
Ouça este conteúdo
Diante da operação promovida na Venezuela pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que levou à captura do ditador Nicolás Maduro e a seu posterior traslado para um prisão federal em Nova York, a gritaria da esquerda contra a ação americana revela muito sobre as ideias e os valores defendidos pelo grupo.
Enquanto milhões de venezuelanos celebravam a queda do tirano bolivariano, em meio a mensagens de júbilo de líderes da direita e defensores das liberdades em todo o mundo, inclusive no Brasil, representantes da esquerda, como Lula, o PT e sua tropa de choque, que apoiaram Maduro até o fim, saíram da toca para manifestar sua “indignação” e seu “repúdio” à ação de Trump.
Como num jogral bem ensaiado, eles afirmaram que a operação era “inaceitável”, alegando que o presidente “estadunidense”, como gostam de dizer, violou o “direito internacional”, a “soberania” da Venezuela e o princípio da “autodeterminação dos povos”. Não faltaram, porém, as reações mais estapafúrdias à iniciativa de Trump, refletindo de forma emblemática o espírito da militância esquerdista.
Em represália ao “ataque” americano, uma jornalista chegou a defender, por exemplo, um boicote à Copa do Mundo nos EUA, agora em junho.
Para essa turma, pouco importa que Maduro tivesse acabado com a democracia no país e estivesse à frente de um regime que só se mantinha às custas de fraudes eleitorais, do aparelhamento do Judiciário e de assassinatos, prisões arbitrárias e tortura de opositores
Ironizando a reação do grupo, um meme em que um camelô oferecia a manifestantes pró-Maduro com keffiyehs uma bandeira da Venezuela, em troca de uma bandeira da Palestina, viralizou nas redes sociais.
Para essa turma, pouco importa que Maduro tivesse acabado com a democracia no país e estivesse à frente de um regime que só se mantinha às custas de fraudes eleitorais, do aparelhamento do Judiciário e de assassinatos, prisões arbitrárias e tortura de opositores. Nem que ele tivesse ligações com o narcotráfico e houvesse transformado a Venezuela numa cabeça de ponte para a China, a Rússia, o Irã e organizações terroristas como o Hezbollah ampliarem sua influência na América Latina.
Tampouco importa que cerca de oito milhões de venezuelanos ou 20% da população tenham se espalhado pelo mundo em duas décadas, no maior êxodo de que se tem notícia desde a Segundo Guerra Mundial, para fugir da repressão, da miséria e da fome predominantes no país. Nada disso, para eles, parece suficiente para justificar a ação armada promovida por Trump contra Maduro.
Agora, é preciso admitir que, apesar de sua visão sinistra dos acontecimentos, a esquerda pelo menos assume seus pendores claramente. Ninguém pode alegar que não sabe de que lado eles estão. Pior, bem pior, são os dissimulados, aqueles que afirmam “ah, eu não gostava do Maduro, mas acho errado o que o Trump fez; não é dessa forma que se resolvem as coisas”.
Trata-se de um balaio que reúne os “isentões” e o pessoal da social-democracia, do “socialismo democrático” e do que mais se possa chamar de centro-esquerda no Brasil. É gente como o governador gaúcho, Eduardo Leite, um ex-tucano (existe isso?) que migrou para o PSD, tido como opção preferencial do grupo para disputar as eleições presidenciais deste ano; o deputado Aécio Neves, presidente do PSDB; e a deputada Tabata Amaral, do PSB, entre tantos outros da mesma estirpe.
Eles repetem a ladainha da esquerda lulopetista contra Trump, mas, para posar de virtuosos, de “reserva moral da nação”, procuram dizer também que a queda de Maduro deveria se dar democraticamente, como se ele estivesse lá por livre escolha da população e como se fosse possível derrubar ditaduras sanguinárias e regimes autocráticos pelas regras do jogo democrático ou com paus e pedras.
VEJA TAMBÉM:
É provável que, se dependesse dessa galera, os aliados teriam ido negociar a paz com Hitler com um buquê de flores à mão, promovido convescotes diplomáticos com Sadam Hussein, para convencê-lo a deixar o poder no Iraque voluntariamente, e convidado os terroristas do Hamas para uma confraternização em Israel, após os atentados realizados ao país em 7 de outubro de 2023.
Ironicamente, muitos de seus representantes são os mesmos que, por ódio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, passaram pano para as arbitrariedades do ministro Alexandre de Moraes e de alguns de seus colegas do STF (Supremo Tribunal Federal),e que agora, com ele fora do jogo eleitoral, defendem de cara lavada a “volta do país à normalidade” e o respeito aos códigos legais e à Constituição.
Por sua inércia e talvez até por conivência, eles são responsáveis, em boa medida, pela ascensão da extrema-esquerda na região, hoje já em franco refluxo, e por boa parte das mazelas que afligem a América Latina e sua população.
Embora tentem se apresentar como força política independente, na hora h sempre acabam sendo tigrões com a direita e se unindo à esquerda, como aconteceu em 2022 e mesmo em 2018, quando se aliaram ao PT para tentar derrotar Bolsonaro. E como aconteceu agora, no caso da Venezuela, com as críticas à ação de Trump contra Maduro. É difícil imaginar hoje que, até alguns anos atrás, essa turma era considerada “de direita” ou mesmo de centro-direita. Coisas do Brasil.




