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As notícias recentes sobre o caso do Banco Master revelam mais um capítulo da longa história de escândalos de corrupção no Brasil. Esse tipo de episódio reforça uma percepção recorrente entre os cidadãos brasileiros: a de que a corrupção continua a alcançar diferentes níveis institucionais, não somente com o legislativo e executivo, mas também com o judiciário.
Os novos indícios divulgados pela imprensa, que ainda precisam ser devidamente apurados pelas investigações, sugerem possíveis conexões entre o os desdobramentos do Banco Master com políticos e até ministros do Supremo Tribunal Federal. Mais uma vez, os indícios geram abalos na legitimidade das instituições democráticas brasileiras.
Para muitos cidadãos, cada novo escândalo reforça a percepção de que o princípio do império da lei não se aplica de maneira igual a todos e de que práticas como o clientelismo e as redes de influência continuam desempenhando um papel relevante na política
Esse desgaste institucional não ocorre isoladamente. Ele se soma a uma sequência de acontecimentos que, ao longo dos últimos anos, têm contribuído para fragilizar a confiança pública nas instituições, sobretudo no Judiciário. Para muitos cidadãos, cada novo escândalo reforça a percepção de que o princípio do império da lei não se aplica de maneira igual a todos e de que práticas como o clientelismo e as redes de influência continuam desempenhando um papel relevante na política nacional.
Diante disso, este não deveria ser um momento de celebração ou de disputa narrativa entre grupos políticos. Não se trata de escolher heróis e vilões e defendê-los com unhas e dentes, mas de reconhecer a gravidade das suspeitas e a necessidade de investigações sérias e transparentes.
Mais importante é refletir se esse episódio será apenas mais um entre tantos casos que compõem o ciclo recorrente de escândalos no país ou se poderá gerar alguma resposta institucional capaz de fortalecer mecanismos de transparência e responsabilização, sobretudo de reerguer o Estado de Direito democrático no país.
Esses acontecimentos, infelizmente, não são nada de novo sob o sol. Diante disso, a questão que se coloca é como romper esse ciclo vicioso de escândalos, desgaste institucional e perda de confiança pública?
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O primeiro passo é a responsabilização. Instituições que erram precisam reconhecer suas falhas, apurar os fatos com rigor e garantir que eventuais irregularidades sejam investigadas de forma séria. Mais do que isso, é preciso que haja consequências concretas. Quando abusos não geram punição ou quando sanções são brandas e seletivas, cria-se um ambiente em que o custo de ultrapassar limites institucionais se torna baixo demais. A impunidade, nesse contexto, pode perpetuar práticas problemáticas e dá um sinal perigoso, o de que certos atores estão acima das regras.
Essa responsabilização precisa vir acompanhada também do respeito irrestrito ao devido processo legal. O Estado de Direito democrático está em apuros, isso porque muitos cidadãos hoje convivem com uma sensação crescente de insegurança jurídica. Há quem tenha sofrido perseguições, quem tema arbitrariedades e quem simplesmente não saiba mais quais são os limites claros da atuação institucional.
Para além disso, é fundamental reconhecer também a responsabilidade que recai sobre os próprios cidadãos. A apatia política, o baixo nível de informação sobre o funcionamento das instituições e a escolha de representantes pouco comprometidos com o exercício rigoroso de suas funções, como a realização de sabatinas sérias e fiscalização efetiva, também contribuem para a manutenção desse cenário.
Uma mudança sistêmica no país exige que todas as partes assumam sua parcela de responsabilidade. Não apenas as instituições precisam funcionar com transparência e rigor, mas os cidadãos também devem se engajar de maneira mais ativa e consciente na vida política, inclusive na escolha de seus representantes.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos








