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Pense nisso antes de fazer um voluntariado
| Foto: freepik.com

Cada vez é mais comum nos depararmos com iniciativas de grupos de pessoas que se unem para fazer o bem de forma gratuita a quem precisa. São pessoas que entendem seu lugar no mundo, se sentem chamadas a mudar o que lhes incomoda ou frustra e, mesmo não obtendo retorno financeiro, reconhecem o valor que sua atitude tem na vida dos outros.

É maravilhoso encontrar pessoas inspiradas e motivadas, que colocam a mão na massa e que se movimentam para fazer o bem. Ajudar é uma escolha e, assim como as outras escolhas também nos demanda dedicação e produz resultados e consequências. Se há liberdade para escolher, com ela vem a responsabilidade de cumprir com o que se comprometeu.

Sou voluntária, lidero alguns grupos de voluntários e presencio há muito tempo diversas atuações de voluntariado e como consequência percebi alguns pontos bem evidentes naquelas pessoas que se mantêm no voluntariado por muito tempo e que alcançam bens enormes.

Se você tem vontade de se voluntariar, dê uma olhada nesses 5 pontos que, ao meu ver, são primordiais para o sucesso da ação voluntária!

1) Saiba o que pode e quer entregar
Autoconhecimento nos faz ir longe na vida e no voluntariado não é diferente. Saber o que você pode oferecer, no que tem facilidade e, consequentemente, como poderá deixar sua marca nas pessoas e nos projetos te guia no seu trabalho.

Sentir-se útil é importante e te da clareza e foco no porque faz o que faz e o que quer alcançar e isso vai desde “sou boa em vendas, posso ajudar a ONG a captar recursos”, ou “não me dou bem com crianças, prefiro trabalhar fazendo lanches”, até “gosto de conhecer pessoas novas, posso ser “ouvidos” a quem quer conversar e compartilhar sobre a vida”.

2) Identifique o que pode e o que quer ganhar 
Como tudo na vida, o voluntariado também te trará experiências e oportunidades de se desenvolver, é como jogar uma bola na parede, a força com a qual ela retornará a você será equivalente à força que você jogou. Não é um pensamento egoísta, mas realista e otimizador. Se você já sabe o primeiro passo – como pode ser útil – o outro lado da moeda é saber o que precisa desenvolver, tornando a experiência mais sustentável e completa.

Selecionei alguns exemplos pra se tornar mais claro o que pode explorar nas suas experiências: praticar a liderança no trabalho em grupo com diferentes perfis; ser flexível para trabalhar com algo fora da sua zona de conforto; desenvolver o autodesenvolvimento ao aceitar novos desafios, mais experiência e conhecimento; aumentar suas experiências práticas; ser mais paciente, praticar a empatia, compreender diferentes pontos de vista; e por ai vai.

3) Esteja disposto a dedicar parte do seu tempo só para o voluntariado
Querer ser voluntário para ajudar só quando o dia a dia te der uma “brecha”, sem separar um momento para se dedicar a aquilo de verdade, dificilmente trará resultados satisfatórios. Quando você sabe qual momento do dia ou quais dias do mês irá dedicar para isso, as outras pessoas envolvidas sabem quando podem contar com você e a tendência de estar 100% ativo e atencioso ao momento é maior.

A organização na rotina pode até te mostrar que você tem mais tempo do que parece ter e dedicar um tempo para uma atividade mão na massa ou de lazer envolvendo voluntariado vai te trazer também bem-estar e realização.

4) Não é só porque é de graça que não vão cobrar qualidade no seu trabalho
Você não é pago, mas mostrar dedicação e apreço num trabalho bem executado mostra o quanto você se importa com a causa a qual ajuda. Ligando esse ao ponto anterior, a qualidade naquilo que faz mostra que se organizou e se dedicou ao que se comprometeu, você sente orgulho do que fez, do que aprendeu e das pessoas que ajudou.

5) Nem sempre o que você faz trará um resultado mensurável e tangível a curto prazo
Esse último ponto é um dos maiores desafios do 3º setor: mensurar impacto. Às vezes queremos fazer coisas que transformem a vidas das pessoas, mas provavelmente tua ação não vai ser suficiente para que a mudança ocorra num estalar de dedos.

Lidar com questões sociais e ambientais meche com o que nós humanos precisamos de uma vida toda para aprender: paciência. Pode levar tempo até que o seu trabalho renda resultados, atinja muitas pessoas ou seja perpetuado dentro de uma organização. A realidade é complexa e é necessário persistência para solucionar problemas.

Ambientes instáveis, injustiças, questões psicológicas e de desenvolvimento. Nesse meio não faltam desafios, mas tenha certeza que sua ação ajuda a mover um pouquinho toda essa roda, e de pouquinho em pouquinho, quando cada um faz sua parte - e as dos outros também muitas vezes -, movemos montanhas.

Então não tenha medo ou insegurança, aproveite oportunidades que com certeza vão mudar sua vida e a de outras pessoas. Não vai ser simples, mas vale a pena se colocar como agente ativo do impacto social no mundo.

*Artigo escrito por Amanda Ampessan Cavali, formada em Relações Internacionais com MBA em Gestão de Negócios de Impacto Social, trabalhou na startup social sem fins lucrativos que gerencia voluntariado, Freehelper, e hoje gerencia a comunidade de voluntários InovAtiva Brasil. Amanda é colaboradora voluntária por meio da Freehelper, parceira do blog Giro Sustentável da Gazeta do Povo.

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