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“Ao retirar-se do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), da UNFCCC (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas) e de outras parcerias internacionais vitais, o governo Trump está desfazendo décadas de diplomacia duramente conquistada, tentando debilitar a ciência climática e semeando desconfiança em todo o mundo.”
O lamento de Al Gore, que saiu da vice-presidência dos EUA para tornar-se um dos líderes da agenda climática do “globalismo”, é emblemático da verdadeira litania dos defensores e propagandistas da indústria do catastrofismo climático, em resposta à Ordem Executiva 14.199, emitida pelo presidente Donald Trump, com a qual retirou os EUA de 66 organizações internacionais consideradas contrárias aos interesses do país (vide a coluna anterior).
Com a decisão, Trump aplicou um golpe de realidade devastador na agenda “globalista”.
Pilar central da agenda, o IPCC sofreu um duro golpe com a saída do seu principal financiador, condição, aliás, compartilhada com a maioria das demais entidades abrangidas pela decisão.
Criado em 1988, o IPCC foi concebido para ser o órgão que, alegadamente, representaria a maior autoridade científica mundial sobre as questões climáticas. Desde então, tem sido quase invariavelmente apresentado como o guardião de um suposto “consenso científico” sobre a influência humana no clima do planeta.
As projeções climáticas para até um século apresentadas nos seis relatórios divulgados até agora são tomadas como virtuais certezas científicas, em vez de meros exercícios acadêmicos, como são de fato.
Em 2007, a entidade dividiu com Al Gore o Prêmio Nobel da Paz, o que contribuiu bastante para consolidar a sua imagem como um baluarte de cooperação científica internacional voltada para o bem-estar da humanidade. Não obstante, a imagem não corresponde à realidade, pois o IPCC não representa uma iniciativa científica, mas uma pauta política pré-estabelecida para justificar a agenda da “descarbonização” da economia mundial, que, desde a década de 1980, tem sido o eixo central do movimento ambientalista internacional, cuja meta muito mal disfarçada é limitar a industrialização e o desenvolvimento econômico do planeta aos cerca de 40 países que já atingiram níveis elevados nessa escala.
Desde o seu primeiro relatório, publicado em 1990, o IPCC tem enfatizado o emprego de modelos climatológicos que conferem uma ênfase exagerada ao papel do dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e outros gases de efeito estufa como os principais controladores da dinâmica climática global.
Em contrapartida, subestima larga e deliberadamente a influência de fatores como a atividade solar, a radiação cósmica, as correntes oceânicas e outros, que interagem em uma dinâmica das mais complexas e da qual a ciência ainda está longe de um entendimento firme.
Entre os muitos críticos do IPCC, o eminente climatologista francês Marcel Leroux anotou: “A hipótese sobre a qual se baseia o aquecimento global, particularmente no tocante aos gases de efeito estufa, nunca foi demonstrada de fato; por conseguinte, não existe qualquer prova tangível e inquestionável de que o cenário do IPCC esteja realmente acontecendo. Não houve qualquer avanço desde 1985 [ênfase no original!]!”
VEJA TAMBÉM:
Na mesma tecla bateu o Dr. S. Fred Singer, um dos mais notáveis cientistas atmosféricos do século XX, ele próprio inventor de vários instrumentos de medição utilizados em satélites meteorológicos. Suas palavras: “(...) Desde o início, foi uma empreitada ativista. A sua agenda era justificar o controle das emissões de gases de efeito estufa, especialmente o dióxido de carbono. Consequentemente, os seus relatórios científicos têm enfocado somente as evidências que possam apontar para mudanças climáticas induzidas pelo homem... Desde o começo, o IPCC foi uma entidade política, em vez de científica, com os seus principais cientistas refletindo as posições dos seus governos ou buscando induzir os seus governos a adotar a posição do IPCC. Em particular, um pequeno grupo de ativistas escreveu o altamente importante ‘Sumário para formuladores de políticas’ em cada um dos quatro relatórios do IPCC.”
Se estivessem vivos, tanto Leroux como Singer, certamente se regozijariam ao ver os EUA se retirarem dessa empreitada pseudocientífica
O Brasil tem contribuído com vários integrantes do IPCC. Entre eles, merece destaque o conhecido Dr. Carlos Nobre, sobre quem já escrevi nesta coluna (“Carlos Nobre e as viúvas do catastrofismo climático”, 11/03/2025), o sumo sacerdote do culto apocalíptico do clima no País, com amplo trânsito entre os altos círculos políticos que apostam na ilusória agenda da “potência ambiental”.
Desde a fracassada conferência climática COP 30, em Belém (PA), Nobre tem se empenhado em veicular a sua frustração com a perspectiva de um recuo da agenda catastrofista, que o golpe assestado por Trump tende a amplificar ainda mais. Até o momento, não se conhece qualquer declaração sua a respeito, mas podemos supor que não tenha ficado nada satisfeito.
A propósito, a UNFCCC, organizadora desses convescotes climáticos anuais, também terá que buscar novos patrocinadores após a saída dos EUA.
No meu caso particular, tenho bons motivos para saudar a derrocada dessa fraude pseudocientífica que é o ambientalismo, sobre a qual, à frente da Capax Dei Editora, coescrevi e publiquei vários livros. Entre eles: Máfia Verde: o ambientalismo a serviço do governo mundial, em coautoria com Silvia Palacios e Geraldo Luís Lino; Uma demão de verde, de Elaine Dewar; e A fraude do aquecimento global, de Geraldo Luís Lino (os interessados podem encontrá-los em www.capaxdei.com.br).




