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O que revela o ranking da vacinação na América Latina?
| Foto: Reprodução Twitter

A julgar pela cobertura da grande mídia e pela histeria dos políticos da oposição na CPI da Covid, o Brasil está passando vexame no ritmo da vacinação de sua população. É um julgamento até legítimo, e cada um é livre para fazer a avaliação que quiser. Eu também gostaria que o Brasil já tivesse vacinado muito mais gente – a população inteira, se possível.

Mas, por coerência e honestidade intelectual, todos aqueles que criticam o ritmo da vacinação no Brasil – e tomam isso como pretexto para tentar derrubar o governo – deveriam reconhecer publicamente que a grande maioria dos países da América Latina – aí inluídos aqueles governados pela esquerda – está em situação ainda pior.

Ou seja, se as pessoas fossem honestas, se a sua motivação fosse efetivamente salvar mais vidas e não a politização estúpida da tragédia, elas deveriam também torcer pelo impeachment dos presidentes de Venezuela, de Cuba, da Bolívia e de outros países, ainda mais incompetentes e “genocidas” que o brasileiro. Evidentemente, não torcem.

Vamos aos dados, filtrados e coletados há pouco no site OurWorldInData.com:

O gráfico abaixo inclui 19 dos 20 países que compõem a América Latina – não há dados sobre o Haiti, mas é difícil imaginar que este país apareça na parte de cima da tabela. Ele mostra o percentual da população de cada país que já recebeu pelo menos uma dose de alguma vacina, até ontem, 22 de maio.

Atenção: este não é o ranking do número absoluto de pessoas que já receberam pelo uma dose, no qual o Brasil aparece em primeiro lugar, com 41,5 milhões de pessoas já vacinadas. Da mesma forma que no ranking de casos e óbitos, também no ranking da vacinação é necessário pensar em termos percentuais - o que a grande mídia não tem feito.

O que o gráfico mostra?

Primeiro, que o Chile e o Uruguai estão de parabéns. Já vacinaram uma parcela substancial de suas populações - 60,1% e 44,8%, respectivamente. É claro que é mais fácil vacinar mais gente, mais depressa, em países de populações menores, mas isso não muda o fato de que são esses dois países que apresentam os melhores resultados.

(Aqui, contudo é necessário abrir parênteses, porque convém lembrar que, apesar do alto número de pessoas vacinadas, o número de casos e de mortes no Chile permanece elevado, e até mesmo voltando a crescer, conforme demonstra o gráfico abaixo, reproduzido do site Wordometers.info.

Isso é altamente preocupante, por sinalizar que a vacinação em massa, mesmo sendo uma ferramenta indispensável para conter a pandemia de Covid-19, não faz mágica. Já tratei desse assunto, aliás, no artigo “A má notícia que vem do Chile: vacinação não faz mágica”. Fecho parênteses.)

Em terceiro lugar no ranking da vacinação, aparece a República Dominicana, um país com população menor que a da cidade de São Paulo. Em seguida, bem abaixo, vem a Argentina, em quarto lugar, praticamente empatada com o Brasil, em quinto.

Até ontem, segundo os dados do site, a Argentina já tinha vacinado 19,1% da sua população, e o Brasil já tinha vacinado 18,4%. O que mostra que países com governos, políticas públicas, ideologias e estratégias de combate à pandemia muito diferentes podem apresentar os mesmos resultados, na prática.

E isso, por sua vez, mostra que a politização da pandemia é de fato uma estupidez, pois tanto governos de direita quanto de esquerda erraram muito ao longo desse processo, até porque enfrentaram uma tragédia planetária inédita e desconhecida. Ignorar deliberadamente esses dados é apenas sintoma de falta de caráter.

Mas o que dizer dos países governados pela esquerda, ou seja, por gente do bem, pelas únicas pessoas que acreditam na ciência, pelos únicos partidos que se compadecem da população que ainda não foi vacinada?

Pois bem, em Cuba, até ontem, somente 6,5% da população tinha recebido uma dose da vacina (governo cubano genocida!); na Venezuela, 1,1% (governo venezuelano genocida!); na Bolívia, 8,6% (governo boliviano genocida!); na Nicarágua, 2,5% (governo nicaraguense genocida!). Etc.

Conclusão: ou bem se acredita que a América Latina está dominada por governos genocidas – e neste caso, repito, por honestidade intelectual é necessário demonstrar indignação contra todos esses governos, inclusive os de esquerda – ou se assume logo que ninguém está preocupado em salvar vidas, mas tão somente em sabotar e derrubar o governo Bolsonaro.

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