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O Brasil vive um processo preocupante e cada vez mais evidente de desindustrialização. Enquanto o governo insiste em discursos sobre crescimento, inclusão social e crescimento econômico, o noticiário aponta para uma realidade bem mais sombria: cada vez mais empresas brasileiras têm migrado suas operações para o Paraguai, em uma busca desesperada por custos menores, regras mais simples e menos burocracia. Não se trata de uma migração ideológica, mas de uma decisão de sobrevivência econômica, diante de um ambiente local cada vez mais hostil para o setor produtivo.
Diversas marcas de peso já aderiram ao movimento. Na área têxtil, gigantes como Riachuelo, Lupo, Fiasul e Karsten transferiram parte de suas operações. Na indústria e metalurgia, Ambev, Tramontina e Marcopolo adotaram estratégia similar. JBS, BRF, Kidy e Oxygroup também estão entre as companhias que já buscaram no Paraguai um ambiente mais favorável para a produção.
O principal atrativo do Paraguai é a chamada Lei de Maquila. Ela simplifica brutalmente o ambiente tributário para indústrias exportadoras: permite importar máquinas e insumos sem impostos, cria um imposto único de cerca de 1% sobre o valor da exportação e concede isenção de Imposto de Renda em determinadas condições.
Enquanto o Paraguai oferece um modelo enxuto e transparente, o Brasil vive sob um sistema tributário fragmentado e cumulativo, com ICMS, IPI, PIS, Cofins, ISS, contribuições previdenciárias e uma infinidade de obrigações acessórias, que transformam qualquer atividade produtiva num campo minado fiscal. É um labirinto que sufoca quem produz, uma selva onde o empreendedor passa mais tempo interpretando regras instáveis do que investindo em inovação e expansão.
Grandes empresas são obrigadas a manter departamentos inteiros para compliance fiscal, enfrentando o risco constante de interpretações divergentes e autuações demoradas. Por sua vez, muitas empresas pequenas e médias simplesmente não suportam o peso da burocracia e fecham as portas, empurrando a economia para o atraso.
O eleitor deve refletir se deseja um Brasil com carga tributária sufocante ou um país que favorece a geração de empregos e o empreendedorismo
Como se não bastasse a alta carga tributária, a insegurança jurídica é outro obstáculo à competitividade. A constante mudança de regras, as diferentes interpretações em cada estado, os julgamentos contraditórios e falta de transparência criaram um ambiente onde ninguém consegue planejar com segurança. Para o investidor, o que importa não é apenas o valor que se paga hoje, mas a certeza do que pagará amanhã, e sob quais condições. O Brasil falha miseravelmente nesse quesito, fazendo com que capitais nacionais e estrangeiros prefiram o Paraguai.
A situação se agrava com os custos trabalhistas. Não se trata de negar direitos que protegem milhões de trabalhadores, mas do descompasso entre esses custos e a produtividade praticada. No Brasil, o salário do empregado é apenas uma fração do custo real para o empregador, que arca com contribuições, encargos, benefícios e obrigações legais pesadíssimas. Isso reduz a competitividade da indústria, encarece a produção e atinge diretamente o mercado de trabalho, dificultando a geração de empregos formais.
Esse cenário vem criando um ciclo perverso: quando fábricas fecham ou migram para o Paraguai, levando empregos, arrecadação e desenvolvimento tecnológico, isso enfraquece as cadeias produtivas e reduz a base tributária – o que, por sua vez, faz crescer ainda mais a pressão para aumento de impostos, ou a necessidade de incentivos, aprofundando a crise.
O Paraguai, apesar de muito menor e menos desenvolvido, compreendeu que para atrair produção é preciso oferecer condições favoráveis concretas. A Lei de Maquila criou o ambiente de negócios que o Brasil insiste em não oferecer: simples, transparente e justo. O resultado é que as empresas podem focar no que realmente importa – produção e competitividade – e não na tentativa constante de driblar a burocracia e o sistema tributário. A lógica é pragmática e eficaz: quem oferece menos custos e mais previsibilidade atrai mais investimentos.
Esse tema deveria estar entre as preocupações do eleitor, que em breve decidirá quem governará a partir de 2027. Ele deve refletir se deseja um país que mantém uma carga tributária sufocante e regulações opressivas ou um país que favorece a geração de empregos e um ambiente favorável ao empreendedorismo. Para o Brasil retomar o rumo do desenvolvimento e da justiça social, é imperativo acabar com o “dízimo” tributário que penaliza quem arrisca, inova e produz.









