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Coronavírus deixou pontos turísticos de Roma, na Itália, desertos| Foto: Alberto PIZZOLI / AFP

Dois de fevereiro de 2020: o número de casos de coronavírus no mundo era de 17.391 e as mortes somavam 362. Era uma epidemia basicamente chinesa. Naquele mesmo dia, havia 186 casos confirmados e uma morte fora das fronteiras da China. Com o coração preenchido pelo mais puro espírito socialista, o prefeito de Florença, Dario Nardella, lançou uma campanha para vencer o preconceito. “Abrace um chinês”. Segundo ele, era preciso vencer o preconceito, a exclusão e o terrorismo psicológico.

Cinco dias depois, Nardella e vários outros políticos locais divulgaram que o coronavírus não era contagioso. A Itália ainda não tinha um caso conhecido de contaminação, mas uma bomba estava sendo armada. A de desinformação como ferramenta de populismo.

O governador do Lazio, Nicola Zinganetti, o mesmo que posou ao lado do ex-presidente Lula, e que no início de março teve positivo para o coronavírus, chegou a dizer a barbárie que a melhor forma de combater a enfermidade é socializá-la. Algo na linha quanto mais gente doente melhor. Assim todo mundo fica imune e essa besteira fica no passado.

Prestes a completar um mês de epidemia, a taxa de mortes na Itália por grupo de 100.000 habitantes é 4,7% maior que na China.

O primeiro caso da Itália foi registrado no dia 15 de fevereiro. Em uma semana alcançou 21. Mas ninguém se assombrou. Seguiam dando seus “abraços nos chineses” e confiando no papo maluco de políticos irresponsáveis que ou esconderam a verdade, ou ignoraram as evidências ao ponto de hoje o país, em menos de um mês ter se tornado o segundo colocado no ranking mundial de casos e mortes, atrás apenas da China.

Os italianos cozinharam a questão do coronavírus com a lentidão que pede os seus saborosos molhos de tomate. Mas o timming da maior crise de saúde pública do país vai além da incapacidade política. Os italianos apostaram irresponsavelmente na sorte. Donos de alguns dos principais destinos turísticos do planeta, eles permitiram que o vírus viajasse de volta como um souvenir mórbido para diversas partes do planeta. O caso número 1 do Brasil é da Itália.

Somente uma investigação adequada poderá confirmar o que parece ser o óbvio: os italianos de hoje repetiram o modelo de Marcopolo. Popularizaram uma criação chinesa e a espalharam pelo mundo.

A irresponsabilidade dos políticos italianos está sendo medida em mortes. Enquanto escrevo esta coluna, o número de vítimas fatais era de 1.016. E a curva não dá nenhum sinal de queda. Alguns analistas apostam que os atuais 15.113 casos de contaminação podem até decuplicar.

Se hoje as autoridades italianas se mostraram absolutamente incapazes de lidar com o volume de casos nos hospitais e com os corpos das vítimas, imagine em um cenário de explosão da epidemia?

Nesta semana, a confirmação de que o coronavírus chegou no Palácio do Planalto levou o presidente Jair Bolsonaro a ser testado. O resultado foi negativo. O susto pode ter efeito positivo para o Brasil. Embora tecnicamente o país estivesse lidando bem com a epidemia, parecia não haver um engajamento político suficientemente adequado para questão. Com o vírus passando tão perto, fica difícil negar a realidade assim como, de maneira assassina, fizeram os italianos.

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