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Poucos meses atrás, um terrível acontecimento marcou para sempre o Clube de Regatas do Flamengo: dez meninos morreram, outros três ficaram feridos, num incêndio no alojamento das categorias de base. A perícia concluiu que um curto-circuito no sistema de ar-condicionado provocou a tragédia.

Eram meninos muito novos, quase crianças, que deixaram a casa para tentar a sorte e o sonho num dos grandes do país. Morreram queimados. Por óbvio não houve intenção dos dirigentes, mas a estrutura não era boa. A responsabilidade é objetiva.

O inacreditável foi o que se seguiu ao evento. Desde então, os resultados financeiros e esportivos empolgaram a torcida, hipnotizaram a imprensa mas não serviram para sensibilizar os cartolas. O Flamengo, dono do maior orçamento do país, gasta milhões de euros enquanto pechincha nas indenizações. Briga na justiça como se a marca, e não os meninos, fosse a principal vítima.

Há alguns dias, os sobreviventes do Ninho do Urubu foram dispensados por deficiência técnica. “Processo natural”, disseram, numa declaração tão ofensiva quanto o esquema tático da equipe. Como se, tendo escapado da morte e perdido amigos, os jogadores tivessem tido tempo suficiente, e maturidade o bastante, para superar a dor e competir em alto nível. O futebol é dinâmico. O show não para. O Maracanã lota.

Nem de longe misturo alho com bugalho, joio com trigo, Zico com Gabigol ou o Flamengo de sempre com o Flamengo de hoje. No entanto é inevitável registrar, rivalidade à parte, que esse time do Jorge Jesus, esse Flamengo que encantou o país em 2019, pode até ser o melhor Flamengo da história. Mas é também o pior Flamengo da história. Triste memória.

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