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Sabe qual é o problema que vocês têm com a esquerda? É que vocês a levam demais a sério. Se vocês começarem a assistir à esquerda menos como política e mais como entretenimento, tudo faria sentido, e vocês iriam apreciar o divertimento que o bolchehipster traz às nossas vidas.
Esta semana foi agitada no mundo da censura progressista. Primeiro a esquerda avançou um projeto de criminalização da misoginia, ao que o progressista celebrou, evidentemente. O projeto prevê punição para condutas muito mal especificadas, como “conduta que exteriorize ódio ou aversão às mulheres” e “tratamento dado à pessoa ou a grupos minoritários que cause constrangimento, humilhação, vergonha, medo ou exposição indevida, e que usualmente não se dispensaria a outros grupos”.
Cadê a esquerda para criticar todas as restrições a discurso de ódio? Por que é que só na hora dos judeus é que a esquerda se lembra de que censura é ruim?
Em seguida, parte da esquerda (liderada pela deputada Tabata Amaral, do PSB/SP) apresentou projeto para especificar condutas que se enquadram como antissemitismo e – vejam só! –, aqui a esquerda entrou em guerra civil. Stalinistas brigando com aqueles outros stalinistas que se acham menos stalinistas (e se chamam de trotskystas).
Os trotskystas queriam incluir judeus como minoria protegida, mas os stalinistas não querem permitir. Mulheres, negros, gays, proletários, trans, todos esses são nossas minorias protegidas; mas onde já se viu proteger judeus? Isso é censura! (Vê-se que Israel realmente faz milagres: faz até esquerdista lembrar que existe liberdade de expressão).
Embora o projeto em si não crie tipos penais – o antissemitismo já é considerado forma de racismo –, é evidente que ele acaba por inovar na área, já que uma nova definição de antissemitismo levará autoridades (e juízes) a novas interpretações sobre as diversas condutas. Então o projeto é ruim e censório mesmo; mas o problema é que todos as outras restrições a discurso de ódio são igualmente ruins e censórias (e é por isso que, se for para devolver na esquerda com a mesma moeda, em trato isonômico, sou a favor desse tipo de projeto, muito embora minha preferência ideal seria pela ampla liberdade de expressão, sem proteção especial a nenhuma minoria).
Cadê a esquerda para criticar todas as restrições a discurso de ódio? Por que é que só na hora dos judeus é que a esquerda se lembra de que censura é ruim?
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E aqui vem uma das lições fundamentais sobre censura: ela nunca é criada para controle da informação, e sim para controle de grupos adversários. Então jamais existirá um regime que, por exemplo, proíba o discurso de ódio de maneira isonômica, equilibrada, honesta. Isso jamais ocorreu e jamais ocorrerá. A criminalização do discurso serve sempre para fundamentar um pretexto que será usado, depois, para perseguir grupos dissidentes. Esse é o objetivo real da censura.
Então a esquerda nem se importa, de verdade, com qualquer minoria; ela apenas usa as minorias “protegidas” para fazer avançar o seu projeto de poder. Tanto é assim que, quando a mulher é de direita e é perseguida por esquerdomachos, aí não existe sororidade. Fala-se muito sobre aumentar a representatividade de negros e mulheres na política, por exemplo, mas quando eles são de direita, aí não contam como diversidade ou representatividade. A diversidade, para a esquerda, é apenas um instrumento para impor a unicidade de pensamento.
A esquerda não defende minorias; ela defende o niilismo, a revolução, o kitsch de se “sambar na cara da sociedade” derrubando “tudo que aí está”. A minoria existe apenas para ser usada e, se ela ousar ter opinião própria contrária à esquerda, descartada quando sem serventia.
É por isso que boa parte da esquerda é contra esse projeto do antissemitismo; para o progressismo, judeus e Israel atualmente são a antítese do Bem, e representam o lado da opressão, do colonialismo, da injustiça. No mundo fanático do neocomunismo, Israel é o arquétipo do Mal; o que, convenhamos, vindo de quem vem, é um baita elogio.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos








