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Madeleine Lacsko

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Reflexões sobre princípios e cidadania

Robôs viciados em cloroquina

De uma hora para outra, uma mesma história envolvendo um primo, um hospital, coronavírus e cloroquina passou a se repetir em milhares de perfis nas redes sociais.

  • Madeleine LacskoPor Madeleine Lacsko
  • 09/04/2020 13:58
Robôs viciados em cloroquina
| Foto:

Se esculhambação virar modalidade olímpica, tenham certeza de que o ouro é nosso. Em tempos de Medicina BBB - como batizou o médico superintendente de pesquisa do Hospital Albert Einstein, Luiz Rizzo -, amadorismo, infantilidade e confusão viraram ativos daqueles que pretendem atrair atenção para si. Comunicar é, antes de tudo, um ato de compromisso com o outro, que inexiste quando se tenta negar a ciência, a ética médica, desinformar e torcer para remédio.

Hoje descobrimos que praticamente toda a internet tem um primo chamado Antonio Carlos, que se internou no Hospital Unimed da Barra, tomou cloroquina e está curado querendo dar entrevista para a TV Record. Alguns perfis que reproduzem a mentira são "robôs", scripts automatizados, outros são pessoas reais que deliberadamente mentem.

Este último post mostra como funcionam esses "robôs", scripts automatizados. Todas as vezes em que alguma palavra é citada por algum perfil, eles respondem com um texto pré-escrito. A tecnologia não foi inventada para isso, é muito utilizada por marcas para resolver problemas de consumidores que reclamam nas redes sociais.

As pessoas comuns que espalham a mentira estão recebendo o texto pronto em grupos de whatsapp com instruções para postar e compartilhar. Óbvio que sabem ser mentira e as intenções ao fazer uma postagem podem ser as mais diversas, desde o desespero por encontrar uma cura real até a mesquinhez de atrair atenção para si no meio de uma pandemia.

Por que usar essa técnica no marketing digital se uma mentira tão grotesca e tão mal contada é rapidamente desmascarada? O objetivo não é convencer ninguém desse absurdo, é instituir invenções, fantasias e mentiras como contraponto legítimo para informações e opiniões.

É uma técnica russa antiga de propaganda que é chamada pelos comunicadores norte-americanos de "fire-hosing", algo como inundar com mangueira de bombeiro. Você pode fazer isso usando mídias sociais ou não, com mídias sociais é possível amplificar bastante e evitar escrutínio público sobre quem produz e quem participa do movimento, então tende a durar mais e dar mais certo.

A técnica consiste em inventar uma série de mentiras bem absurdas sobre algum tema que prenda as pessoas emocionalmente, preferencialmente ativando medo e ódio. A cada desmentido, espalhe mais mentiras. Com o tempo, as pessoas passarão a ter a sensação de que mentiras, invenções e propaganda política são o "outro lado" ou a "opinião diferente".

Não apenas parece, mas é perverso utilizar esse tipo de mecanismo durante uma pandemia, quando as pessoas têm problemas e dramas muito reais. Saiba que isso não é de graça, custa dinheiro e é possível rastrear quem paga, o que já está sendo feito em diversos casos pela CPMI das Fake News no Congresso Nacional.

Todos nós podemos ser enganados por este tipo de estratégia, ela não mexe com o racional, ativa o emocional, principalmente nossas fragilidades. Como as redes sociais coletam muitas informações nossas, é possível mandar para cada um a mensagem que mexe mais com ele. Quando estamos fragilizados, somos ainda mais vulneráveis.

Quer dicas para não cair nessas ondas, principalmente agora que todos estamos com os nervos à flor da pele:

1. Sempre veja a BIOGRAFIA da pessoa antes de seguir o que ela diz: todos temos nossas fraquezas e virtudes e entendemos mais de umas coisas que de outras. Certifique-se de seguir orientações de pessoas que têm formação acadêmica e experiências de sucesso na área em que te aconselham.

2. Desconfie de quem nunca admite fraquezas: eu tenho fraquezas, você tem, todos temos. Admitir que não sabemos algo ou que erramos é parte da experiência humana. Há quem se sinta humilhado e, por isso, se comprometa com os erros e tente fingir que eles são acertos. É a única forma de acertar sempre e tende a funcionar bem se for feita de forma raivosa. A pessoa tem o direito de falar e você tem o direito de não obedecer.

Entender como as redes sociais funcionam e como podem mexer com as nossas emoções é fundamental para que a gente aproveite o melhor dessa tecnologia durante a quarentena. Espero ter contribuído um pouco.

(((A propósito, escrevi um e-book gratuito sobre este tema, com muito mais dicas. CLIQUE AQUI para baixar)))

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Comentários [ 1 ]

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  • U

    Um brasileiro

    ± 0 minutos

    A única voz audível desta Gazeta é a da Madeleine! Aqui os zumbis bolsonaristas não gostam nem de vir comentar! Você faz valer a minha assinatura, Mady!

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