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No Brasil, em geral, não se faz política, se faz politicagem. Os interesses do país e do povo nunca são soberanos. O que comanda as ações em Brasília são objetivos pessoais daqueles que ocupam cargos políticos, dos seus partidos – meros balcões de negócios –, de grupos empresariais... Sim, é tudo nojento, baixo, vil. Conluios, conchavos, artimanhas, chantagens, ameaças, isso tudo permeia as pancadas que os brasileiros de bem levam quase que diariamente dos politiqueiros. Os acordos mais espúrios são fechados secretamente, ainda que qualquer pessoa razoavelmente informada seja capaz de perceber cada um dos golpes.
Tudo indica que Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, fecharam mais um pacto. Foi marcada para 29 de abril a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) de mais um indicado de Lula ao Supremo – dessa vez o advogado-geral da União, Jorge Messias. No dia seguinte, 30 de abril, o Congresso vota o veto de Lula ao PL da Dosimetria. O projeto foi aprovado na Câmara com 291 votos favoráveis; e no Senado, com 48 votos. Beneficia os perseguidos políticos do 8 de Janeiro, enquanto não vem uma anistia e, mais do que isso, enquanto não se anulam todas as ações ilegais de Alexandre de Moraes desde a abertura do Inquérito do Fim do Mundo.
Só mesmo nesse submundo alguém como o atual advogado-geral da União teria seu nome aprovado para uma cadeira no Supremo
Se o Congresso tivesse vergonha na cara, derrubaria o veto de Lula num estalar de dedos. Se houve mesmo algum acordo para aprovar o nome de Messias para o STF, “em troca” da derrubada, seria mais uma trama do Brasil da politicagem... Só mesmo nesse submundo alguém como o atual advogado-geral da União teria seu nome aprovado para uma cadeira no Supremo. Seria mais um amigo de Lula na corte, além dos aprovados recentemente: Flávio Dino, ex-ministro da Justiça do atual ocupante do Planalto, e Cristiano Zanin, ex-advogado do petista. Sem falar de Dias Toffoli e Edson Fachin...
Voltando ao debate na Band, na campanha eleitoral de 2022, ninguém pode esquecer o que disse o então candidato do PT. Ele afirmou que é antidemocrática uma nomeação de ministro do Supremo baseada em amizade, que a escolha deveria considerar “competência e currículo”. Mais uma mentira para a enorme coleção de lorotas de Lula: "Não é prudente, não é democrático o presidente da República querer ter os ministros da suprema corte para votar favoravelmente a ele, para beneficiá-lo”...
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Para ser aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Jorge Messias precisa da maioria simples dos votos dos integrantes presentes à sessão de votação. Considerando que a CCJ tem um total de 27 senadores, seriam necessários 14 votos favoráveis. Depois, o nome segue para avaliação do plenário. Aí, para que Messias se junte à turma de amigos de Lula no STF, ele teria de obter pelo menos 41 votos dos 81 senadores. Infelizmente, as duas votações são secretas. Mesmo que a Constituição, no artigo 101 (parágrafo único), não especifique essa modalidade, o Regimento Interno do Senado e a tradição indicam que seja assim. A desculpa é que isso protege os senadores de pressões externas, do Executivo, do Judiciário... E o povo? O povo que se dane.
A preservação do infeliz reino dos politiqueiros depende disso, da clandestinidade, da falta de transparência. O que se faz nas sombras mais sombras gera. Então, seria importante que todas as votações no Congresso fossem abertas, sem exceção. Enquanto isso não vem, enquanto há indicações nefastas para o STF, é preciso fazer pressão para que Jorge Messias seja descartado sem titubeio. Se já faz um péssimo trabalho na Advocacia-Geral da União, imagine do que seria capaz na mais alta corte do país.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos








