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Ministros e procuradores do Tribunal de Contas da União (TCU) recebem até quatro tetos remuneratórios. O valor atual do teto, por lei, é R$ 46.366. Em janeiro, o ministro Augusto Nardes recebeu R$ 203 mil. Além da remuneração bruta de R$ 44 mil, recebeu o mesmo valor em “férias indenizadas”, além de outros penduricalhos, como ressarcimento de assistência médica, abono de férias e “outras vantagens”. A transparência é escassa.
As despesas, pagas pelo contribuinte, são elevadas. Só as férias indenizadas custaram R$ 2 milhões entre janeiro e junho. As “outras vantagens indenizatórias” somaram R$ 2,5 milhões, enquanto o ressarcimento de assistência médica ultrapassou R$ 1 milhão. A soma dos penduricalhos supera a remuneração bruta, que consumiu R$ 4,7 milhões no período. Trata-se do órgão responsável pela fiscalização das contas públicas. O TCU poderia, ao menos, melhorar a transparência desses gastos.
O TCU não informa o que compõe essas “vantagens indenizatórias”, mas um ponto é certo: quem paga a conta é o contribuinte. Em maio, houve o pagamento de R$ 350 mil a um grupo de ministros, com média de R$ 44 mil para cada um, na rubrica “indenização de férias”.
Os detalhes da gastança
Em seis meses, o ministro Augusto Nardes recebeu valores ainda mais elevados. Sua remuneração bruta somou R$ 264 mil. As férias indenizadas chegaram a R$ 177,6 mil; as “outras vantagens”, a R$ 130 mil; e o ressarcimento de assistência médica, a R$ 93 mil.
Nardes não é caso isolado. O ministro Augusto Sherman recebeu R$ 600 mil no primeiro semestre, sendo R$ 124 mil em “outras vantagens indenizatórias”. Benjamin Zymler recebeu R$ 761 mil, dos quais R$ 220 mil em férias indenizadas. A subprocuradora Cristina Machado totalizou R$ 674 mil, com R$ 169 mil em outras vantagens indenizatórias. O procurador Júlio Marcelo recebeu R$ 151 mil em verbas indenizatórias. Já o ministro-substituto Marcos Bemquerer recebeu R$ 209 mil em férias indenizadas e R$ 129 mil em “outras vantagens indenizatórias”.
O subprocurador-geral Paulo Bugarin recebeu R$ 706 mil, sendo R$ 164 mil em “outras vantagens indenizatórias”. O ministro Walton Alencar recebeu R$ 788 mil, dos quais R$ 220 mil em férias indenizadas, R$ 136 mil em “outras vantagens indenizatórias” e R$ 82 mil em ressarcimento de assistência médica.

Lúcio Vaz é jornalista. Cobre política em Brasília há 40 anos, revelando a corrupção nos três poderes. Com passagens por O Globo, Folha de S. Paulo e Correio Braziliense. Ganhou os prêmios Embratel e Latinoamericano de Jornalismo Investigativo ao descobrir a Máfia dos Sanguessugas. É autor dos livros "A Ética da Malandragem - no submundo do Congresso" e "Sanguessugas do Brasil". **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.




