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Guido Orgis

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Blog que discute ideias em economia política

Brasil tem poucos dias para criar uma economia de guerra

  • Por Guido Orgis
  • 23/03/2020 18:51
Brasil tem poucos dias para criar uma economia de guerra
| Foto: Bryan R. Smith / AFP

As análises econômicas mais recentes de países que estão alguns dias à frente do Brasil na crise do coronavírus indicam que temos pouco tempo para entrar em "modo de guerra". O termo parece apocalíptico, mas não é exagero diante de algumas projeções.

O banco Goldman Sachs espera uma contração na economia americana de 6% no primeiro trimestre e de 24% no segundo trimestre. A recuperação viria nos dois trimestres seguintes (12% e 10%), deixando um saldo negativo de 3,8% no ano. Isso em um país onde está saindo um pacote de ajuda de mais de US$ 1 trilhão e onde o banco central zerou os juros e está colocando dinheiro na veia do mercado.

O JP Morgan é mais otimista. Trabalha com contração de 4% no primeiro trimestre e 14% no segundo. Para a Zona do Euro, a expectativa é de -15% e -22%. A projeção de crescimento zero feita para o Brasil pela equipe econômica é uma fantasia. Contendo-se ou não o vírus.

A única vantagem do Brasil é que estamos 17 dias atrás dos Estados Unidos na crise do coronavírus - essa é a diferença entre as datas em que foram anunciadas a primeira morte nos EUA e a primeira morte no Brasil. Há duas lições que podemos aprender: é preciso correr para aprovar recursos para dar apoio à economia em níveis muito superiores ao que já se fez em tempos de paz; é preciso canalizar todo o dinheiro necessário para a saúde.

Mesmo em países desenvolvidos os relatos sobre a falta de testes, leitos e materiais para tratar a crise de saúde são assustadores. Médicos em alguns hospitais americanos relatam a falta de máscaras, para ficar no exemplo mais prosaico. A Itália e a Espanha enfrentam um efeito colateral da falta de proteção aos trabalhadores de saúde: entre 8% e 11% dos infectados são médicos, enfermeiros, técnicos e outros funcionários de hospitais e clínicas. Em todos os casos mais agudos, faltam respiradores.

O Brasil tomou somente agora a decisão de comprar um volume decente de testes para o coronavírus. Por ora os hospitais ainda trabalham com testes contados, direcionados apenas a quem está com sintomas mais graves. Aqui, parece ter havido um ruído na gestão da crise - a Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia indicado a realização de testes em grande escala, mas o Brasil demorou para agir.

Os países que testaram e isolaram doentes, mesmo com sintomas leves, são os que tiveram a melhor contenção da primeira onda do coronavírus. Eles entenderam que os efeitos econômicos seriam de qualquer forma inevitáveis e pelo menos reduziram os efeitos sobre a saúde da população. E esse sucesso não é exceção de países orientais. Na Europa, a Alemanha vem conseguindo manter uma taxa de mortalidade baixa se comparada a vizinhos de bloco.

Entender que entramos em um momento diverso de tudo que já aconteceu ajuda a dimensionar as decisões que o Brasil precisa fazer nesta semana. Além de reduzir a circulação nas cidades já atingidas e entre esses centros e as regiões ainda sem casos, o país precisa dar um suporte enorme para minimizar a queda da atividade.

Até o momento, as iniciativas do governo estão na direção certa. Há algum dinheiro extra para saques do FGTS, complementos para famílias de baixa renda, prazo para o pagamento de dívidas (como fez o BNDES) e mais crédito. Isso provavelmente não será suficiente. O governo fez bem ao anunciar um pacote de apoio a estados e municípios e provavelmente terá de colocar mais recursos para a manutenção de empregos. Nem tudo poderá ser feito via empréstimos de bancos públicos. Não podemos ter alergia à ideia de o Tesouro pagar salários de trabalhadores por dois ou três meses.

A outra ponta ainda a ser tratada é a mobilização para lidar com a crise de saúde. A compra de kits para testes é um sinal de que a estratégia de contenção ficou mais ampla. Ela precisa ser acompanhada da compra emergencial dos equipamentos para laboratórios e hospitais.

A fabricação de respiradores, máscaras e equipamentos de proteção precisa ser contratada em volumes e prazos de entregas típicos de momentos de guerra. Montadoras de veículos, por exemplo, já foram acionadas na Alemanha e Reino Unido para fabricar respiradores.

Também é preciso mobilizar espaços e profissionais para tratar os possíveis doentes. Hospitais de campanha como o que está em construção no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, precisarão ser acionados em várias grandes cidades.

Recursos como esse precisam ser mobilizados rapidamente, independentemente do número de casos confirmados hoje - isso porque a falta de testes impede um dimensionamento correto do início da propagação da doença. Os R$ 5 bilhões anunciados pelo governo até agora aumentam apenas marginalmente o orçamento federal para a saúde, de R$ 130 bilhões.

O Brasil não pode cair em dois erros. O primeiro é acreditar que não sofrerá o que Itália e Espanha estão sofrendo. Embora tenhamos imposto algumas medidas mais rapidamente do que outros países, estamos longe de ter o monitoramento criado na Coreia. O segundo é esperar demais para dar suporte aos empregos atingidos - ideia que quase descarrilou com a MP publicada no fim de semana e que permitia a suspensão de contratos de trabalho sem qualquer compensação.

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Comentários [ 14 ]

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  • A

    Anderson

    ± 15 horas

    O povo está ferrado enquanto estiver sendo regidos pela ideologia do Bozo, colocando a economia em primeiro lugar, dizendo que é histeria, fantasia, gripinha, fazendo canetaços através de MPs, desrespeitando a câmara, senado, STF e governadores, o Brasil está sem governo, eles estão perdidos, até a Argentina da esquerda vai ajudar a população com 800,00 reais durante a crise, por aqui querem deixar o povo com 200 e sendo afastados do trabalho sem direito a ter dinheiro por quatro meses, até quando os bolsominions irão defender esses loucos?

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  • A

    Anderson

    ± 15 horas

    O povo está ferrado enquanto estiver sendo regidos pela ideologia do Bozo, colocando a economia em primeiro lugar, dizendo que é histeria, fantasia, gripinha, fazendo canetaços através de MPs, desrespeitando a câmara, senado, STF e governadores, o Brasil está sem governo, eles estão perdidos, até a Argentina da esquerda vai ajudar a população com 800,00 reais durante a crise, por aqui querem deixar o povo com 200 e sendo afastados do trabalho sem direito a ter dinheiro por quatro meses, até quando os bolsominions irão defender esses loucos?

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  • H

    Hélio

    ± 18 horas

    A ENTRADA DESSE VIRUS É PELOS AEREOPORTOS, O QUE NÃO VEJO NINGUÉM ENFATIZANDO: MAIOR INCIDÊNCIA NO BRASIL - SÃO PAULO E RIO; MAIOR INCIDÊNCIA NOS EUA - NOVA YORK.

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  • B

    Bellese

    ± 21 horas

    A ação deveria começar com cortes de salário no executivo, legislativo e judiciário. O presidente teria seu salario reduzido assim como todos os deputados e seus assessores. E não vamos nos esquecer do judiciário, esse sim precisava de um bom corte de salários e privilégios !!!

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  • E

    eneida

    ± 23 horas

    E o congresso e judiciário que sangram a nação e ainda fazem tudo para puxar o Brasil para trás vão sofrer algum corte? Diminuir o número de parlamentares e municípios, isso nem pensar. Só a iniciativa privada vai ser penalizada?

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  • E

    EDUARDO SABEDOTTI BREDA

    ± 24 horas

    Parabéns pelo texto. Um adendo é necessário. Professores da rede privada perderão seus empregos porque muitas escolas particulares certamente fecharão suas oortas porque é certo que a inadimplência vai explodir. E os professores públicos que estão em casa, continuarão recebendo salário integral? A arrecadação de impostos vai cair e o custo com a saúde aumentou. A conta nao fecha. Vou pagar essa conta sozinho?

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  • S

    San20

    ± 1 dias

    Isso aí inteligente, vamos cortar salário de médicos, policiais, enfermeiros, demais agentes da saúde, segurança pública etc. etc. etc. e torcer para que vc não pegue o corona ou precise dum desses profissionais; o momento é sério e não de brincadeira.

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  • J

    JP

    ± 1 dias

    O setor público precisa dar sua cota de participação no sacrifício. Precisam ter salários e benefícios reduzidos para ajudar no combate à epidemia. Chega da sociedade arcar sempre com todos os custos.

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  • I

    Ivan S Ruppell Jr

    ± 1 dias

    Bom texto

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  • J

    JOSMAR PORTUGAL VAZ

    ± 1 dias

    Excelente artigo. Fico imaginando e espero que não aconteça o estrago que este vírus vai fazer naquelas favelas do RJ e de SP e outras cidades em menor escala . Não existe , não minha opinião, nada que possa ser feito em maior escala . As casas são extremamente agrupadas e os milhares de becos podem ajudar é muito na proliferação da doença de forma assustadora. Só nos resta rezar e pedir a Deus que proteja esses nossos irmãos.

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  • C

    CSG

    ± 1 dias

    A fase da discussão politica acabou , agora é preciso união , força e trabalho, e reclusão é claro, passado a pandemia será hora de reconstruirmos o país.

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    1 Respostas
    • A

      Anderson

      ± 15 horas

      A discussão política deve ocorrer sempre, ontem quiseram deixar os trabalhadores quatro meses em casa sem ter direito a salário ou ajuda compensatória por parte do governo, hoje esse governo quer ter o direito a não esconder informações da imprensa durante esse período que estamos passando, esse governo é cruel e insano, estamos todos de olhos bem abertos!!! Os panelaços seguem, #forabolsonaro, que esse doido pegue seus filhos e vá pra os EUA se aconselhar com o Trump e Olavo

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  • S

    STF

    ± 2 dias

    E nenhuma redução de salários ou de quadro dos servidores públicos?? Só empregados da iniciativa privada é que vão perder os empregos de novo???

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  • L

    Luiz Henrique Alves de Souza

    ± 2 dias

    Artigo perfeito, da primeira à última letra!

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