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Entenda porque as “vaquinhas virtuais” não são boa ideia para Cida, Osmar e Ratinho

  • PorJoão Frey
  • 28/05/2018 09:58
(Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo)
(Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo)| Foto:

Desde que o Congresso Nacional proibiu a doação de empresas para campanhas eleitorais, em 2015, um sistema de financiamento muito bem azeitado caiu por terra. Se isso diminuiu a influência dos interesses privados na representação política – como era esperado – é tema para outra coluna; o fato analisado aqui é que depois dessa vedação os candidatos precisaram buscar novas formas de arrecadar recursos para bancar as campanhas.

Para as eleições de 2018, a solução que está na ponta da língua dos candidatos é arrecadar doações por meio de “vaquinhas virtuais”. A ideia é interessante e certamente é um alento às vocações republicanas. Nada parece funcionar melhor que eleitores engajados financiando os políticos em quem depositam ativamente sua confiança.

Além disso, para o discurso de campanhas que cada vez mais querem se assemelhar à retórica empresarial, o financiamento via crowdfunding cai como luva. É a disputa eleitoral com vocabulário de startup.

LEIA MAIS: TRE barra pesquisa eleitoral a pedido do PP, partido de Cida Borghetti

A se tomar como base as inciativas políticas que têm tido algum sucesso em arrecadar recursos de pessoa física, fica evidente que uma boa dose de engajamento é condição indispensável para os desembolsos. E, por enquanto, quem tem conseguido isso são os candidatos menos moderados; à esquerda e à direita, e também aqueles que se colocam como antítese do político tradicional.

Segundo matéria publicada pelo Estadão, desde que o funcionamento de mecanismos para doação on-line foi liberado, quem mais arrecadou – isso tendo como data de corte o dia 23 de maio – foi o candidato João Amôedo, do Partido Novo. O candidato tem um forte discurso liberal e uma estratégia discursiva marcada pela tônica e cacoetes da gestão privada.

Bolsonaro e o Partido dos Trabalhadores também têm tido sucesso em conseguir o apoio financeiro de seus simpatizantes.

Os petistas têm recorrido a esse expediente há um tempo e assim conseguiram financiar, entre outros atos, viagens de Dilma após a ex-presidente ter sofrido o impeachment e a caravana de Lula pelo Brasil, feita em março deste ano, poucos dias antes de ele ter sido preso.

Já os apoiadores de Bolsonaro têm se cotizado para instalar outdoors de apoio à campanha do deputado em diversas cidades do país, muitas delas no Paraná.

Levando em conta esse cenário em que as doações prosperam e pensando no perfil dos três principais candidatos ao governo do Paraná, é difícil imaginar que algum coordenador de campanha tenha reservado uma linha nas planilhas de Excel para computar receitas vindas de doações feitas por meio das vaquinhas virtuais. É mais provável que as contas de entradas de recursos contem muito mais com os inabaláveis fundos eleitoral e partidário.

Se há alguma posição extremada em Cida Borghetti (PP), Osmar Dias (PDT) e Ratinho Junior (PSD) é a moderação. Nenhum dos três candidatos tem posicionamentos radicais e parecem sempre mais preocupados em modular o discurso para um ponto médio que para algum dos extremos.

Se pelo radicalismo eles não engajam, pela antipolítica, muito menos. Os três têm longa trajetória parlamentar e pertencem a tradicionais grupos políticos do estado.

Outro fator que pode ser visto como um obstáculo à doação individual para os postulantes ao governo do Paraná é o patrimônio dos candidatos. Quem vai se dispor a doar para herdeiros de famílias milionárias? Segundo levantamento feito pelo jornalista Rogério Galindo nesta Gazeta do Povo, o menor patrimônio é o da família Borghetti/Barros, que, em 2014, declarou ter bens equivalentes a R$ 2,6 milhões. Já Osmar Dias, em 2010, declarou ter R$ 5,1 milhões, boa parte oriunda de atividades agropecuárias. Por fim, Ratinho Junior, quando foi candidato a deputado em 2014, declarou ter R$ 7,9 milhões.

Uma possibilidade pouco republicana de se garantir doações de pessoas físicas é recorrer aos servidores comissionados ligados à campanha. O expediente subverte certa nobreza que cerca a ideia de doações individuais, mas não é nenhuma novidade na política paranaense.

Nas eleições municipais de 2016, a primeira após a decisão que proibiu as doações de empresas, era comum encontrar o mesmo nome registrado na base de doadores disponibilizada pelo TSE e na relação de ocupantes de cargos de confiança publicada pelos poderes públicos estaduais e municipais. A medida não é ilegal, mas certamente causa arrepios no sujeito que andava animado com a possibilidade de ver campanhas financiadas diretamente por eleitores engajados.

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