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“Daqui não saio, daqui ninguém me tira”... Essa é uma marchinha de carnaval de 1949. Dias Toffoli e Alexandre de Moraes nem precisam de dias de folia para cantarolar esse refrão. Eles não deveriam nem ter sido aprovados para o Supremo Tribunal Federal, mas, no país do pão e circo, foram... Num samba de breque, numa paradinha para o bom-senso passar, já deveriam ter sido afastados há muito tempo. Não fossem os “reis da folia” Rodrigo Pacheco e Davi Alcolumbre, que, num revezamento obsceno, fizeram questão de atravessar o samba, destruir a cadência e entregar o país a um “zero, nota zero!”.
“Quanto riso! Oh! quanta alegria!”... Essa marchinha é de 1967. O problema é que hoje o riso é o dos tiranos, a alegria é deles. Os “mais de mil palhaços no salão” viraram 200 milhões de trouxas. Incluo os foliões que cultuam o caos e, num desfile cheio de buracos, de espaços vazios, querem achar que está tudo bem, que a bateria não perdeu a levada, que o passo não foi truncado... Está tudo acabando, e nem é necessária mais uma quarta-feira de cinzas. A farra dos supremos “reis do Brasil” avança para completar sete anos. Eles acham que é um carnaval do luxo, “a maior festa da terra”... E o que temos no poder é um bloco de sujos nojento.
Não há um quesito de um desfile em que Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e outros ministros possam pontuar. É zero de ponta a ponta. Da comissão de frente à última ala
Não há um quesito de um desfile em que Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e outros ministros possam pontuar. É zero de ponta a ponta. Da comissão de frente à última ala esbagaçada, sem harmonia, sem evolução, sem enredo que preste. Queria ver um intérprete de samba-enredo, com voz poderosa, inflamando a avenida: “Alô, meu Brasil brasileiro, não pode ser ministro do STF quem não tem notável saber jurídico e reputação ilibada! Alô, minha escola querida, proferiu julgamento e é suspeito na causa, exerceu atividade político-partidária, não foi desidioso no cumprimento dos deveres do cargo, procedeu de modo incompatível com a honra, a dignidade e o decoro? Olha aí, minha gente, olha o impeachment aí! Alô, alô, olha a anulação de todos os atos dos supremos criminosos... Chora, cavaco!”
As fantasias do carnaval não deveriam durar eternamente... Sem ilusões, no resto do ano, por favor... Os que se dizem heróis defensores da democracia são pessoas detestáveis. Assim como Lula também é... Só mesmo nos devaneios do carnaval, movidos a dinheiro dos pagadores de impostos, que alguém como o petista, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, apaixonado por um Estado indecente, enorme, perdulário, incompetente, mentiroso, déspota, pode virar tudo de bom, a “esperança do país”. Lula só pode ser enredo de coisa errada...
E a presidente do TSE, Cármen Lúcia, que inventou a “censura até segunda-feira”, agora criou o “ilícito só num desfile de escola de samba”... Ela fez mais um discurso que parecia encaminhar ao que seria correto – nesse caso, proibir a homenagem a Lula no carnaval do Rio... Sua fala teve qualquer coisa de letra de samba: “carnaval não pode ser fresta para ilícito eleitoral. Isso aqui não parece ser um cenário de areias claras de uma praia. Parece mais areia movediça; quem entra sabe que pode afundar. Há um risco muito concreto, plausível de que venha a acontecer algum ilícito. Não pode haver realmente campanha eleitoral antecipada, a legislação é clara”. E, no refrão, desafinados, os ministros do TSE liberaram o desfile fantasioso sobre Lula. O crime está aí, armado, pronto para entrar na avenida. E os ministros preferiram partir para um pagode romântico, sapateando e cantando: “Deixa acontecer naturalmente”...
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos




