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Os que me acompanham nesta coluna conhecem a expressão “Máfia Verde”, com a qual eu e meus coautores do livro de mesmo nome, cuja primeira edição é de 2001, batizamos o aparato internacional de ONGs ambientalistas-indigenistas e suas redes de apoio que operam contra o desenvolvimento do Brasil e de outros países empenhados em modernizar suas estruturas econômicas.
Na coluna anterior, comentei a atuação de um dos apêndices auxiliares desse aparato, o Ministério Público Federal, notório criador de obstáculos jurídicos “verdes” a todo tipo de atividades produtivas e projetos de infraestrutura, e a perspectiva positiva de que o novo cenário político criado pelas eleições de 4 de outubro possa refrear o seu ímpeto antidesenvolvimentista.
Essa impressão se reforça com as reações do aparato “verde-indígena” aos resultados do pleito, algumas beirando a histeria, como a nota da ONG Climainfo (06/10/2026):
“(...) Avanços conquistados nos últimos anos na agenda de meio ambiente e clima correm risco de serem desperdiçados por um possível governo negacionista, vitaminado por um Legislativo dominado pelos lobbies do agronegócio e da indústria de combustíveis fósseis.
“A proteção da Amazônia é crucial não apenas para os compromissos e objetivos climáticos do Brasil, mas também para o resto do planeta. Um eventual governo de extrema-direita, alinhado aos interesses dos setores mais retrógrados do agronegócio brasileiro, pode ser a pá de cal para os esforços de evitar o colapso da maior floresta tropical do planeta [grifos meus].
Igualmente rápido no gatilho, o climatologista Carlos Nobre, copresidente do Painel Científico para a Amazônia e um dos principais operativos do aparato no país, assinou um breve artigo no jornal Valor Econômico (06/10/2026), advertindo:
“Estamos em um momento em que há um risco muito grande de manutenção ou de aumento do número de políticos eleitos negacionistas em relação às mudanças climáticas. Políticos que apoiam a contínua expansão do agronegócio, o aumento de desmatamento e baixos investimentos na adaptação aos eventos climáticos extremos. No Congresso, já há uma maioria de deputados e senadores, por volta de 60%, que apoiam essas ideias.
“Fizeram o projeto que ficou conhecido como PL da devastação (com novas regras para licenciamento ambiental) e depois outro, que estabelece que não se pode usar imagem de satélite para detectar, imediatamente, onde aconteceu o desmatamento (o projeto diz que não seriam mais permitidas medidas punitivas relacionadas a desmatamento com base apenas em imagens de satélite).”
A referência depreciativa à nova e mais que oportuna Lei Geral do Licenciamento Ambiental denota a enorme contrariedade da “Máfia Verde” com ela, que lhe retirou vários de seus instrumentos de intervenção ativados contra alvos produtivos, entre eles a aplicação de multas ambientais a partir de sensoriamento remoto sem inspeções de campo.
Em 8 de outubro, o Observatório do Clima, ONG “guarda-chuva” que reúne dúzias de entidades integrantes da campanha do catastrofismo climático, divulgou uma nota intitulada “Votar em Bolsonaro é um desastre”, na qual afirma que “uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro representará o colapso da Amazônia, o fim da proteção aos nossos biomas e o abandono de todos os avanços obtidos pelo país na agenda do clima nos últimos anos [grifos meus]”.
Abusando do alarmismo inconsequente e da inteligência alheia, a nota sentencia: “(...) É difícil imaginar alguém pior para conduzir o Brasil nos próximos anos, em que o mundo ultrapassará 1,5ºC de aquecimento e extremos climáticos mortíferos como a seca da Amazônia e as enchentes do Rio Grande do Sul de 2024 virarão lugar-comum.”
Pelo andar da carruagem, o esperneio da “Máfia Verde” tende a subir vários decibéis após o segundo turno da disputa presidencial.

Lorenzo Carrasco é jornalista, presidente do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa) e da Capax Dei Editora. É autor de alguns livros, entre eles: "Conselho Indigenista Missionário: Filho da Mentira" e “Um mundo novo é possível? Doutrina Social, Direito Natural e Multipolaridade”. É também coautor de "Máfia Verde: o ambientalismo a serviço do Governo Mundial" e "A missão da Rússia na mudança de época global", e outros. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



