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O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, na portaria do Congresso.
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, na portaria do Congresso.| Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

A segurança não preocupa apenas o Judiciário, como mostrou o blog. As despesas com diárias, passagens aéreas e cartões corporativos dos policiais legislativos que fazem a segurança de um privilegiado grupo de senadores já somam R$ 3,8 milhões desde o início da atual legislatura. Isso sem contar com os mais de R$ 3 milhões gastos com jatinhos da FAB pelos presidentes Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e Davi Alcolumbre (DEM -AP).

Considerando os presidentes da casa, os senadores ameaçados de morte – Marcos do Val (Podemos-ES) e Ângelo Coronel (PSD-BA) – o filho do presidente Jair Bolsonaro, senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), e outras missões eventuais, as despesas com diárias já batem nos R$ 2 milhões. A emissão de passagens aéreas para as equipes de segurança consumiu R$ 1,1 milhão, enquanto os cartões corporativos já somam R$ 713 mil. Desse total, R$ 430 mil foram gastos pelo Serviço de Proteção Presidencial.

O campeão da gastança é o ex-presidente Alcomumbre. Ele torrou R$ 800 mil com diárias para os policiais que fazem a sua segurança nos voos pelo país, mais 317 mil com despesas pagas com cartões corporativos. Os cartões são usados para despesas extras com passagens e locomoções, como aluguel de veículos. Os seus 90 voos da FAB pelo país e pelo mundo custaram R$ 2,4 milhões. Alcolumbre gastou R$ 3,7 milhões com viagens em dois anos como presidente.

Segurança recebe até 17 diárias

O atual presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, é mais comedido. Seus seguranças gastaram até agora R$ 173 mil com diárias e R$ 112 mil com cartões corporativos. Os integrantes das equipes de segurança recebem em média três diárias por viagem. A exceção foi durante o recesso parlamentar de julho, quando três policiais legislativos receberam 10 diárias cada um – ao custo total de R$ 20 mil – para acompanhar o presidente em Belo Horizonte. Mas já gastou R$ 800 com voos em jatinhos da Aeronáutica. Nesse ritmo, vai igualar Alcolumbre.

O ex-presidente não tinha pena dos cofres públicos. No final de dezembro de 2019, foram pagas 88 diárias e 12 seguranças do Senado que acompanharam Alcolumbre num roteiro de visita a obras no Amapá, seu reduto eleitoral. O custo das diárias chegou a R$ 57 mil. No recesso de julho daquele ano, já havia ocorrido outra farra de diárias em Macapá. Seis policiais legislativos receberam de 13 a 17 diárias numa só viagem. No ano passado, participou da campanha eleitoral do irmão a prefeito de Macapá.

O então presidente do Senado Davi Alcolumbre visitando obras em Macapá - Reprodução/Facebook
O então presidente do Senado Davi Alcolumbre visitando obras em Macapá - Reprodução/Facebook

O Senado também se preocupa com a segurança do prédio na Esplanada dos Ministérios e com as residências dos senadores. O contrato para de serviços vigilância armada e desarmada no edifício sede, na residência oficial do presidente do Senado na Península dos Ministros e nos três blocos de apartamentos funcionais ocupados pelos senadores na Asa Sul custa R$ 24 milhões por ano aos cofres públicos.

Os senadores ameaçados

Dois senadores contam com escolta policial permanentemente. As maiores despesas foram feitas por Marcos do Val, que foi alvo de ameaças quando assumiu a relatoria do pacote anticrime. Sua equipe de segurança já recebeu 1.160 diárias, no valor total de R$ 806 mil. Não é possível identificar os gastos com passagens e cartões corporativos por senador.

Nos últimos dois anos, o número médio de diárias pagas aos seguranças do senador do Val é de sete. Mas há alguns casos extremos. Em 6 de outubro de 2020, por exemplo, cada um dos dois policiais recebeu 14 diárias, num gasto total de R$ 18 mil. Em 18 de junho do mesmo ano de 2020, as 29 diárias pagas a dois policiais custaram R$ 18,7 mil. Em 17 de dezembro, três seguranças receberam um total de 30 diárias, no valor de R$ 20 mil. Um deles levou 17 diárias no valor de R$ 11 mil.

As despesas com diárias dos policiais que acompanham Ângelo Coronel já somam R$ 546 mil. O número médio de diárias é de sete e também chega a 17 numa única viagem. Em 1º de outubro do ano passado, as 28 diárias pagas a dois seguranças custaram R$ 18 mil. Um deles recebeu 17 diárias.  Em 5 de novembro, as 29 diárias pagas a três policiais custaram R$ 18,7 mil.

O blog questionou os dois senadores por que foram necessárias viagens com mais de suas semanas de duração com a presença de seguranças. Também questionou se os constantes deslocamento em aviões, a maior parte durante a pandemia da Covid-19, não colocaram em risco a vida dos policiais legislativos e dos próprios senadores. Solicitou ainda esclarecimentos sobra as ameaças feitas aos senadores.

Os dois gabinetes dos senadores responderam que os assuntos referentes à escolta policial dos senadores são respondidos pelo Serviço de Policiamento (SPOL), unidade que realiza a proteção de autoridades. Ressaltaram ainda que “há informações cuja sensibilidade demanda a restrição dos dados, pela própria natureza da atividade de proteção policial”.

O filho do presidente roda o mundo

Como filho do presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro tem direito a escolta policial permanente, como acontece com todos os familiares de presidentes da República. A proteção é feita normalmente pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI), mas um acordo entre o Senado e a GSI transferiu a tarefa para a Polícia do Senado.

Em junho deste ano, o senador Flávio esteve em Washington e Nova Iorque participando da comitiva do ministro das comunicações, Fábio Faria, com o objetivo de verificar modelos de redes privativas de comunicação. Nessa viagem, o policial legislativo Bruno Ribeiro Fonseca recebeu seis diárias no valor total de R$ 13 mil na “missão oficial de segurança de autoridade”.

Flávio fez viagens pelo mundo protegido por seguranças do Senado. Esteve em Tel Aviv (Israel) por uma semana em outubro de 2019, acompanhado do policial Bruno Fonseca, chefe da sua equipe de segurança. As cinco diárias do senador custaram R$ 8,7 mil. Bruno recebeu R$ 13,9 mil por oito diárias mais R$ 8,8 mil pelas passagens.

Bruno também esteve na China, de 14 a 23 de setembro daquele ano, em missão oficial de proteção ao senador Flávio. As 10 diárias custaram R$ 17 mil. As passagens dos dois foram pagas pelos organizadores do evento.

Fórmula 1, férias em Nova Iorque

Flávio também esteve em Abu Dhabi, no final de novembro, supostamente para negociar o retorno do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 para o Rio de Janeiro. Levou informações sobre a construção do autódromo em Deodoro (RJ). E aproveitou para assistir a última corrida do ano, vencida por Lewis Hamilton. Viajou a convite dos organizadores do evento. Bruno esteve na missão de “proteção de parlamentar” em Abu Dhabi. As despesas ficaram em R$ 10,8 mil com seis diárias e R$ 10,2 mil com passagens.

O senador Flávio Bolsonaro posa para foto com o CEO da Fórmula 1, Chase Carey - Reprodução/Facebook
O senador Flávio Bolsonaro posa para foto com o CEO da Fórmula 1, Chase Carey - Reprodução/Facebook

Nos registros do Senado, o chefe da segurança também declarou ter recebido R$ 40 mil por 23 diárias em “missão oficial de proteção de parlamentar”, de 21 de dezembro de 2019 a 12 de janeiro de 2020, em Nova York. Ele gastou mais R$ 24 mil com passagens para esse evento. Procurado pelo blog, o senador respondeu que viajou de férias durante o recesso. Por isso, não utilizou passagens nem recebeu diárias do Senado. Mas as despesas do policial legislativo somaram R$ 64,4 mil.

A gastança em Noronha

Mas Flávio também fez turismo pelo país no ano passado. Esteve duas vezes em Fernando de Noronha. No final de fevereiro, a despesa com os dois seguranças chegou a R$ 11 mil em passagens e diárias. O senador passeou de barco com amigos, visitou os principais pontos turísticos do arquipélago e postou nas redes sociais uma foto segurando uma cavala recém pescada, para estimular a “pesca esportiva”.

Retornou no feriado de Finados, acompanhado da mulher, Fernanda Antunes. O deslocamento dos policiais legislativos que fizeram a escolta do senador custou mais R$ 18 mil aos cofres públicos em diárias e passagens. Os policiais Bruno Ribeiro Fonseca e Leonardo Rocha dos Santos receberam seis diárias – cada um – no valor total de R$ 6,5 mil, mais R$ 11,2 mil em passagens aéreas.

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