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“Tayayá” é mesmo um nome sugestivo. É resort chique em Ribeirão Claro, no Paraná. É lugar por onde circula como “imperador” o ministro do STF Dias Toffoli. Para alguém que aprovou e achou engraçado o roubo de um processo por um advogado, para alguém que foi reprovado duas vezes no concurso para juiz, para alguém que foi consultor jurídico da Cut e do PT, advogado do Lula, assessor do José Dirceu, ele foi longe. O problema é quando se vai longe demais... E ele foi também.
Em 2001, oito anos antes de se tornar ministro do STF, Toffoli foi condenado pela Justiça do Amapá a devolver R$ 420 mil porque venceu uma licitação de forma ilegal para prestar serviços advocatícios ao estado... Na imprensa quase ninguém se lembra disso... Também já não se fala mais da mesada de R$ 100 mil que o ministro recebia do escritório de advocacia “da mulher dele”, Roberta Maria Rangel. Pelo jeito, também deve ser ignorado o fato de que Toffoli atrapalhou as investigações baseadas em dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e da Receita Federal que envolviam os escritórios de sua mulher e da mulher do colega Gilmar Mendes.
Na época do mensalão, o ministro não se declarou suspeito para julgar antigos clientes e amigos... Quando veio o petrolão, ele teve a desfaçatez de dizer que a Lava Jato destruiu empresas, naquele raciocínio torto de que o problema não é a corrupção, mas o combate a ela. Como sua cara de pau é ilimitada, Toffoli declarou, sem enrubescer: “Se existe combate à corrupção, tão necessário a este país, é graças ao STF”. E logo partiu para a anulação do que pôde da Lava Jato, inclusive o pagamento da multa de R$ 10,3 bilhões do acordo de leniência da J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista.
“’Tayayá’ é maracutaia com eco”
Em 2019, a imprensa pouco se incomodou com a censura imposta por Toffoli a veículos de comunicação. A imprensa não viu problema quando ele desrespeitou o regimento interno do Supremo e escolheu Alexandre de Moraes para tocar o ilegal Inquérito do Fim do Mundo, que em breve completará sete anos. O “amigo do amigo do meu pai” foi citado na delação de Marcelo Odebrecht... A acusação: Toffoli teria recebido por dois anos, quando era advogado-geral da União, verbas repassadas pela empreiteira baiana da família do delator.
Por duas vezes, em 2020 e 2021, Toffoli disse que o STF é um “poder moderador”, mesmo que não haja nada na Constituição sobre isso. E, então, ele resolveu se declarar o “editor do Brasil”... E a imprensa ficou calada, quietinha. A imprensa nunca perguntou nada, nunca foi direto ao ponto nas cobranças que deveriam ser inescapáveis. Agora, parece, uma parte dela despertou... E esse nome tão sugestivo, “Tayayá”, vai tomando espaço nas notícias.
A história é toda suspeita. Em 2022, depois de ação do Ministério Público Federal, a Justiça Federal suspendeu as licenças para a construção do Tayayá Aquaparque Hotel & Resort. Áreas de Preservação Permanente não estariam sendo respeitadas. Um acordo, no ano seguinte, permitiu a continuidade das obras... Seria bom que se investigasse como se deu essa liberação. Alguém acredita que pode ter havido pressão de um certo ministro do STF? Ou seria leviano fazer tal pergunta?
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São muitas questões envolvendo o Tayayá, que até cassino frequentado por crianças tem... O empreendimento envolveu empresas que oficialmente pertencem a um primo e dois irmãos do magistrado, com a participação de fundos de investimentos da cadeia do fraudulento Banco Master, que Toffoli faz de tudo para que não seja investigado. Depois, o resort foi integralmente vendido a um advogado ligado aos irmãos Batista, aqueles que se livraram de uma multa bilionária graças a Toffoli.
De repente, parte das ações passou a pertencer a uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas, com supervalorização de ativos em curto período e dificuldade para identificar o destinatário final do dinheiro... É um procedimento semelhante ao identificado pela Polícia Federal na investigação sobre o Banco Master...
E não acabou... Repórteres do jornal O Estado de S. Paulo estiveram na casa de José Eugênio Dias Toffoli, um dos irmãos do ministro do Supremo Dias Toffoli, que seria um dos donos originais do Tayayá Resort... É um imóvel de classe média, simples, em Marília, no interior de São Paulo, com visíveis problemas de conservação. Os jornalistas conversaram com a cunhada de Toffoli, Cássia Pires Toffoli, mulher de José Eugênio. Ela afirmou que o marido atua apenas como engenheiro eletricista: “As pessoas ficam inventando coisas, que o José Eugênio é dono do Tayayá”.
Será que os irmãos e o primo do ministro Dias Toffoli foram usados como “laranjas”? Será que sabiam do esquema? O silêncio do magistrado, por enquanto, é quase uma confissão de culpa... Sempre foi muito claro que Toffoli nunca teve notável saber jurídico, nem reputação ilibada... A sabatina no Senado que o aprovou para o Supremo foi apenas mais um chá das cinco... As perguntas que não fizeram se multiplicaram desde sua indicação ao STF. São muitas suspeitas de trambiques e tramoias, que precisam ser investigadas, doa a quem doer. Por enquanto, como escreveram no chat de um dos meus programas no YouTube: “’Tayayá’ é maracutaia com eco”...




