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Nesta semana vimos mais um episódio de censura que o PT tem tentado praticar contra os seus adversários. O partido entrou com uma representação no TSE contra um vídeo da campanha de Flávio Bolsonaro, solicitando que o vídeo seja retirado do ar e que multas sejam aplicadas ao candidato.
O vídeo divulgado pela campanha de Flávio Bolsonaro mostrava a incoerência de Lula quanto à sua infame promessa de picanha para todos. O vídeo é dividido em duas partes: primeiro apresenta-se Lula, em 2025, afirmando que "a carne vai baixar, vocês podem ter certeza que vocês vão voltar a comer picanha outra vez, porque a carne vai baixar".
As redes sociais obstaculizam as estratégias que a esquerda sempre utilizou para enganar a população: a manipulação da verdade e a reescrita do passado
Em seguida, aparece Lula novamente, agora em 2026, dizendo que "o mercado e as coisas estão caras, eu sei, a carne está cara, o café está caro, o ano passado o ovo estava nas nuvens. Sabe quantos ovos as galinhas brasileiras botam por ano, Olívio Dutra? Você tem noção de quantos ovos as nossas galinhas botam por ano? 60 bilhões de ovos as nossas galinhas botam. 60 bilhões e 99% é consumido aqui no Brasil. Significa que nós gostamos de ovo pra caramba. Se não tem carne, a gente come ovo".
E nesse simples episódio nós temos um excelente resumo de toda a história recente da censura no país. Pode-se ver claramente por que esse partido – e a esquerda em geral – têm apoiado o avanço sobre as nossas liberdades e sobre as redes sociais: com o advento das novas mídias, tornou-se impossível controlar o discurso, não apenas do presente, mas também o do passado.
Em épocas anteriores, podia-se simplesmente anunciar qualquer promessa, inventar qualquer mentira, que o seu período de cobrança duraria apenas enquanto durasse a memória humana; até a eleição seguinte, todo mundo já teria esquecido. Agora não dá mais: agora qualquer pessoa pode visualizar, armazenar, redistribuir e nos fazer lembrar de todas as promessas viciosas e vencidas de qualquer candidato.
Não é à toa que as elites institucionais – as que controlam a mídia, a academia, o Judiciário, e demais instituições – tornaram-se histéricas a partir do advento das redes sociais. Toda nova mídia derruba biombos: ao contribuir para a horizontalização das comunicações, toda nova mídia acaba por tornar mais transparente alguma área da vida que antes era opaca. Antigamente, antes da invenção da televisão, por exemplo, um político poderia ser investigado por corrupção; mas o impacto de uma matéria de televisão que o mostre recebendo malas de dinheiro é muito mais impressionante, e causa maior indignação.
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Da mesma maneira, antes das redes sociais, essas elites institucionais poderiam fazer qualquer tipo de discurso, com qualquer tipo de promessa ou mentira, que no máximo teriam de enfrentar uma oposição domesticada de outros membros dessa mesma elite. Hoje em dia, no entanto, isso se modificou bastante; derrubadas as paredes, as elites agora habitam o mesmo ambiente que qualquer um dos plebeus que antes controlavam.
Com isso, tornou-se possível desafiar a autoridade, rebater argumentos, recuperar promessas de arquivo e demonstrar toda a incoerência dessas elites autoritárias. E é por isso, dentre outros fatores, que essas elites – em sua grande maioria progressistas – perseguem as novas mídias. As redes sociais obstaculizam as estratégias que a esquerda sempre utilizou para enganar a população: a manipulação da verdade e a reescrita do passado.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

Gustavo Maultasch é diplomata e autor do livro "Contra toda Censura: Pequeno Tratado sobre a Liberdade de Expressão", lançado pela Avis Rara. É formado em direito pela UERJ, mestre em diplomacia pelo Instituto Rio Branco e doutor em administração pública pela Universidade de Illinois-Chicago. Foi Network Fellow do Centro de Ética de Harvard (2013-2014). **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



