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Como um post de Luísa Mell virou uma discussão sobre liberdade religiosa
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A atriz e ativista Luísa Mell se fez conhecer por uma defesa ruidosa dos direitos dos animais que mistura eventos fantásticos com declarações sob medida para viralizar. Já organizou um evento para roubar todos os cachorros beagle de um laboratório em São Paulo e declarou que não mata mosquitos em casa, conversa com eles para que se abstenham de picar. Como ela disparou uma discussão religiosa? Não sei, mas conseguiu.

A história chegou ao 2o lugar dos trending topics do Twitter no mesmo dia em que reportagens políticas de abalar o país saíram na capa das duas principais revistas semanais, Veja e Istoé. Embora a causa animal mobilize muita gente e até garanta o lugar de alguns na política, não é essa a discussão principal: é o sacrifício de animais em religiões de matriz africana.

A militância lacradora concluiu que Luísa Mell é uma mulher branca privilegiada tentando macular a imagem do Candomblé, o que serviu como rastilho de pólvora para postagens de baixo nível contra a atriz.

Na verdade, é o tipo da história em que todo mundo grita e ninguém tem razão. O post de Luísa Mell no Facebook com o resgate de um cachorrinho é mais um daqueles eventos emocionais que ela promove nas redes sociais. Esse, no entanto, tem um problema: localizar onde está a verdade.

Luísa Mell diz que o cachorro foi utilizado num ritual religioso macabro, mas uma veterinária apareceu para desmentir. Disse que fez parte da equipe que atendeu o animal e não se trata de um evento de tortura, mas das consequências de uma doença que estava sendo tratada. Uma protetora fez postagem dando a entender que se trata realmente disso:

Bom, isso é o que menos importava para lacrar na internet. Muita gente se agarrou na história do ritual religioso para dizer que Luísa Mell é contra as religiões afro, que promovem sacrifícios animais em seus rituais. Em horas, foi espancada de todo jeito na mídia dedicada a fofocas. Artistas, famosos e semi-celebridades não perderam tempo para pendurar nela todo tipo de adjetivo. As manchetes caça-cliques proliferaram. Luísa Mell resolveu contar que não foi ela quem resgatou o cachorro, mas reafirmou a questão do ritual religioso.

Há um detalhe interessante nessa história toda: Luísa Mell NÃO falou em candomblé nem em religiões afro. Confesso que eu não havia reparado nisso, mas teve gente que reparou e me colocou para pensar:

O mais eloquente da história toda não é o desfecho do caso em si e nem a veracidade dele. Aliás, creio que é uma daquelas histórias que jamais serão explicadas e se perderão no próximo ciclo de notícias de famosos. A grande questão é por que, num dia com noticiário recheado de informações importantíssimas para o país, o segundo assunto mais falado pelas pessoas é a polêmica entre Luísa Mell e o candomblé. Não é um fenômeno brasileiro, é um fenômeno humano que as redes sociais nos forçam diariamente a entender.

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