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Blog que discute ideias em economia política

Gás barato e outros números estranhos na economia

  • Guido OrgisPor Guido Orgis
  • 09/07/2019 11:06
Carro abastece com gás natural
| Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo/Arquivo

O governo está comemorando o acerto entre a Petrobras e o Cade que vai levar à saída da estatal do mercado de gás natural. Este é um passo na direção certa: vai aumentar a competição e atrair novos investimentos no longo prazo, podendo até reduzir preços ao consumidor. Quanto? Para o ministro da Economia, Paulo Guedes, até 40%.

Não é fácil encontrar evidência de que esse percentual seja de fato possível, pelo menos não no curto prazo. E essa não é uma lacuna incomum em anúncios ligados ao Ministério da Economia. Desde a campanha, vários números colossais divulgados dão uma sensação de "não era bem assim" quando confrontados com a realidade. Para um ministério que vive de números, não é um problema desprezível.

O preço do gás natural no Brasil é dividido em três partes, segundo estudo do ano passado da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério de Minas e Energia (MME): molécula (46%), transporte (13%), distribuição (17%) e impostos (24%). A molécula é o gás em si, cujo preço está ligado ao mercado internacional. De acordo com a EPE, o preço no Brasil é comparável aos mercados europeu e asiático e só seria afetado por um choque de oferta interna que depende de investimentos de longo prazo.

Acredita-se que a saída da Petrobras do transporte e distribuição, que representam 30% do custo do gás, vai aumentar a competição e baixar preços. Não é possível saber quanto - isso depende da amortização de investimentos nas malhas de distribuição e outros fatores que variam de região para região. No geral, porém, haveria uma queda de 50% nas margens das distribuidoras se atingíssemos o patamar da vizinha Colômbia, por exemplo. Seria um avanço, mas não passaria de 15% do preço final.

Ainda faltaria um tanto para os 40%. Ao anunciar esse percentual, o ministro criou a expectativa de que haverá um efeito amplo de mudanças regulatórias (difícil de antecipar) e possivelmente cortes nos impostos, o que não depende só do governo federal. Sobre o produto incidem PIS/Cofins (federal, 9,25%) e ICMS (estadual, de até 25%).

Estimativas realistas e bem documentadas ajudam a balizar expectativas. Há poucas semanas, o ministro da Economia falou que seriam injetados R$ 100 bilhões na economia vindo de compulsórios. Esse número pode até ser viável no médio prazo, mas depende do Banco Central, que é o regulador do setor bancário. E o BC será bem cuidadoso nesse processo de redução dos compulsórios porque o processo pode aumentar a dívida pública - os bancos em um primeiro momento vão manter esses recursos no próprio BC em operações que são registradas como dívida, as compromissadas.

A liberação de compulsório feita em junho foi de R$ 16 bilhões. Não temos como ter certeza de que todo o dinheiro vai virar crédito imediatamente. O BC deve reduzir o valor exigido dos bancos em levas dessa magnitude e é impossível saber até onde a autoridade vai e em que prazo.

Em outro episódio, o Ministério da Economia divulgou um estudo em que estima que serão criados 3,7 milhões de empregos com a medida provisória da liberdade econômica. É o tipo de efeito muito difícil de estimar e o trabalho da Secretaria de Política Econômica é apenas uma regressão feita a partir de uma possível melhora do Brasil em um índice internacional de liberdade econômica. O efeito da MP sobre a nota brasileira nos rankings usados é apenas inferência.

Existem outros números expressivos que agora encaram a realidade. Em abril, Guedes falou em arrecadar até R$ 1trilhão com privatizações - o que incluiria "peixes grandes" como Petrobras e os bancos públicos. Improvável politicamente e diante do ritmo atual: a meta neste ano é vender pouco menos de R$ 80 bilhões em ativo, mas parte significativa é uma combinação de concessões (o que não é uma privatização de empresa) e alienação de subsidiárias de estatais (o que não gera receita para o governo).

Foi dito na campanha que o déficit público público seria zerado neste ano, o que na prática se tornou uma briga para cumprir a meta de déficit de R$ 139 bilhões. Outras ideias ligadas a contas públicas são chegar a 100% de desvinculação do orçamento (hoje a vinculação é de 92%) e zerar a contribuição previdenciária (hoje de 20% para empregadores e até 11% para trabalhadores). Grandes números que estão nas mãos do Congresso.

É preciso deixar claro que o Ministério da Economia tem acertado no conceito geral de liberalizar o Brasil. Foi positivo acelerar o acordo comercial do Mercosul com a União Europeia e as medidas para facilitar a abertura de empresas reduzirão os custos para pequenos empresários. Também houve acerto na tramitação da reforma da Previdência, embora com concessões que no futuro precisarão ser reavaliadas. E as privatizações e concessões são condição necessária à volta do crescimento.

O ponto aqui é que números anunciados importam. Eles criam expectativas e cobranças políticas. É por isso, por exemplo, que bons bancos centrais são enxutos na comunicação. Quanto mais realistas as divulgações do governo, melhores serão os efeitos de antecipação pelo mercado.

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Comentários [ 13 ]

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  • J

    João Gabriel Pereira Da Silva

    ± 4 dias

    Análise correta!

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    • P

      Pedro Silva

      ± 5 dias

      Pessoal, vamos ler e entender a matéria antes de criticar o colunista. Ninguém precisa aceitar as deduções do Ministério sem pensar se de fato procede a informação. Parabéns ao colunista.

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      • P

        Pedro Silva

        ± 5 dias

        Parabéns pela matéria. Colunista foi atrás das informações e deixou claro as razões porque essas estimativas não devem se concretizar nos percentuais "inflados" pela comunicação do Ministério da Economia.

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        • E

          EDUARDO

          ± 5 dias

          Que colunista é esse? GAZETA DO POVO, vocês leem e aprovam esse tipo de reportagem antes de publicar?... não posso acreditar que estou lendo uma coisa dessas, mais desinformado que a Dilma esse senhor chamado Guido Orgis.... COISAS ESTRANHAS é o pensamento desse individuo!

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          1 Respostas
          • P

            Pedro Silva

            ± 5 dias

            Contra argumentos b fundamentados não há deduções. Leia a matéria inteira e entenda pra criticar exatamente o ponto que você discorda.

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        • W

          WILLIAM ROCHA

          ± 5 dias

          Caro colunista Guido, sugiro um estudo seu detalhado dos preços internacionais praticados. Vai aqui algumas dicas: - Mercado internacional pelo centro internacional de pesquisas Statista (procure por Natural Gas Price Outlook 2013-2030). Vai ver o preço USD2,80 EUA e USD6,00 EU / Milhão de BTU, não têm Brasil, então sugiro estudo complementar da FGV, caderno FGV energia Gás Natural - está um pouco desatualizado, já está incluído impostos e distribuição, mas claramente dá para ver a Europa com USD8.00 e Brasil USD16,00. De qualquer maneira como Benchmarking, trabalho em uma Multinacional e os preços do gás no Brasil são muito mais altos que o resto do mundo.

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          • G

            guilherme palma

            ± 5 dias

            Toda vez que o governo acerta você elogia deselogiando, distorcendo para aproximar da catástrofe. Cara, é ridículo.

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            • L

              Lídia Alves de Faria

              ± 5 dias

              Coisas estranhas passam na cabeça desse colunista...

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              • M

                MARCELO APARECIDO INOCENCIO

                ± 5 dias

                Não acrescenta em nada este colunista!

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                • D

                  Diogo

                  ± 5 dias

                  Velho! Para de reclamar!

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                  • M

                    MBP

                    ± 5 dias

                    E aí Guido, vamos torcer para que Paulo Guedes esteja certo? Assim todos ganharemos. O que acha? Vai torcer para que sim? "Tamo junto" ?Mesmo que não consigamos, é melhor ter uma meta, acreditar e perseguí-la, do que não ter ou não tentar. Concordo que seria prudente não gerar expectativa, mas neste momento precisamos de coragem e otimismo!

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                    • L

                      luiz

                      ± 5 dias

                      Unidade de energia, será que a Dilma esta voltando às avessas? Porque joule ou kilowatt é uma commoditie e chega de milagreiros...

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                      • F

                        Frank Santos

                        ± 5 dias

                        Normal de estranhar, mas, é que antes do governo toma lá dá cá, você podia indicar um veterinário pra economia, um gerente de banco pra saúde, um jornalista pra segurança pública, um professor de de história pra infra estrutura... Hoje, graças ao fim do toma lá dá cá, temos profissionais técnicos no comando, simples e normal todos nós estranharmos um economista, como ministro da economia. A população está de olho.

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