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Guilherme Macalossi

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Disputa

A carta de Jair deslegitima Flávio Bolsonaro como líder

O senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro participou nesta terça-feira (7) de audiência pública em Washington sobre o tarifaço ao Brasil (Foto: André Borges/EFE)

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Para onde quer que se observe a única coisa que se constatará na pré-campanha de Flávio Bolsonaro é a crise. Na semana passada, afirmei na coluna que sua candidatura faz “água nas mais variadas frentes”. O mundo político já constatou, e sinaliza isso tomando uma distância prudencial do filho 01 e das desventuras familiares que resultaram na convulsão do PL. O partido está em plena guerra interna, com correntes bolsonaristas se canibalizando ideologicamente.

As baixas se cumulam. Além da Federação União Progressista, que engloba União Brasil e PP, o Republicanos também se afastou de Flávio, negando que tenha fechado apoio na disputa presidencial. Hoje, a probabilidade maior é de que o PL concorra sozinho. Além disso, Flávio contabiliza baixas em palanques estratégicos, como o do Rio de Janeiro.

Agora se acentuou a percepção de que Flávio Bolsonaro, na prática, não existe. O próprio Jair, afinal o toma como mero “porta-voz”. Quem vai mandar de fato se acabar eleito? O pai? O irmão mais novo? Paulo Figueiredo? Valdemar?

Cláudio Castro desistiu de sua candidatura ao Senado depois de envolvido no caso Banco Master. Mais recentemente, Márcio Canella, também candidato ao Senado, foi preso pela PF durante uma operação que investiga lavagem de dinheiro no estado.

Como consequência da divisão e do isolamento crescente, Flávio teve de recorrer novamente ao pai, que lhe entregou uma carta a ser lida de público. “Saudoso do contato com o povo, ao qual devo lealdade, escrevo num momento de decisão para o futuro de todos nós. O momento é de arregaçar as mangas e deixar de lado possíveis diferenças, e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro”, escreveu.

O texto trêmulo e pouco inspirado não ajudou a produzir um fato político de maneira a reverter a atual conjuntura. Até porque tal expediente já fora utilizado no passado recente, também sem efeito. Ao contrário, agora se acentuou a percepção de que Flávio Bolsonaro, na prática, não existe. O próprio Jair, afinal o toma como mero “porta-voz”. Quem vai mandar de fato se acabar eleito? O pai? O irmão mais novo? Paulo Figueiredo? Valdemar?

Carregar o sobrenome famoso pode franquear a Flávio muitos votos, mas não em número suficiente para garantir a vitória, muito menos legitimar a liderança que alguns imaginavam que ele poderia vir a ter. O apelo ao simbolismo de um pai preso e fragilizado pelos problemas de saúde tem cada vez menos impacto prático, e vão ampliando mais o constrangimento do que o percentual de votos.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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