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Ninguém em Brasília pode dizer quem está mais ou menos envolvido com o caso do Banco Master. É inequívoco, entretanto, que o desgaste maior esteja sendo causando a Lula. Há a percepção social, para além da bolha ideológica, de que o governo petista e o Supremo Tribunal Federal são uma coisa só. Como a corte está no olho do furacão, com as condutas de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli sendo questionadas, o desgaste gera efeito cascata, ampliando a avaliação negativa do presidente, que também sofre com a investigação sobre seu filho Lulinha no caso do INSS. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro se limita a ficar em silêncio. Fatura jogando parado e colhe os frutos dos holofotes direcionados aos seus adversários.
Ao contrário da maioria dos petistas, que parecem inertes e alheios aos prejuízos que vão se somando, Lula já soube fazer a leitura do jogo, ainda que tardiamente. Durante o evento de lançamento da pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, o presidente deu o sinal para a militância de que era hora de contra-atacar.
Como uma sombra sobre a disputa eleitoral, o caso do Banco Master virou instrumento de luta política, ainda que todos os lados, em algum nível, tenham tomado parte ou sido envolvidos no maior escândalo bancário e institucional da história
“Vira e mexe, eles estão tentando empurrar nas costas do PT e do governo esse Banco Master. Esse Banco Master é obra, é ovo da serpente do Bolsonaro e do Roberto Campos, ex-presidente do Banco Central”, disse Lula. Em outras palavras: joguem o Master no colo da oposição. “Se a gente não tomar cuidado, vão tentar dizer que somos nós”, completou.
“Esse banco nasceu em 2019. No começo do ano, o ex-presidente do Banco Central, o Ilan [Goldfajn], ou seja, negou o reconhecimento do Banco Master. Quem reconheceu em setembro de 2019 foi o Roberto Campos. E todas as falcatruas foram feitas por ele”, afirmou Lula.
A ilação do petista é puramente eleitoral, já que, até aqui, inexiste apuração envolvendo o ex-presidente Bolsonaro ou Campos Neto. Assim como, de sua parte, Lula poderia também assegurar que tampouco há em relação a ele mesmo. O que o presidente tenta fazer é instar aliados a criar uma narrativa que envolva o governo anterior, diluindo o desgaste que recai exclusivamente sobre ele.
Como uma sombra sobre a disputa eleitoral, o caso do Banco Master virou instrumento de luta política, ainda que todos os lados, em algum nível, tenham tomado parte ou sido envolvidos no maior escândalo bancário e institucional da história do Brasil.
Não havia polarização na teia de influência que Daniel Vorcaro constituiu, muito menos nas festinhas regadas a charutos e uísques caros que patrocinava por aí. E com uma delação premiada sendo articulada com Ministério Público Federal e Polícia Federal, é impossível calcular a abrangência das implicações. O que se sabe é que a “vorcarização” da eleição presidencial veio para ficar.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos








