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Guilherme Macalossi

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Eleições 2026

Lula e Flávio protagonizam o debate do qual fugiram

Flávio Bolsonaro e Lula levarão suas campanhas ao Rio de Janeiro em 22 de agosto.
Flávio Bolsonaro e Lula protagonizam o debate do qual fugiram (Foto: Fotomontagem/Gazeta do Povo - Fotos: Beto Barata/PL e Ricardo Stuckert/Presidência da República)

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“Quem venceu o debate?” Essa é uma pergunta tão inevitável e manjada quanto errática. Para ser respondida adequadamente, depende de um conhecimento subjetivo da percepção do público que nenhum analista político possui, salvo os que, porventura, tenham capacidade telepática. De modo que tentar nominar vitoriosos e perdedores sempre é bastante impreciso. Com alguma frequência, a visão do público é outra em relação à do jornalista ou analista político. Ainda assim, é possível apresentar argumentos válidos para sustentar se alguém foi bem ou não, independentemente de seu comparecimento ou não.

É inequívoco que o debate presidencial promovido pela Band foi protagonizado pelos ausentes. Lula e Flávio Bolsonaro fizeram um cálculo pragmático de custos e entenderam que ir representava arriscar mais do que fazer qualquer outra coisa. O presidente preferiu o monólogo, concedendo uma entrevista sem contraditório na Record. Já Flávio foi mais tímido, limitando-se a um vídeo em suas redes sociais. Resguardaram-se de, num cenário consolidado, franquear margem para candidatos que precisam desesperadamente de votos.

Lula e Flávio continuam bem na frente, consolidados como líderes das pesquisas.

Renan Santos, do Missão, foi o que tentou aproveitar melhor o espaço concedido pelos faltantes. Usou a retórica impactante associada a uma estratégia performática que fez do palco do debate um verdadeiro programa de auditório. Ficou mais tempo entre os púlpitos destinados a Lula e Flávio do que no seu. Sabendo que os dois não estariam, chegou à emissora portando fraldas com seus nomes.

Oriundo da mobilização política e do debate das redes sociais, Renan produziu fotos, recortes e frames às pencas. Tudo devidamente calculado para impactar, viralizar e tentar resgatar um sentimento de ojeriza ao status quo político que ele descreveu como desenhado para reeleger Lula. E nisso foi bem-sucedido.

Caiado, por sua vez, foi pela linha tradicional, ancorando sua candidatura nas realizações de seus dois mandatos como governador em Goiás. Bateu em Lula e Flávio, mas de uma forma menos enfática. E se sobressaiu ao falar de segurança pública, sendo duro sem o apelo gráfico de um “banho de sangue”, como prometeu Renan Santos.

Talvez o candidato do Missão angarie votos descontentes, principalmente de Romeu Zema, que, inexplicavelmente, resolveu também não comparecer. É improvável, entretanto, que o saldo geral do que se passou no domingo crie uma inversão de perspectiva no quadro eleitoral.

Lula e Flávio continuam bem na frente, consolidados como líderes das pesquisas. A centralidade da disputa entre eles também se evidencia em como, pela ausência, nortearam o direcionamento de todas as manifestações de seus concorrentes. Ironicamente, acabaram protagonizando o debate do qual fugiram.

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