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Cruzes de madeira em frente à prefeitura lembram os 80 ciclistas mortos desde 2009 em Curitiba

  • 30/06/2012 20:16
Cruzes de madeira em frente à prefeitura lembram os 80 ciclistas mortos desde 2009 em Curitiba
| Foto:
Alexandre Costa Nascimento/Ir e Vir de Bike
80 cruzes de madeira foram colocadas em frente à Prefeitura para lembrar os ciclistas que morreram desde 2009

O movimento Bicicletada Curitiba instalou 80 cruzes de madeira em frente ao Palácio 29 de Março, sede da Prefeitura, na manhã deste sábado (30). O ato simbólico foi uma homenagem aos 80 ciclistas mortos nas ruas da cidade desde 2009, dois deles, apenas nesta semana.

Além disso, a ação buscou chamar a atenção da sociedade e do Poder Público para a segurança dos ciclistas e para exigir mais investimentos na infraestrutura cicloviária da cidade, para que mais vidas não se transformem em estatísticas por pura omissão do poder público.

Segundo levantamento feito pelo Ir e Vir de Bike no site da transparência Curitiba Aberta, o Plano Plurianual para o quadriênio 2009-2012 previa o investimento de R$ 8,55 milhões na recuperação e ampliação da rede cicloviária da cidade. Mas, de acordo com as informações da própria Prefeitura, nenhuma centavo destes recursos foram aplicados conforme o planejamento orçamentário.

Convenção partidária

Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
Ciclistas protestaram durante a convenção partidária que lançou o atual prefeito à reeleição

Após o ato, os ciclistas realizaram outro protesto durante a convenção partidária do PSB, PSDB, DEM e PRB, que lançou a candidatura do atual prefeito, Luciano Ducci, à reeleição.

Os manifestantes exigiram que o prefeito de Curitiba execute integralmente o orçamento destinado à área.

Durante a convenção, os ciclistas também entregaram aos políticos presentes uma carta com reivindicações para a melhoria e construção de novas cicliovias e ciclofaixas na cidade.

O presidente da Câmara Municipal, vereador João do Suco (PSDB) se comprometeu a ouvir a demanda dos ciclistas e encaminhá-las ao Executivo. Ainda de acordo com o vereador, a votação da Lei Orçamentária Anual (LOA), no segundo semestre pela Casa, poderá inserir novos recursos para garantir a melhoria da infraestrutura cicloviária da cidade.

Veja o vídeo da Bicicletada

Veja as fotos da Bicicletada

Richa desnecessária

Na saída do evento, o governador Beto Richa (PSDB) ficou irritado com a presença dos ciclistas e gritou, com a cabeça para fora da janela da van que o levava, que “Curitiba é a capital brasileira com mais ciclovias”.

Não, senhor governador. Não é. E vossa excelência, que já foi prefeito desta capital, deveria saber disso. Ou o governador mentiu, na tentativa de, mais uma vez, ludibriar os ciclistas, ou anda muito mal assessorado.

Eis os fatos: a capital paranaense tem 118 quilômetros de infraestrutura cicloviária — dos quais mais de 80% são “passeios compartilhados”. Rio de Janeiro é quem, na verdade, lidera ranking nacional, com uma malha 100% maior, com 240 quilômetros.

Ainda que ostente a vice-liderança no ranking, em termos de qualidade da infraestrutura, Curitiba perde até mesmo para cidades do interior paulista como Santos, Sorocaba ou Pomerode, em Santa Catarina.

Ao contrário da capital fluminense, que adotou o lema “Capital da Bicicleta”, Curitiba sequer é considerada no ranking das 20 cidades mais amigas da bicicleta (bike friendly), elaborado anualmente pelo Instituto Copenhagenize.

Alexandre Costa Nascimento/Ir e Vir de Bike
Ato homenageou as vítimas e cobrou investimentos em infraestrutura cicloviária para evitar que mais ciclistas virem estatísticas

O próprio Conselho da Cidade de Curitiba (Concitiba), ao aprovar o relatório final da Câmara Temática de Mobilidade (CTMob) diz claramente que “é preciso ‘vitaminar’, com aporte de recursos orçamentários, atenções do Município com a existência da rede [cicloviária] atual, sua expansão, ampliando o status do assunto nos órgãos de inteligência e gestão de ciclomobilidade”.

O documento aponta ainda que o Plano Diretor Cicloviário apresentado pelo Ippuc, é incompleto e recomenda o estabelecimento de metas viáveis e seu monitoramento, nos programas e projetos futuros. E ainda dá uma lição: “[a bicicleta] não pode ser apenas lazer. Tem que ser opção de transporte”. Lição essa que, nem o ex-prefeito, nem o atual, conseguiram realizar com sucesso.

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