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Senadores fazem viagens luxuosas para Paris, Nova Iorque e Tóquio. Adivinha quem pagou a conta?

  • PorLúcio Vaz
  • 19/02/2018 21:51
Isac Nóbrega/PR
Isac Nóbrega/PR| Foto:

Apenas dois senadores gastaram R$ 800 mil com viagens pelo mundo nos três últimos anos. O senador Gladson Cameli (PP-AC) consumiu R$ 48 mil – em valores atualizados – com passagens de ida e volta para a Conferência Mundial de Jovens Parlamentares, no Japão, em 2015. Ele fez também a viagem mais cara, no valor de R$ 57 mil, incluindo passagens e diárias, para a República Checa. O senador Ciro Nogueira (PP-PI) gastou R$ 28 mil com passagens para fazer parte do workshop “Consumo Inteligente e Responsável de Bebidas Alcoólicas” nos Estados Unidos, em 2016.

Mas a viagem mais cara de Nogueira – R$ 48 mil – foi para o Vietnã, onde participou da 132ª Assembleia da União Interparlamentar. Na mesma “missão”, Cameli gastou R$ 51 mil – tudo em valores atualizados. Juntos, os dois torraram mais dinheiro do que os 81 senadores gastaram com “missões oficiais” no ano passado – R$ 770 mil –, quando também lideraram a gastança.

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Um detalhe curioso: Cameli, de 39 anos, e Nogueira, de 49 anos, foram companheiros de viagem em seis eventos em três continentes. Entre eles o Parlamento de Jovens Parlamentares no Canadá, no ano passado. Também viajaram juntos para Paris, Nova Iorque e Genebra. Em junho do ano passado, ficaram dez dias na capital francesa para um evento de dois dias. Cada um recebeu quatro diárias.

Não há um preço de tabela a ser seguido. O custo e o luxo da viagem são uma escolha do parlamentar. Assim, um voo para São Petesburgo (Rússia), onde foi realizado o Fórum Parlamentar do Brics no ano passado, pode custar R$ 27,8 mil, como aconteceu com Cameli; ou R$ 6,6 mil, no caso do senador Jorge Viana (PT-AC), que esteve no mesmo evento. Uma viagem para os Estados Unidos pode sair por R$ 28 mil ou apenas R$ 5,2 mil.

Campeões de gastos

No ano passado, Nogueira liderou o ranking da gastança. Foram R$ 98 mil, sendo R$ 73 mil com passagens. Nesses valores estão incluídos, porém, as despesas de R$ 33,7 mil com o workshop sobre bebidas alcoólicas em Washington, ocorrido no final de 2016. Cameli gastou R$ 94 mil. Nos dois anos anteriores, o senador acreano consumiu ainda mais – R$ 139 mil em 2016 e R$ 206 mil em 2015.

Em terceiro lugar no ano passado ficou o senador Roberto Requião (PMDB-PR), com gastos de R$ 63 mil. Boa parte – R$ 27 mil – foi consumida em viagens ao Parlamento do Mercosul, em Montevidéu (Uruguai), que tem o senador paranaense como integrante da Mesa Diretora. A viagem mais longa dele foi para Florença (Itália), onde participou da sessão do Parlamento Euro-Latinoamericano (Eurolat). Requião recebeu cinco diárias para três dias de evento, mas deu uma esticadinha e permaneceu na Itália de 17 a 26 de maio.

Alguns senadores têm preferência por feiras de tecnologia. O senador Jorge Viana (PT-AC) esteve em Barcelona para participar da GSMA Mobile World Congress, sobre novas tecnologias para celulares. Recebeu cinco diárias para cinco dias de evento. A passagem custou R$ 3,4 mil. Despesa total: R$ 10 mil.

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Os senadores Vicentinho Alves (PR-TO) e José Maranhão (PMDB-PB) participaram da Sun’n Fun Internacional Fly, em Lakeland, na Flórida (EUA). O convite para o evento anunciava equipamentos de voo e eletrônicos, exibição de aviões militares clássicos da Segunda Guerra Mundial, oficinas e fóruns educacionais e “rotinas noturnas de acrobacias aéreas e fogos de artifício”. Os dois justificaram a viagem pela necessidade de troca de experiência para a elaboração do novo Código Brasileiro de Aeronáutica. Custo das diárias de ambos: R$ 12 mil.

A viagem mais longa em 2017 foi feita pelo senador Wellington Fagundes (PR-MT). Ele recebeu R$ 21,6 mil por 16 diárias numa “visita técnica” à Rússia para contatos com operadores ferroviários, hidroviários, industriais e estaleiros a convite do embaixador daquele país no Brasil. As passagens de Fagundes foram pagas pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja).

O senador Hélio José (PROS-DF) recebeu 15 diárias no valor de R$ 21 mil em visita às repúblicas da Sérvia e de Montenegro, a convite do embaixador do Brasil em Belgrado. Roberto Rocha (PSDB-MA) recebeu R$ 14 mil em diárias para uma viagem “oficial institucional” a Estocolmo (Suécia), Sevilha (Espanha) e Paris (França).

Na viagem a Nova Iorque para a Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável, o senador José Medeiros (PODE-MT) recebeu cinco diárias no valor de R$ 7 mil e gastou mais R$ 16 mil com passagens. Questionado pela reportagem, informou que o valor inclui a passagem do senador e de um assessor que o acompanhou na missão oficial.

Viagens esticadas no exterior

Nas viagens internacionais, os senadores recebem diárias correspondentes aos dias do evento, mais os dias de partida e de chegada. Assim, uma viagem com um dia de evento oficial no Parlamento do Mercosul, por exemplo, rende três diárias – algo em torno de R$ 3,5 mil. Mas alguns senadores esticam um pouco a estada.

O senador Humberto Costa (PT-PE) partiu para Montevidéu numa sexta-feira, dia 24 de março, para uma reunião do Parlasul na segunda-feira. No domingo, houve reunião preparatório da bancada progressista do Mercosul. Ele recebeu quatro diárias no valor de R$ 4,5 mil.

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A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) participou de uma mesa redonda do WIP G20 sobre Políticas para um Futuro Digital, nos dias 5 e 6 de abril em Dusseldorf (Alemanha). Recebeu quatro diárias no valor de R$ 5,5 mil, mas permaneceu por nove dias na Alemanha.

A participação da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) na reunião do Grupo de Parlamentares da América Latina e do Caribe, em São Petesburgo, na Rússia, durante seis dias, em outubro do ano passado, resultou no pagamento de 10 diárias no valor de R$ 13,5 mil. Mas ela permaneceu 14 dias naquele país.

“Para melhorar a mobilização de jovens”

O gabinete do senador Cameli não comentou sobre a compra de passagens mais caras, quando outros senadores gastam até um quarto do preço no mesmo trajeto. Questionada sobre a pauta da Conferência de Jovens Parlamentares, a assessoria afirmou: “participamos da conferência para buscar soluções para melhorar a mobilização de jovens líderes de diversas origens para o empreendimento de debates e apresentação de estratégias necessárias e inovadoras”.

Ciro Nogueira foi questionado desde a última quinta-feira (15) sobre os gastos com passagens e também se o valor inclui bilhetes para assessores do gabinete. Ele não respondeu a nenhum dos questionamentos até a publicação desta reportagem.

A assessoria de Gleisi afirmou que ela foi convidada a participar do WIP G20 na condição de presidenta da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Em relação aos dias excedentes ao evento, disse que foram dedicados a atividades pessoais, custeadas com recursos próprios.

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Segundo a assessoria de Vicentinho Alves, “a tradicional Convenção Sun ‘n Fun não é um evento que se resume à apresentação de acrobacias aéreas. A convenção foca na aviação de pequeno porte, nas inovações e no futuro da aviação civil. Fomos convidados na condição de presidente da Comissão de Reforma do Código Brasileiro de Aeronáutica, bem como o senador José Maranhão, relator da proposta de reforma do CBA”.

Os dois senadores tiveram reuniões com o vice-presidente da Associação de Aviadores Experimentais, Patrick Phillips. “Tivemos uma ampla visão, por parte do usuário, de como é a legislação americana e de como o aviador é tratado. A visão do aeronauta foi o maior ganho que tivemos com a missão”, diz nota do gabinete.

A assessoria de Jorge Viana justificou a presença dele na GSMA Mobile World Congress assim: “infraestrutura e telecomunicações figuram entre os temas diretamente ligados ao mandato do parlamentar, junto com meio ambiente, mudanças climáticas e defesa da Amazônia. Natural, portanto, o interesse do senador Jorge Viana para acompanhar o mais importante congresso do setor em Barcelona, na Espanha. Viana foi em 2017 o relator da política nacional de banda larga e internet no Brasil”.

“Para que venham participar da licitação”

Wellington Fagundes relatou na tribuna do Senado os ensinamentos colhidos na viagem à Rússia: “no tocante à logística, tivemos a oportunidade de conhecer as alternativas de navegação no interior daquele país. Conseguimos ver e aprender como é feita a gestão das hidrovias, controles de tráfego, dragagens, sinalizações das vias e deques flutuantes”.

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Fagundes destacou ainda que a empresa Russian Railways “é uma das maiores concorrentes na concessão da Ferrovia Norte-Sul, no trecho entre Porto Nacional e Estrela d’Oeste. Nós fomos até lá exatamente para incentivar que eles venham participar da licitação. Aliás, a viabilização da Ferronorte está exatamente na produção de Mato Grosso”.

Vanessa Grazziotin afirmou, por meio da assessoria, que a viagem à Rússia foi realizada com ônus parcial do Senado, que pagou as diárias. Ela pagou as passagens. Disse que foram pagas dez diárias referentes aos dois dias de deslocamento da ida até São Petesburgo, os seis dias do encontro e os dois dias de deslocamento de volta. “O restante dos dias, onde a senadora realizou atividades partidárias, não houve pagamento de diárias, nem custo aos cofres públicos”, diz nota da assessoria. “Nesses dias, foram realizadas atividades partidárias de contato com parlamentares de diversos países.”

Sobre a viagem a Montevidéu, a assessoria de Humberto Costa afirmou que a partida, iniciada na sexta e findada no sábado, deu-se de acordo com a melhor relação “disponibilidade de voo/preço” para que o senador lá estivesse antes do domingo. O voo se deu em classe econômica.

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