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Guido Orgis

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Blog que discute ideias em economia política

A economia precisa de estímulo. Até onde vai Paulo Guedes?

  • Guido OrgisPor Guido Orgis
  • 08/07/2019 11:36
O ministro da Economia, Paulo Guedes
O ministro da Economia, Paulo Guedes, estuda formas de estimular a economia.| Foto: José Cruz/Agência Brasil

A expectativa de crescimento da economia neste ano já caiu para menos de 1% e um movimento de piora de perspectiva já começou a contaminar previsões para 2020. Claramente, o estímulo monetário que veio da queda dos juros até agora não foi suficiente para tirar o Brasil da estagnação, o que faz crescer a pressão sobre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e sobre o Banco Central.

A deterioração de 2019 está muito ligada à reversão na confiança de empresários e consumidores, em grande medida influenciada pela maneira tortuosa como o governo conduziu as negociações com o Congresso no primeiro semestre (em especial no caso da reforma da Previdência). Também influenciaram essa piora a incerteza provocada pela guerra comercial entre Estados Unidos e China, e a lentidão na retomada do consumo, deprimido pelo desemprego ainda bastante alto.

Há alguns meses é esperado que o Banco Central baixe mais os juros, hoje em 6,5% ao ano. Nas últimas atas de reuniões do Copom, há uma demonstração nítida de preocupação com a aprovação de reformas que melhorem o quadro fiscal, ao mesmo tempo em que a autoridade monetária ainda avalia os riscos à inflação.

Em entrevista nesta sexta (5) ao Valor, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, disse que a reforma da Previdência é um dos principais fatores em seu balanço de riscos, mas não quis conectar a queda dos juros à sua aprovação. Para ele, a taxa Selic já está estimulativa e a questão agora é de intensidade. Nas entrelinhas, ele não deu esperança de um choque estimulativo na política monetária, embora pareça que os juros devam cair um pouco mais com a estabilização do câmbio e das perspectivas para a inflação.

Se não podemos esperar muito mais estímulo vindo do BC, o olhar se volta para o ministro Paulo Guedes. O mercado recebeu muito bem a tramitação atual da reforma da Previdência e as taxas de juros de médio prazo caíram bem nas últimas semanas. A taxa para 2025 oscila em torno de 7%, o que mostra um prêmio de risco baixo em relação ao que tínhamos um ano atrás.

Esse movimento de queda nas taxas de juro (tanto a básica quanto as de longo prazo praticadas no mercado de títulos), casado com a reforma da Previdência, traz um alívio para a dinâmica da dívida pública, que passa a crescer mais devagar. Essa é uma janela que pode ser aproveitada de duas maneiras: aumento do gasto com um estímulo fiscal; manutenção do gasto atual apostando na retomada da confiança.

Os economistas da Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre) lançaram em sua carta mensal a ideia de que é hora de haver um estímulo fiscal. Sua proposta se baseia em uma teoria econômica que indica esse tipo de saída quando a diferença entre taxa real de juros e crescimento é muito baixa. Pode ser, com alguma margem de risco, o caso do Brasil, como indica o economista Samuel Pessôa. A ideia apresentada na Carta do Ibre seria um estímulo fiscal pequeno, de R$ 35 bilhões em obras públicas, sugerida por Nelson Barbosa, ex-ministro do segundo governo Dilma.

Esse é o tipo de saída que Paulo Guedes tende a evitar. Sua aposta é que a aceleração de uma consolidação fiscal, ou seja, redução do déficit público, vai melhorar o clima para o investimento privado. Durante a campanha, ele declarou que gostaria de zerar o déficit neste ano - algo que não será feito, nem de longe (o governo briga para cumprir a meta de déficit de R$ 139 bilhões).

A saída que Guedes tem colocado publicamente é uma combinação de privatizações para atrair mais investimentos, algum estímulo via liberação de recursos privados em mãos do poder público, como PIS e FGTS, e a continuidade das reformas (tributária e abertura comercial). Seria a repetição de parte da política de estímulo feita por Henrique Meirelles quando ministro da Economia de Michel Temer.

Mas Meirelles casou essa estratégia com uma flexibilização fiscal. Ele pediu, e o Congresso aprovou, uma meta pior de déficit público, ao mesmo tempo em que avançava a proposta do teto de gastos. Atualmente, o governo ainda gasta menos do que o teto, já que precisou contingenciar recursos par não estourar o limite do déficit aprovado no orçamento.

Guedes poderia argumentar que a âncora da política fiscal é o teto de gastos e não a meta do déficit público, pedindo ao Congresso uma revisão do número para 2019. Quanto conseguiria com isso? Hoje, coisa de R$ 32 bilhões, mas pode ser que seja mais caso a economia não reaja no segundo semestre. É um número parecido com o sugerido pelo Ibre.

Há bons argumentos para um estímulo direto, via gasto público. Como a dinâmica da dívida pública melhorou, é defensável aumentar o déficit levemente (0,5% do PIB) para reformar estradas, por exemplo, e reduzir mais rapidamente o desemprego. O governo teria de ter capacidade de usar esses recursos de forma eficiente e ágil.

O ceticismo da equipe econômica em relação a esse tipo de saída se explica por duas razões: o histórico recente do Brasil e a baixa eficiência do setor público. Politicamente seria complicado para o governo Bolsonaro defender uma saída que seria associada ao governo Dilma. Ao mesmo tempo, sabemos que talvez o governo não conseguisse mobilizar tantos investimentos em tão pouco tempo de forma a fazer alguma diferença no produto deste ano ou, na hipótese mais provável, em 2020.

Neste momento, o componente político parece ser o mais relevante. Ao pedir dinheiro extra, o governo travaria outros projetos no Congresso, inclusive a finalização da votação da reforma da Previdência. Mas isso torna ainda mais premente a necessidade de outras ações, que precisam ser bem construídas e pragmáticas. Não existe espaço no curto prazo para projetos complicados, como o fim das contribuições previdenciárias sonhado por Guedes.

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Comentários [ 17 ]

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  • J

    Jeferson

    ± 1 horas

    Paulo Guedes tem plano estrategico de crescimento . Pena que leitores e jornalistas nao leram o projeto completo. O primeiro é a previdencia. Depois vem a tributaria e fiscal. O jornalismo so fala mal do governo e torce contra

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    • G

      Guilherme Gonçalves

      ± 1 horas

      Guido, belo texto, sobretudo ousado pelo momento “anti-tudo-que-vem-do-Estado” que vivemos. Só não defende alguma forma de intervenção do poder público para aquecer a economia real - e combater essa taxa de desemprego absurda - quem não sofre e está do lado de cima da pirâmide econômica. Não à toa, ao mesmo tempo em que o Brasil está mergulhado numa recessão, o mercado de apartamentos de alto luxo cresceu 40% em Curitiba, e VARIOS veículos importados de luxo tem fila de espera de seis meses...não é coincidência!

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      • L

        luiz

        ± 13 horas

        Guedes é um boca mole, pois os ruralistas que são os grandes privilegiados desse pais, que nem precisam de aposentadoria, pois são todos ricos, receberam perdão pela destruição de florestas. Esse famoso economista veio aqui dar esse vexame, aumentando as desigualdades desse Brasil das oligarquias. Vá embora seu chicagô...

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        • M

          Maquiavel

          ± 14 horas

          A única coisa que esta travando o crescimento econômico é "a lentidão na retomada do consumo, deprimido pelo desemprego ainda bastante alto."

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          • M

            Marcelo de Lucena ribeiro

            ± 14 horas

            Desenvolvimento da economia por políticos NUNCA deu certo em NENHUM país do planeta terra. KEYNES e sua teoria morreram há muito. Todos os países prósperos adotam o livre mercado SEM INTERFERÊNCIA DE GOVERNOS. Ao colunista se atualizar na melhor doutrina econômica. Ficar defendendo teorias refutadas há anos é no mínimo vergonhoso.

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            • P

              Pensador

              ± 14 horas

              Há muitas perdas na Reforma da Previdência. Mas uma das mais injustas é a que atinge quem recebe de R$ 1.364,44 até R$ 1.996,00 (2 salários mínimos), que deixarão de receber abono do PIS/PASEP a partir de 2020. Quando aprovado o texto por de****dos e senadores, cerca de 20 milhões de brasileiros do meio urbano e rural perderão o direto a esse abono. Enquanto isso, deputados e governo isentam de impostos os grandes fazendeiros (R$ 83 bilhões em 10 anos) e as petroleiras ( R$ 1 Trilhão em 10 anos). Lembrem disso nas próximas eleições.

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              • P

                Paulo Laporte

                ± 15 horas

                É um absurdo a postura do ministro frente a economia, sem projeto, sem programa de governo e sem perspectiva de trabalho para mais de 13.000.000 de desempregados. Só acredita que esse passo a passo de tartaruga vai nos levar a algum lugar quem está com a vida garantida. Estamos caminhando para o fundo do poço. Esse indivíduo é um enganador. Por exemplo nesse momento de crise é justo começar a implementar um cadastro Positivo ! É uma palhaçada !!!!

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                • H

                  Herman Bruhns

                  ± 17 horas

                  A pergunta não é até onde vai Paulo Guedes, e sim o que vai acontecer ao Brasil sem ele. Por agora caminhando passo a passo, estamos caminhando com segurança e para frente. Há muitas perspectivas de melhora futura, se o Congresso ajudar nas reformas da previdência, fiscal, anti-crime, política etc. Também o STF tem de parar de atrapalhar, mas vai ser muito difícil conseguir isto, para onde olhamos tem gente de rabo preso! Pobre Brasil, enquanto alguns empurram para frente, muitos outros empurram para trás!

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                  • M

                    Moizes de Oliveira

                    ± 17 horas

                    Um viciado em crise de abstinência clama por uma dose da droga que o destruiu. E essa droga se chama keynes

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                    • L

                      LUIZ SERGIO GUERRA CORREA

                      ± 19 horas

                      Cumpricado. Não manjo muito mas falta emprego e sem emprego menos dinheiro circulando. Basta olhas os números do.comércio e sentir o drama da queda de consumo absurda

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                      • F

                        Felipe Martinelli

                        ± 20 horas

                        A solução proposta pelo colunista é mais keynesianismo...como se o tal PAC da Dilma já não fosse tragédia suficiente...

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                        1 Respostas
                        • V

                          Vicente Sloboda

                          ± 17 horas

                          A Dilma fez isso e não deu certo. Por que agora daria? Concordo com Paulo Guedes, não se acerta o orçamento gastando mais.

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                      • R

                        Ricardi Quarelli

                        ± 20 horas

                        Estamos fadados a conviver por muito tempo com uma economia pífia e ainda muito dependente do governo. Salve-se quem puder.

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                        • K

                          Kleberson Costa Amaral

                          ± 20 horas

                          Ele quer dar o estímulo ao lançar a famosa carteira verde amarela. mas ai vem o congresso e aumenta imposto, fica difícil. Faltou, muito, o Presidente meter a cara e chamar para si a responsabilidade. Se der errado, que mudasse.

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                          • M

                            MARCELO APARECIDO INOCENCIO

                            ± 21 horas

                            Deixei de acompanhar o raciocínio deste colunista quando colocou "maneira tortuosa como o governo conduziu as negociações com o Congresso". Qual a maneira retilínea de conduzir o processo? com troca de favores? É preciso que o Congresso seja representante do Povo EFETIVAMENTE, não este Congresso (O qual já teve uma boa limpeza) com muitos privilégios e interesses pessoais acima do interesse coletivo! Não há maneira fácil de lidar com um Congresso CONTAMINADO!

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                            • J

                              Juliano

                              ± 21 horas

                              IBRE: Keynesianos em "polvorosa"...

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