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Bia Kunze – Garota sem Fio

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Digitar mais que escrever não é bom para seu cérebro

  • PorBia Kunze
  • 26/09/2017 11:27
Digitar mais que escrever não é bom para seu cérebro
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Chegou a era em que as pessoas preferem digitar a invés de escrever. Seja em teclados físicos de computadores ou em tecladinhos virtuais de celulares, hoje as pessoas trocaram a caneta pelo digital para tudo.

Você se lembra da última vez que deixou um bilhete por escrito para alguém? O WhatsApp é bem mais prático, não? E nas salas de aula em faculdades, laptops tomaram conta do ambiente.

Essa semana falarei sobre escrever em tablets e postarei um duelo entre as canetas digitais; mas antes, preferi fazer esta introdução.

A discussão digitar x escrever chegou às escolas e gerou polêmica entre pais e pedagogos no estado do Indiana, onde a escrita cursiva deixou de ser ensinada em sala de aula. Muitos educadores afirmam que a choradeira é desnecessária, já que o apego pela escrita à mão tem viés mais romântico que prático, sendo um resquício da idade média. Prefere-se, portanto, que se ensine às ciranças aquilo que será mais útil a elas, ou seja, a digitação. A humanidade evoluiu da pena à esferográfica, da máquina de escrever aos computadores, portanto o mais correto seria adequar o ensino às demandas contamporâneas, correto?

Bem… a verdade é um pouco diferente. Diversos estudos tem sido conduzidos para se descobrir qual o impacto da escrita e da digitação no aprendizado, e os resultados mostram que quem escreve à mão aprende melhor que os digitadores. Estudiosos contestam os resultados atribuindo os melhores resultados não à escrita em si, mas pelos estudantes demandarem mais tempo e selecionar melhor aquilo que colocam no papel.

Mais estudos foram feitos, levando em conta a velocidade da escrita ou da digitação, o tempo despendido nas tarefas e o uso de ferramentas tecnológicas educacionais mais eficientes. A escrita à mão sempre se sai melhor. E não só isso: contribui para a formação de adultos mais criativos e de cognição mais longeva.

Tenho um interesse muito grande no assunto não apenas pelo meu trabalho com tecnologia móvel, mas também como dentista homecare, trabalhando há 15 anos com odontogeriatria e com a maioria dos pacientes portadores do mal de Alzheimer. Procuro me atualizar lendo as últimas publicações científicas e frequentando simpósios.

Mas foi a minha própria experiência que chamou minha atenção para o problema da escrita. Em meados dos anos 2000, eu tomava minhas notas na faculdade de comunicação em meu Palm e teclado, além de usar laptops eventualmente. Notava que meu rendimento não era igual ao dos anos 90, na faculdade de odonto. Cheguei a achar que estava velha demais para uma segunda faculdade, ou que trabalhar e estudar é bem pior que a dedicação exclusiva aos estudos. Porém, foi só adotar a rotina de fazer mapas mentais, escrever à mão e criar alarmes no Palm revisar os assuntos que a reviravolta foi radical. Mais que isso: percebi que eu precisava de bem menos tempo que nos anos 90 para aprender e reter informação. Eu aprendia mais e melhor em menos tempo. Compreendi que não era o tempo gasto que fazia de mim uma boa estudante, mas sim, estudar do jeito certo. Pretendo voltar a esse assunto daqui um tempo.

Agora aos 42 anos estou estudando novamente e me preparando para voltar aos bancos escolares ciente que posso conciliar tudo e render mais usando meu potencial de forma diferente. Como já comentei, para tudo que precisa entrar no meu cérebro, uso caneta e escrita à mão — tanto no papel como no digital. Para o que sai do meu cérebro, como este artigo, uso o teclado convencional como apoio. E não raro, com as notas que produzi à mão junto.

É bem provável que a atual geração digitadora sofra mais no futuro com doenças que causam demência, como o Alzheimer. Como as atividades manuais e a leitura (de perfil mentalmente ativo) tem sido negligenciadas em favor de TV, séries e redes sociais (de perfil passivo), vejo um futuro bem sombrio se desenhando.

Se você ficou assustado, saiba que não é tarde para realizar mudanças em sua vida. Não fumar, evitar o álcool, se alimentar bem e fazer atividades físicas são importantes para manter seu cérebro saudável. Mas não bastam: é preciso ao longo da vida realizar atividades intelectualmente desafiadoras, não importa a idade. Aprender novas coisas, estudar idiomas. Buscar um hobby que envolva trabalhos manuais, como marcenaria, tricô, desenho, pintura. E não abandonar a escrita cursiva!

Para quem se interessa pelo assunto, recomendo 2 excelentes livros: Produzindo Inteligência, do professor Pierluiggi Piazzi e The Missing Ink, de Philip Hensher.

Se vocês desejarem, posso fazer hangouts no YouTube e videoaulas para discutirmos melhor novas maneiras de ser aprender e ser criativo. Deixem sua opinião nos comentários!

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