Hellboy é um dos personagens mais cativantes dos recentes quadrinhos norte-americanos. Publicado pela editora Dark Horse a partir de 1994 pelo seu criador Mike Mignola.
Dono de um traço estilizado e muito interessante e sombrio, Mignola começou a despontar nos quadrinhos estadunidenses ainda na década de 1980, quando iniciou sua carreira na Marvel Comics desenhando ou arte-finalizando as HQs do Demolidor e do Punho de Ferro e Luke Cage. Logo em seguida ampliou seu portfolio e começou a trabalhar também para a principal concorrente, a DC Comics. Na DC teve grande desempenho na minisérie escrita por Jim Starlin Odisséia Cósmica, onde seu traço parecia mais solto e mais sombrio. Também são dele diversas capas da DC no período, tendo um grande destaque a morte de Jason Todd, na saga chamada Morte em Família.
Em 1994 Mignola se cansou de brincar com o brinquedo dos outros e decidiu criar seu próprio universo ficcional. Estava lançada a semente do que seria Hellboy.
Assim, em 1994, com a história Sementes da Destruição, iniciava a história do demônio que ajuda os humanos a se livrarem de perigos sobrenaturais.
Mas vamos começar do início.
1944. Os nazistas tentam criar – ou achar – a arma de destruição em massa mais letal da história. E para tanto, contratam um médium (ou pelo menos é isso que se pensa ao ler a história). Este imagina estar trazendo para a Terra sete demônios capazes de destruir os oponentes do Führer (e o restante do mundo também, mas quem se importa??) em um ritual que envolvia magia e tecnologia. Não conseguiu chamar os sete. Mas invocou um pequeno demônio.
Este demônio infantil surge então em outro ponto do globo, onde uma equipe de estudiosos e paranormais estava esperando algum evento que poderia mudar a ordem estabelecida no planeta Terra. Chamaram o demoniozinho de Hellboy.
Logo o pequeno é adotado pelo professor Trevor Bruttenholm, que o leva para o Bureau de Pesquisas e Defesa Paranormal, onde cuida do moleque como um filho. Depois de crescido, Hellboy vira o principal agente da organização e torna-se mundialmente conhecido por combater o mal sobrenatural, sempre participando de aventuras que envolvem elementos metafísicos ao lado de outras criaturas bizarras que possuem histórias parecidas e poderes bem diferentes.
As histórias de Hellboy são sempre – ou na gigantesca maioria das vezes – permeadas pelo sobrenatural. Ele combate santos não tão santinhos, fantasmas, criaturas do submundo do inferno e encarnações demoníacas. Enfim, um guardião da bondade lutando contra as hordas do mal.
Mas ele é um demônio. Tem chifres. Rabo. E pior: uma coroa esquisita que só aparece em alguns momentos da trama e tem fator determinante para todo o desenrolar da história. Só não é mais importante que sua mão direita, A mão da perdição. Qual seu segredo, como foi forjada e qual sua função é um dos principais mistérios que permeiam a série.
É interessante destacar que Mignola sempre se apropria de lendas e crendices para criar suas histórias. Seus vilões são, em geral, criaturas que existem no imaginário de alguns países ou regiões. Seres como Baba Yaga, Grigori Rasputin ou o Lobisomem realmente habitam histórias contadas nos rincões do mundo. O mesmo podemos dizer das personagens coadjuvantes ou das ambientações que o artista produz, todas calcadas – de uma forma ou de outra – em crendices e histórias sobrenaturais passadas de pai para filho.
Enfim, Hellboy é um quadrinho divertidíssimo, com um pé no terror e outro na aventura. Para uma leitura mais interessante, se puder comece pelas edições histórias, que contam de uma forma mais ou menos cronológica como surgiu o personagem e como foi seu desenvolvimento. Estas edições são feitas pela Editora Mythos, e apesar do preço um pouco salgado, vale a pena o investimento.








