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Rumo ao Atletiba: Bar do Altair

Guilherme Caldas
Relíquia: 1º campeão da Nova República

“Nem adianta que pra amanhã não tem jeito, a casa já está lotada!”, é o que diz o seu Altair, logo de saída. Localizado no Bom Retiro, está aquele que tem a reputação de ser o maior reduto da torcida coxa-branca da cidade. “Nós somos o segundo maior. O primeiro é o Couto Pereira”, continua o seu Altair. Eduardo, seu filho que também trabalha no restaurante já tinha o palpite para o jogo deste domingo: “3×0, sem dó!”.

No ramo há quatro décadas, o Bar do Altair, cinco anos atrás, precisou se mudar para o novo endereço. Mas ficou ali por perto e manteve a freguesia. “Hoje, atendemos o pessoal da universidade aqui ao lado”, nos conta o Eduardo, “mas o bom mesmo é em dia de jogo do Coxa”. Quando perguntado se os atleticanos não aparecem pra secar o Coritiba, seu Altair desconversa: “em outros dias, são muito bem vindos, mas em dia de jogo pode dar confusão”.

Guilherme Caldas
Nas paredes, o time do coração e a foto do neto, Fernando, já no caminho certo.

Provando que torcedores rubro-negros são mesmo bem vindos, Carlos, atleticano de carteirinha, acertava sua despesa e arriscava que o jogo iria mesmo acabar nos pênaltis: “E aí…”, faz uma pausa mas continua, “lembra do Zico contra a França? Baita jogador e perdeu aquele pênalti.” O fato de torcer para o rival não o impede de frequentar a famosa feijoada do Altair: “O que existem são adversários, não inimigos”.

Guilherme Caldas
No balcão, o rollmops, ms sábado é dia de feijoada.

Apesar do entusiasmo pelo Coritiba, pai e filho não conseguem se lembrar da última vez em que foram ao estádio. Também, pudera, “isso aqui fica lotado de torcedor coxa-branca em dia de jogo, uma beleza!”, nos conta seu Altair, que estava no Maracanã no dia em que o time conquistou o maior título de sua história. Como souvenir, mostra o disco comemorativo do título, trazido do Rio de Janeiro: “O pessoal vive fazendo oferta, mas isso aqui eu não vendo de jeito nenhum”. E isso que ele nem tem mais onde escutar o bolachão que pretende, algum dia, transformar em CD.

Talvez seu Altair esteja guardando a relíquia para a nova geração. O neto, Fernando, já segue o caminho da família, como atesta sua fotografia com o uniforme do Verdão. Uma freguesa nos conta que, em 85, o seu avô estava no Maracanã com o seu Altair. Ela jura que não se importa com futebol, mas lembra que seu primeiro bolão foi em meio aos imãs de geladeira e um brasão do Coritiba que não deixam dúvidas de que o coração ali é alvi-verde. “Conhecemos outros lugares com mais decoração do time, mas a gente procura não carregar demais”, nos conta Eduardo, que não estava na final do Campeonato Brasileiro de 85 por um pequeno detalhe: “Naquele ano, eu estava nascendo. Meu pai deixou minha mãe aqui e viajou pra assistir à última partida no estádio”.

Guilherme Caldas
Bar do Altair: reduto coxa-branca.

No almoço, o bar funciona como buffet variado, mas, na parte da tarde, o campeão de pedidos dos frequentadores da casa é a porção de bolinho de carne, que a clientela pode comer instalada na ampla varanda. Mesmo lugar onde, amanhã, os torcedores que não puderem (ou não quiserem) ir ao Couto Pereira poderão assistir ao último Atletiba do ano, em televisores instalados em diversos locais.

O pessoal da casa garante que o Bom Retiro é um bairro onde a torcida coxa-branca é maioria absoluta. “Por isso é ‘Bom’ Retiro. Se fosse o contrário, seria ‘Mau’ Retiro”, alfineta seu Altair, que, no começo, não queria se manifestar sobre o resultado do clássico. Mas logo mudou de idéia e mandou seu palpite: “2×0”. Para o Coxa, é claro.

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Serviço
Bar do Altair
Rua Nilo Peçanha, 17o1 (veja a localização no Mapa da Baixa Gastronomia)
(41) 3078-4513 / 3078-4514
Aberto todos os dias das 11:00 às 23:00 (sábados, até 21:00)
Aceita cartões

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