Publicidade
Convenção do PT na Bahia

Lula pede votos para Jaques Wagner, investigado no caso Master, e critica “baixo nível” do Senado

lula
O presidente Lula pedindo voto ao senador Jaques Wagner (PT-BA), candidato à reeleição e investigado no caso Master. (Foto: Reprodução/YouTube/PT)

Ouça este conteúdo

O presidente Lula pediu neste sábado (1º) votos para a reeleição do senador Jaques Wagner (PT-BA), dois dias depois de o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo de documentos em que a Polícia Federal detalha indícios de que o petista recebeu vantagens econômicas do grupo do Banco Master em troca de atuação política. O material registra ao menos 74 ligações entre Wagner e Augusto Lima, ex-sócio do banco, além de tratativas sobre um apartamento de R$ 2,45 milhões, transferências para uma empresa ligada à família do senador e o uso de aeronaves particulares.

Durante a convenção estadual do PT na Bahia, Lula apresentou Wagner e Rui Costa, ex-ministro-chefe da Casa Civil, como os candidatos da chapa governista ao Senado e pediu explicitamente votos para os dois, embora a legislação eleitoral proíba esse tipo de manifestação antes de 16 de agosto. "Eu preciso de dois votos: neste galego [em referência a Jaques Wagner] e neste companheiro aqui [em referência a Costa]."

Ao defendê-los, Lula elogiou a trajetória de Wagner, afirmou que ele foi "um governador extraordinário" e ainda o chamou de líder do governo no Senado, posto deixado pelo petista em junho, após o avanço da investigação. "O Senado está muito ruim. O Senado está num baixo nível muito grande. E é preciso que a gente tenha gente que tenha maturidade política, que tenha competência política", disse o presidente.

Os documentos revelados nos últimos dias mostram que Wagner e Augusto Lima trocaram ligações entre novembro de 2023 e maio de 2025 que somaram cerca de cinco horas e meia de conversa. A PF destacou a preferência dos dois por chamadas de voz pelo WhatsApp, em vez de mensagens escritas, e relacionou parte dos contatos a assuntos de interesse do Master. Em uma das conversas, Wagner ofereceu seu gabinete no Senado como local protegido e discreto para uma reunião com dirigentes ligados ao banco.

A investigação aponta que Wagner e pessoas de seu núcleo familiar teriam recebido diferentes vantagens econômicas. Entre elas estão um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador, adquirido por meio de fundos e empresas interpostas; uma transferência de R$ 3,5 milhões para a BN Financeira, ligada à família do senador; R$ 66,8 mil em ingressos para shows de Taylor Swift; e ao menos cinco deslocamentos em aeronaves associadas a Augusto Lima ou ao Master. Segundo a PF, as tratativas sobre o apartamento continuaram mesmo depois das prisões de Lima e Daniel Vorcaro, com novas manobras contratuais destinadas a ocultar o negócio.

Os investigadores apuram se os benefícios teriam sido entregues em contrapartida à atuação de Wagner em pautas estratégicas para o grupo financeiro. As suspeitas abrangem a expansão do crédito consignado, a articulação em torno de uma proposta que elevaria de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos e as tratativas para a venda do Master ao BRB.

Wagner foi alvo de buscas em 18 de junho e deixou a liderança do governo no Senado seis dias depois. Ele também foi intimado a prestar depoimento à PF no início de agosto. O senador nega ter recebido propina ou atuado para favorecer o Banco Master, afirma que o apartamento nunca integrou seu patrimônio e diz que as moedas estrangeiras apreendidas em endereços ligados a ele tinham origem lícita. Ele ainda não foi denunciado.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.