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As muitas conexões de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com Daniel Vorcaro acabaram saindo mais custosas para a imagem do Supremo Tribunal Federal do que o valor do whisky que eles tomaram num evento patrocinado pelo Banco Master em Londres. E isso considerando que a tal degustação de destilados nobres saiu por mais de 3 milhões de reais. O prejuízo reputacional para a corte é incalculável e intangível, se evidenciando nos números recentes dos institutos de pesquisa.
O último levantamento da Quaest mostra que o índice de confiança da população na corte afundou, caindo para 43%, numa trajetória de quedas desde meados de 2023. Na medida inversa, a desconfiança explodiu, num salto de 40% em 2023 para 49% em março de 2026. Um claro reflexo do momento em que, sob olho do furacão, o STF continua se comportando de forma corporativista, mesmo flagrado protagonizando um escândalo que começou no ambiente bancário, mas que se estendeu perigosamente para desmoralizar toda a institucionalidade.
Quem quer que ache a rejeição crescente ao STF é relativa apenas ao espectro oposicionista, estará fazendo uma leitura torta ou ignorante da realidade
Essa visão negativa se desdobra em outros reflexos importantes. 72% dos entrevistados entendem que o STF tem poder demais. Outros 66% afirmaram que candidatos ao Senado devem se comprometer em votar o impeachment de ministros da corte. Lida sob o ponto de vista político, a pesquisa mostra que há uma inclinação crescente da população por colocar alguma forma de aresta no que considera uma influência danosa excessiva do STF. E essa é bandeira identificada com o campo da oposição de direita ao governo.
Ainda que o escândalo do Master não tenha identificação ideológica (pois afeta gente na direita, na esquerda e no Centrão), acabou colando no governo petista. E talvez a percepção dos entrevistados da Quaest ajude a entender a razão disso. Para 59% dos que responderam, o Supremo é aliado do governo Lula. E isso significa que, na cabeça de parte considerável do eleitorado, a corte e o presidente são uma coisa só.
É improvável que a publicidade oficial do governo consiga produzir uma dissociação entre Lula e o STF. Isso por uma série de fatores que incluem as recentes indicações de nomes próximos a ele para configuração da corte, bem como o fato de que Alexandre de Moraes é visto como o responsável pela prisão de Bolsonaro (que teria se revertido em fato positivo para o petista), e pela própria nomeação de Toffoli, que já atou juridicamente para o PT.
Quem quer que ache a rejeição crescente ao STF é relativa apenas ao espectro oposicionista, estará fazendo uma leitura torta ou ignorante da realidade. O caso Master furou a bolha ideológica. Entre eleitores autodesignados “independentes”, 51% dizem não confiar no Supremo. É aquela parte do eleitorado que é fiel da balança para vencer uma eleição. O STF sangra em praça pública, e Lula vem arrasto, com sua busca pela reeleição contaminada pelo caso.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos








