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O ser humano, antes de ser uma criatura lógica, é uma criatura emocional. Seu comportamento e o modo como encara a vida decorre de sua personalidade, que é a estrutura de características psicológicas que definem o modo de pensar, sentir e agir da pessoa.
Sobre o comportamento humano nas finanças pessoais, a maneira como cada um ganha, gasta e investe dinheiro é resultado das crenças, princípios e emoções que definem sua visão de mundo e o comportamento em relação ao dinheiro.
Mesmo entre as pessoas de bom nível cultural há aqueles cujas finanças são marcadas por desordem, confusão e dívidas. São pessoas que podem até entender intelectualmente o problema, mas não conseguem lidar emocionalmente com o problema.
Um vício típico de muitas pessoas é o hábito do consumo compulsivo. São consumidores que gastam mais do que podem, compram coisas de que não precisam e, mesmo que seus ganhos sejam insuficientes para pagar seus gastos, eles seguem gastando e fazendo dívidas.
Mesmo entre as pessoas de bom nível cultural há aqueles cujas finanças são marcadas por desordem, confusão e dívidas
Para os portadores desse perfil, mais informação e mais cursos sobre gestão de finanças não resolvem muita coisa, pois o que precisam é de terapia psicológica para identificar o comportamento nocivo, suas causas e as formas de tratamento.
Para quem vive nessa redoma que faz mal à vida e à saúde, o primeiro passo é tomar a decisão firme de se dedicar a um projeto de tratamento e mudança que, mesmo não sendo fácil e rápido, é possível.
Sem o conhecimento e o domínio das emoções prejudiciais, fica difícil controlar os impulsos e gerir bem o dinheiro. Por mais dolorido que seja o processo de “cura”, é possível romper as amarras da mente e erradicar os hábitos ruins, porém desde que se queira.
É antiga a polêmica a respeito da real capacidade do ser humano em mudar e vencer hábitos arraigados em sua personalidade. Psicólogos defendem que, mesmo não sendo fácil, ninguém está condenado a ser escravo de sua mente e seus hábitos pelo resto da vida.
O homem é diferente dos animais porque tem consciência, linguagem e inteligência; logo, tem o poder de discernir entre o bem e o mal, o certo e o errado, o justo e o injusto e outros tantos antônimos, bem como é capaz de enfrentá-los com êxito.
Escapar das armadilhas que a biologia do ser humano impõe sobre os pensamentos, palavras e obras do homem é perfeitamente possível, embora o processo possa ser mais penoso para alguns do que para outros.
Uma área da ação humana bastante estudada atualmente é a relação do indivíduo com o dinheiro e o consumo. Há estudos e orientações interessantes tanto no âmbito da psicologia quanto no âmbito da gestão financeira de nossas vidas, atos e consequências.
O mundo atual passa por crises e transformações profundas que estão levando as pessoas a uma revisão de seus atos e comportamentos. Como exemplo, uma das principais discussões atuais trata da brutal redução da taxa de natalidade e das razões pelas quais a humanidade está tendo poucos filhos.
Sem o conhecimento e o domínio das emoções prejudiciais, fica difícil controlar os impulsos e gerir bem o dinheiro
Hoje, como em geral nas épocas de crise, o momento mundial é indutor de doenças do corpo e da alma. É o caso do desemprego, das dívidas, da falta de perspectivas e de problemas financeiros, que são causadores de depressão, crise em família e dramas pessoais.
Na visão de muitos especialistas, as crises são também oportunidade para mudar, abandonar velhos hábitos ruins e adquirir hábitos novos e bons. Isso é especialmente válido em relação aos hábitos e temas das finanças pessoais.
Tecnicamente é fácil saber que a prudência na gestão das finanças pessoais é instrumento de paz, tranquilidade e bem-estar mental. A questão é saber como fazer que nossa mente dite a mudança de nossos pensamentos e atos para uma vida melhor.
A prudência na gestão das finanças pessoais é instrumento de paz, tranquilidade e bem-estar mental
Certa vez, li que cerca de 30% dos gerentes do Banco do Brasil tinham problemas na gestão de suas finanças pessoais e viviam sob déficits e dívidas, muitos deles como meio de sustentar a imagem de profissional bem-sucedido.
Na época, o Banco do Brasil implantou um programa de educação financeira para seu próprio quadro de pessoal, cujo conteúdo foi tão bom que pessoas fora do banco, especialmente clientes, passaram a demandar o mesmo material e treinamento.
Essas são algumas digressões sobre o tema das finanças pessoais e da educação financeira que, de tão importante para a vida boa e saudável, se tornou um tema necessário a ser incorporado nos programas educacionais e em nossa vida pessoal e familiar.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos








