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Gustavo Maultasch

Gustavo Maultasch

Obsessão marxista

Neymarfobia e progressismo

Neymar
Principal nome do futebol brasileiro na atualidade, Neymar é contratado como garoto-propaganda da Above (Foto: Jonathan Campos/Arquivo/Gazeta do Povo)

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A vida poderia ser muito mais fácil para Neymar: bastaria fazer o L, e tudo estaria resolvido; regozijos nas redes, aplauso dos artistas, celebrações nas redações. Já imagino até as manchetes: Neymar fez algo bom? Ele despiora, diz leitor. Perdeu um pênalti? Entenda como isso é bom!

Neymar tornar-se-ia ídolo da imprensa, seria tema de escola de samba, e defendido sempre que cometesse uma gafe; lembra quando ele disse que um árbitro, que lhe pareceu estressado, teria acordado “de chico”? Longe de qualquer misoginia, essa expressão representaria o ápice do empoderamento feminino; Neymar teria reconhecido, com essa frase, a justiça epistêmica em permitir que as mulheres possam ter a liberdade para apresentarem-se socialmente com o humor que lhes aprouver. Possivelmente ganharia, ainda, algum prêmio da ABL e algum título honoris causa de alguma universidade pública.

Quando é com Neymar, os progressistas afetam até preocupação com a moralidade. Com o episódio do 'chico', outro dia, o problema tornou-se a misoginia, coisa completamente inexistente nos discursos ouvidos no futebol e nos estádios

Eu confesso que, com toda a sua carência cognitiva e o seu viés ideológico desinibido, já há muito tempo que havia perdido a confiança no jornalismo do consórcio. Mas sempre achei que me restasse o jornalismo esportivo; o que haveriam de inventar? Como é que – num simples jogo de futebol – a obsessão marxista poder-se-ia manifestar?

Mas evidentemente sempre estará errado aquele que apostar contra a criatividade da esquerda, contra a sua capacidade de se reinventar, e contra a total radicalização do progressismo atual. Em todas as esferas da vida o progressismo busca consolidar a sua hegemonia: na escola, na universidade, no trabalho, na igreja, no clube, no cinema, na música, no futebol, enfim, em absolutamente todas as áreas da vida há progressistas que acreditam que “tudo é política”, e que aquele espaço ali deve ser corrompido em benefício da cosmovisão esquerdista. A moral individual, a ética profissional, a responsabilidade perante o cliente, nada disso deve prevalecer frente ao imperativo da construção revolucionária.

Todos sabemos qual a dinâmica envolvida nas críticas a Neymar: o progressismo significa, sobretudo, a destruição da moralidade tradicional. Em vez de julgar um ato considerando-se as suas circunstâncias, a esquerda julga-o a partir das identidades das pessoas envolvidas. Um pobre roubou um rico? Não há nada de errado, afinal o pobre é uma vítima do capitalismo e da opressão dos contrastes sociais. Um rico roubou um pobre? Aí depende, se o rico for de esquerda e o pobre de direita, é capaz de o esquerdista adjudicar que está tudo certo também.

O problema de Neymar não é apenas ter opiniões contrárias às da hegemonia progressista; o problema é que ele tem um futebol tão, mas tão superior aos demais que, infelizmente, ele obriga os seus críticos a terem-no de aceitar. Essa independência de pensamento, aliada à legitimidade inatacável do seu mérito, é simplesmente insuportável para o esquerdista. E assim, com o meio-campo da discussão perdido, sobram apenas as questões laterais para a imprensa criticar.

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Lembram quando Neymar foi jogar no Al-Hilal? A grande discussão entre os jornalistas bolchehipsters era sobre a correção moral de Neymar em aceitar jogar futebol em um país autoritário. Pode-se aceitar emprego e dinheiro de uma ditadura? Vê-se que, quando é com Neymar, os progressistas afetam até preocupação com a moralidade. Com o episódio do “chico”, outro dia, o problema tornou-se a misoginia, coisa completamente inexistente nos discursos ouvidos no futebol e nos estádios.

Todo jornalista esquerdista, inclusive o de esportes, acha-se um pouco o filósofo da revolução, e daí o comentário esportivo fica parecendo crítica literária feita por universitário de centro acadêmico. E sem ter como criticar o futebol, o sujeito vai para a análise baseada em dialética marxista, náusea sartreana, controle foucaultiano e demais categorias vazias do pensamento progressista. E tudo isso com a mesma maturidade emocional: amargura, ressentimento e revolta de quem gostaria de ver um mundo em que todos pensassem como a esquerda, mas é obrigado a testemunhar a competência superior de quem não se lhes submete.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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