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Guilherme Macalossi

Guilherme Macalossi

Entrevista na Globo

Lula e as fotos desmoralizadoras com a lobista

Roberta Luchsinger com Lula, em 2022, durante um encontro de campanha com advogados e j
Roberta Luchsinger com Lula, em 2022, durante um encontro de campanha com advogados e juristas de esquerda (Foto: Ricardo Stuckert/PT)

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Lula foi mal na entrevista que concedeu à Globo. Não pela incapacidade retórica, não por ter sido encurralado pelos entrevistadores, não por falta de domínio dos tópicos que foram abordados. Diferentemente de Zema, que não sabia o que dizer, e de Caiado, que disse coisas inentendíveis, Lula foi muito claro e assertivo, a ponto de acabar vítima da própria língua.

Questionado se conhecia a lobista Roberta Luchsinger, que é investigada pela Polícia Federal pelos negócios que fazia com seu filho, o presidente foi peremptório: “Não conheço essa moça, nunca vi essa moça na minha vida, nunca conversei com essa moça. Ela nunca esteve próxima de mim”, disse enfaticamente. Mas não era verdade. E o desmentido veio de imediato, na forma de uma profusão de fotos dos dois nas mais variadas situações.

Tivesse Lula sido precavido, antecipando a possibilidade de um encontro fortuito, de uma ocasião em que eventualmente acabou aparecendo ao lado da empresária, talvez não se falasse do assunto. Até porque, pela agenda de um presidente, bem como por seus muitos compromissos, não seria impossível tal fato acontecer. As imagens aqui ganham força não apenas pelo envolvimento dela com Lulinha, mas porque o próprio Lula negou a possibilidade de um dia ter aparecido ao seu lado. Apareceu, e mais de uma vez.

Quando um candidato vai a um programa de tamanha audiência e repercussão quanto esse, o objetivo sempre é pragmático: não perder. Ainda mais quando o resultado da eleição é imprevisível. Zema e Caiado foram mal, mas não perderam nada. Eles nem estão na disputa. Renan Santos foi bem, mas, para ele, qualquer exposição é positiva. Até aqui, só Lula poderia contabilizar um prejuízo político, o que acabou acontecendo quando abriu o flanco para um desmentido dessas proporções.

Não é bom sinal quando o entrevistado precisa explicar o que disse via nota. Tal desmoralização se tornou assunto político capaz de eclipsar tudo o mais que ele tenha dito antes ou depois. Resta a Lula torcer para que a língua de Flávio Bolsonaro seja ainda mais traiçoeira que a sua.

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