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O ministro Alexandre de Moraes não desiste. Ele quer porque quer censurar as redes sociais. E, como sempre, é para “defender a democracia”. Não importa o quanto as nossas leis protejam as liberdades – de expressão, de manifestação, de imprensa –, Moraes realmente se acha acima do bem e do mal. Suas ideias e suas opiniões devem ter o poder de mudar o Brasil, talvez o mundo... E ele expressou seu desejo maior, quando disse, em 2024, que “na virada do século não havia redes sociais; éramos felizes e não sabíamos”.
Não há nada em Moraes que lembre um defensor das liberdades, da democracia. Ele é tirânico por inteiro. Como a reação a tudo de errado que ele diz e faz não vem, a cada dia a tirania avança. Esta semana, ele soltou mais uma: “existe um planejamento por trás das redes sociais que corrompe a democracia”. Claro, não é uma guerra contra todos que estão nas mídias digitais. Os alvos são aqueles que falam e escrevem o que Moraes não quer ouvir nem ler e que, para irritação do ministro, têm “mais audiência do que o Jornal Nacional”.
Alexandre de Moraes quer permitir a atuação apenas de pessoas e veículos que passem a “verdade” que ele estabelecer
O magistrado finge que foram as redes sociais que desacreditaram a mídia tradicional. Não, os veículos estabelecidos há muitos anos, eles próprios se destruíram. O papel das redes sociais foi apenas apontar que há jornalistas maculados desde que o mundo é mundo, em todo canto, inclusive em jornais e emissoras de televisão que tinham o monopólio da informação, que eram “os donos da verdade”. Se a imprensa, de um modo geral, não tivesse abandonado princípios e interesses jornalísticos, as mídias digitais não teriam esse papel de ser um contraponto a ela.
Não foi a internet que inventou a mentira, não foi a internet que inventou a notícia falsa, que implementou ruídos na informação jornalística. Isso sempre existiu. Moraes tenta ignorar os fatos. Para ele, “influenciadores e jornalistas independentes não sabem de nada”. Do alto da sua democracia relativa, ele quer que todo mundo só possa assistir ao Jornal Nacional e ler a Folha de S.Paulo... Até, claro, que esses veículos também lhe desagradem.
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O tirano quer definir o que é verdade e o que é mentira, porque o povo, pobrezinho, ele não tem essa capacidade. E ele finge que não há leis que nos protegem contra calúnia, injúria e difamação... O ministro quer permitir a atuação apenas de pessoas e veículos que passem a “verdade” que ele estabelecer. Enxergar em comportamento assim algo de democrático é sinal de loucura, ou malícia, ou perversidade. Moraes, em suma, é quase tudo o que ele enxerga nas redes sociais, que o ministro acusa de terem criado uma “religião fanática baseada na lavagem cerebral”. O todo-poderoso, no caso, é dado a muitos sacrilégios.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Luís Ernesto Lacombe é jornalista há 37 anos. Trabalhou nas principais emissoras de televisão do Brasil. Recebeu o Troféu Imprensa e, por duas vezes, o Prêmio Comunique-se. Hoje, comanda a Revista Timeline e produz conteúdo para suas redes sociais, que reúnem quase 10 milhões de pessoas. É autor best-seller, com cinco livros publicados, de gêneros variados: poesia, literatura, romance e crônica. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



