? Eu. E responderei para o meu vizinho. Não o meu cão para uma suposta comunidade política ou jurídica formada por gatos.

Ser capaz de responder pelos próprios atos e escolhas — o que pressupõe um animal racional, livre e sócio de outros animais igualmente racionais, livres e capazes de responder pelos próprios atos e escolhas — é a condição fundamental da realidade do direito. Como não há possibilidade de o ser humano participar de uma comunidade política com outros animais, não há como estabelecer com eles uma relação de direito.

Uma alface, uma mosca, um cão ou um macaco não têm direito à vida, eles apenas vivem. Os danos que um ser humano pode provocar a um animal não são danos morais ou jurídicos, são danos biofísicos.

Por isso, a pergunta correta que devemos sempre fazer a nós mesmos é: até que ponto é moralmente lícito a nós, seres humanos, sermos a causa de danos biofísicos a outros animais em benefício de nós mesmos? Essa é uma reflexão humana, de seres humanos para seres humanos. E, independentemente da resposta, ela não sugere a propriedade de direito e de estatuto moral aos animais. Pelo contrário, ela indica o reconhecimento do limite da nossa própria condição enquanto humanos.

Por definição, ser “alguém” significa ser capaz de desenvolver os atribuídos de “autonomia”, “autoconsciência”, “vontade” (capacidade de deliberar sobre um meios e fins) e, em relação às leis da natureza, ser capaz de “quebrar” essas leis e reconhecer a si mesmo como sujeito de uma cultura, de uma tradição, de uma história.

A experiência pessoal consiste na capacidade de se realizar no autoconhecimento de si, de seus semelhantes e do mundo. Ter memória e expectativas. Mediar essa experiência com racionalidade e imaginação, construir um sistema de crenças e uma linguagem que se expressa por meio de símbolos.

O homem não se limita ao plano físico e biológico, pois está aberto ao plano moral, político e espiritual. Nesse sentido, só o homem consegue ultrapassar sua condição natural, representar na sua consciência a totalidade e desejar compreender o passado, o presente e o futuro. Há uma superioridade qualitativa entre seres humanos e animais que não tem nada a ver com evolução biológica.

Não há nada de obscuro nisso. O homem é o único ser que desenvolve a consciência de participar da realidade e, ao mesmo tempo, tem consciência da própria finitude. A vida humana é uma vida em constante busca pelo sentido. Caso não almejássemos o sentido, muito provavelmente estaríamos uivando uns para os outros. No apelo por sentido, não constatamos a existência como um mero fato biológico, mas como um valor a ser admirado, preservado, compreendido e vivido com dignidade. E o mais impressionante, somos capazes de atribuir valores a outros animais, que são sempre cegos a valores.

Negar a propriedade de “pessoa” aos cães ou aos bois não significa que esses animais não humanos devam sofrer maus-tratos e ser desprezados como lixo. Só uma mente muito perversa chega a esse tipo estúpido de conclusão. Paradoxalmente, só o ser humano é capaz de perversidade, de praticar o mal e a violência contra si mesmo e contra os outros. Atribuir e exigir respeito aos animais não diminui nossa humanidade. Muito pelo contrário, só nos torna ainda mais humanos.

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Comentários [ 12 ]

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    André Luís Vianna

    ± 97 dias

    1)Neste assunto se faz essencial,para q N haja confusão e discussões nas quais as pessoas nem sequer percebem q estão a se utilizar das mesmas palavras para conceitos diferentes,p ex,é definir o q é um direito.2)É possível criminalizar crueldades gratuitas ou sádicas contra determinadas categorias d animais sem q isto implique em todo uma Declaração d Direitos.3)Uma Declaração completa e abrangente,além d irrealizável,poderia gerar consequências complicadíssimas em termos d política pública,p ex:Verbas para garantir alimentos a animais d rua qdo ainda há crianças desnutridas,p ex.E qdo NÓS nos alimentamos...d animais,p ex.4)N é desdém c os animais.Mas,o Mundo Real é o q é e é c ele q lidamos

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    MARIA JOSE PARCHEN

    ± 99 dias

    Nunca vi tanta besteira escrita ao mesmo tempo. Parei de ler nem na metade

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    Leonardo

    ± 99 dias

    Sou a favor da vida, se tem vida tem direitos, o planeta não é só nosso, compartilhamos ele com tudo que é vivo, seres sensientes ou concientes, é muita audácia achar que temos mais direitos que outros seres que compartilham conosco essa esfera que gira no cosmo infinito. Estamos aqui para cuidar e proteger quem necessitado estiver, a prioridade é a vida seja ela qual for.

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  • D

    D. L. Paiva

    ± 99 dias

    Animais devem ser bem cuidados e tratados, mas a finalidade deles é servir o homem. Ao menos é o que está na Bíblia em Gênesis capítulo 1: 29E disse Deus ainda: Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda a terra e todas as árvores em que há fruto que dê semente; isso vos será para mantimento. 30E a todos os animais da terra, e a todas as aves dos céus, e a todos os répteis da terra, em que há fôlego de vida, toda erva verde lhes será para mantimento. E assim se fez.

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    Mário

    ± 99 dias

    Gostei do texto. O que existe no mundo "humano" é que os exageros referente aos animais se tornaram cada vez mais exacerbados hoje em dia. Um bom ser humano vai respeitar o espaço de cada um e não pretender transformar um no outro. Simples assim...

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    Marcos eisenschlag

    ± 99 dias

    Otimo artigo. O mimimi histrionico de veganos e vegetarianos e' o resultado de uma educacao hipocrita em relacao a dependencia humana do planeta e dos animais que nela habitam. Sim, somos frageis em nosso estado natural, precisamos de energia, alimento, vestuario, etc e uma boa parte disso so' e' possivel com nossa intervencao no ambiente e abate de animais.

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  • W

    Walkyria

    ± 99 dias

    Pois eu sou a favor da ideia de “direitos dos animais”. Pelo simples motivo de que Deus nos criou a todos, humanos e não humanos e nos destinou a essa moradia comum, que chamamos Terra. Não é certo “humanizar” animais, tratá-los como crianças que não são (crianças e filhotes de animais têm muito em comum...), mas não temos o direito de explorá-los por qualquer seja o motivo, menos ainda de maltratar ou de abusar deles. E o fato de humanos “se acharem superiores” a todo o resto da criação, não nos dá o direito de tripudiarmos das outras criaturas. Não somos deuses, ao contrário do que se lê na Bíblia. Ah! Mas nem todas as pessoas acreditam em Deus ou na Bíblia. Direito delas...

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  • A

    Anderson Pereira Lopes

    ± 99 dias

    Boa Razzo, é uma resposta muito elegante aos veganos e mimimis de plantões, mas não vai demorar muito para que eles lhe chamem de animalfobico.

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  • A

    andrea silva

    ± 100 dias

    Eu sempre lembro que pessoas com deficiência intelectual moderada, severa e profunda, muitas vezes não possuem consciência de si, autonomia, liberdade e nem capacidade de estabelecer relações intersubjetivas. Logo, não deveriam ser tratadas como humanas (seguindo a lógica de alguns). Então sim, o ser humano deve ter limites de atuação e utilitarismo para com os outros seres, até porque, dentre os humanos há os mais hábeis e os nem um pouco hábeis e produtivos ao sistema.

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    3 Respostas
    • Z

      Zyss

      ± 99 dias

      Marcos eisenschlag: essa é mesma que acredita no aquecimento global já refutado....Antes de falar das limitações dos outros, que tal falarmos da sua?

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    • M

      Marcos eisenschlag

      ± 99 dias

      Que interessante encontrar uma tese eugenista em um artigo sobre pets...alguem pensou assim em 1939 e logo alguns anos depois estavam todos cantando Sieg Heil!....

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    • R

      renato mello

      ± 99 dias

      Não confunda limitação de exteriorizar as relações intersubjetivas com outros com a IMpossibilidade de ter essas relações. Por mais que uma pessoa esteja mentalmente limitada, como vc descreve, ela ainda assim se vê e estabelece relações sociais e intelectuais com outros Humanos o resto é como disse o autor, relações afetivas. E vamos churrascar que é muito bom

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