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O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro
O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro| Foto: EFE/Carlos López

Nicolás Maduro está sedento por guerra. Quer tomar Essequibo, território que representa 75% da Guiana, país pequeno e discreto mas que vem crescendo exponencialmente nos últimos anos por causa da exploração petrolífera ultramarina. Em 2022, o PIB guianense se elevou em 62%. O Fundo Monetário Internacional projeta um crescimento de 38% para 2023. Isso pode ser interrompido se o ditador venezuelano levar a cabo suas ameaças, que vêm causando apreensão e colocam em xeque a estabilidade da América do Sul.

A Exxon Mobil estima que a Guiana tenha mais de 11 bilhões de barris de petróleo em reservas. Ainda que a área ambicionada por Maduro seja alvo de uma disputa centenária, é essa riqueza toda que parece estimular a beligerância do tirano. Devastada pela socialização da economia, a Venezuela enfrenta o colapso absoluto dos serviços essenciais, e, mesmo com a mão de ferro do regime, há uma crescente rejeição na população e um processo eleitoral no horizonte.

Uma campanha militar usada para acender o espírito patriótico e unir a nação é o receituário mais manjado dos caudilhos, dos populistas e dos líderes autoritários em momentos de crise ou de dificuldade. O caso clássico é o da ditadura argentina, quando general Leopoldo Galtieri resolveu empreender a desastrosa e infrutífera tentativa de tomada das ilhas Malvinas, que são parte do Império Britânico. Maduro, ao menos na retórica bélica, parece ir na mesma linha, fazendo valer a máxima de Karl Marx, de que a história se repete, primeiro como tragédia e depois como farsa.

Ao invés de fazer outra falsa simetria, tomando agressor e agredido como iguais, o que o presidente brasileiro deveria fazer era condenar o referendo como uma agressão à Guiana e denunciar a movimentação militar no âmbito internacional cobrando o fim das hostilidades.

O ditador venezuelano conclamou o país a participar de um referendo sobre a questão. Quer que um processo eleitoral fraudado legitime sua insanidade. Durante o domingo, o dia da votação, aviões militares cruzaram o céu de Caracas em formação de “sim”, num ato que mistura campanha descarada com intimidação aos divergentes e opositores. Um mês atrás, o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López foi enfático no desejo de “ir ao combate”. Essas ambições expansionistas não são de hoje. A coluna do colega Leonardo Coutinho fez um excelente retrospecto de movimentações militares anteriores. Antes de voltar suas atenções para a Guiana, o alvo de Maduro era a Colômbia. Mas as provocações, incluindo exercícios militares, não foram adiante. Talvez pelo receio de uma resposta contundente das potencias ocidentais. A tomada de um país menor e militarmente desestruturado envolveria menor risco internacional, ainda que a eventual incursão militar não venha a passar despercebida pelos Estados Unidos e a União Europeia.

Líder regional, o Brasil ainda parece um tanto alheio ao desenrolar da situação. Isso, em grande parte, pela notória simpatia ideológica do governo petista pelo regime bolivariano. Tamanha afinidade fez Maduro ser recebido por Lula em maio com pompas e circunstância. Na oportunidade, o petista chegou a dizer que havia uma “narrativa” contra a Venezuela e que o conceito de democracia era “relativo”.

Em viagem para a Alemanha, Lula comentou a possibilidade de uma guerra na América do Sul. Cobrou bom senso da Venezuela e da Guiana. Da Guiana? O que de insensato fez o país? Quem está questionando o tratado de Genebra de 1966, que estabeleceu as regras para delimitar as reivindicações territoriais, é a ditadura bolivariana.

Ao invés de fazer outra falsa simetria, tomando agressor e agredido como iguais, o que o presidente brasileiro deveria fazer era condenar o referendo como uma agressão à Guiana e denunciar a movimentação militar no âmbito internacional cobrando o fim das hostilidades. Essa pusilanimidade do governo petista serve de incentivo e de combustível para que o tiranete bolivariano aprofunde seus arroubos, o que pode resultar num banho de sangue ao norte do Brasil e sob as barbas de Lula.

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