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Gustavo Nogy

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Uma conversa engazetada

  • Por Gustavo Nogy
  • [16/07/2020] [16:29]
“Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb”, 1964, de Stanley Kubrick.
“Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb”, 1964, de Stanley Kubrick.| Foto:

A jornalista Maria Clara Vieira acaba de chegar à Gazeta do Povo. Trabalhará na editoria Ideias. (Seja muito bem-vinda, MCV!) Semanas atrás, ela me fez algumas perguntas sobre literatura, eu as respondi, mas por essas e outras da vida jornalística o papo acabou numa gaveta. Da gaveta à Gazeta foi só editar.

MCV: Ler é sempre importante. Em tempos de medo, incerteza e isolamento, ler ficção tem alguma relevância, para além da distração?

GN: A ficção (também a poesia) é uma espécie de insanidade artisticamente controlada, que ensina a lidar com a insanidade em sentido estrito. Para além de distrair, e distrai, nos deixa mais atentos. Não atentos como um comentarista político ou econômico precisa ou finge estar atento, o que muitas vezes, falo por mim, pode ser uma ruidosa forma de desatenção.

MCV: Por causa da pandemia, as distopias andam em alta no mercado. Acredita que elas são o subgênero mais recomendado para o momento? Suponho que as reflexões produzidas por uma distopia sejam diferentes das de um épico, por exemplo (não sou grande leitora de distopias).

GN: Não acredito e nem sei se recomendo. Quer dizer: qualquer boa leitura é recomendável. Quem quiser ler os romances e contos distópicos disponíveis, leia. Sou a favor da ideologia de gênero: quer ler poesia? Leia. Quer ler teatro? Leia. Quer ler crônica? Leia. Etc. Mas o fato (ou a impressão?) de que talvez estejamos vivendo (n)uma espécie de distopia me faz considerar que precisamos de uma literatura que aponte outro caminho, mostre outras coisas. A realidade (essa daí, que a gente encontra quando sai à rua) está tão próxima de certos enredos literários que é quase como se lêssemos notícia de anteontem. Que graça tem ler livros sobre a ascensão de um governante biruta se é isso o que lemos no jornal? Que graça tem assistir ao Dr. Strangelove... se eu sou obrigado a assistir às lives do Dr. Bolsonaro?

MCV: Sagas fantásticas são vistas como boas fontes de distração, mas, eventualmente, são acusadas de levar o leitor ao “escapismo”. O que pensa sobre isso?

GN: Toda literatura é escapista. Já ninguém mais deveria acreditar na superstição do realismo. Não existe literatura realista, sentido estrito, porque se o livro literário retratasse fielmente a realidade seria relatório, burocracia, ementa, nunca literatura. O texto de ficção e de poesia recombina dados, alucinações, experiências, lembranças e imaginações para dar ao leitor uma realidade a um só tempo menos e mais real que aquilo que conhecemos vulgarmente como realidade. Além de uma estética, a literatura é também uma prática de conhecimento, uma epistemologia. Se vivo somente a minha vida, vivo uma vida pequena, mesquinha, limitada no tempo, no espaço, na etnia, na educação. Se leio ficção, vivo a vida de Hamlet e Falstaff, de Quixote e Pança, de Ivan Ilitch e Anna Kariênina, de Raskólnikov e Aliócha, de Nafta e Settembrini, de Bouvard e Pécuchet, de Holmes e Watson – e o elenco é ilimitado. Convenhamos, conhecer todos é bem melhor do que conhecer somente a mim mesmo. É nesse sentido que Flaubert dirá, não sem ciúmes: “Bovary sou eu”.

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Comentários [ 4 ]

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  • A

    Admar Luiz

    ± 2 horas

    Atenção leitor, aproveitou algo do distópico GN? Nogy vc vive num paralelo, saia da sua bolha aí isentão? Hoje ele não vai falar mal do Bolsonaro. Aliás, falou sim. Tem uma frase dele lá na entrevista chamando o "Bozo" de Dr Bolsonaro. Será porque ele recomenda um kit de medicamentos baratinho - "Bozo" se tratou com ele, tá? - que previne o COVID-19, que evita internamentos, intubações e consequentemente mortes? Diga aí "Intilictual"?

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  • L

    LUIZ HENRIQUE SOARES RODRIGUES

    ± 5 horas

    Que texto mais pobre, e suas analogias são muito forçadas.

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  • B

    Brasileiro

    ± 11 horas

    Boa reflexão

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  • M

    marcio

    ± 18 horas

    Eu andava angustiado, buscando respostas para minhas dúvidas existenciais e agora o Noginho esclareceu tudo. Depois desta matéria, a minha vida não será mais a mesma.

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