
Ouça este conteúdo
O depoimento do atual presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, à CPMI não deixou dúvidas: o problema não é falta de diagnóstico, é falta de vontade política. O governo Lula colocou no comando do Instituto alguém que admite não ter capacidade para fiscalizar nem para enfrentar interesses políticos evidentes. O resultado é previsível e já conhecido dos brasileiros: a roubalheira continua.
Durante a oitiva, ficou claro que Waller convive com contradições que não são pequenas. Diz que pediu a exoneração de uma diretora estratégica, mas aceita passivamente a ingerência do ministro da Previdência na manutenção dessa mesma pessoa em um cargo subalterno ao de presidente do INSS.
Ele reconhece suspeitas graves envolvendo servidores que assinaram dezenas de acordos sob investigação, mas se refugia no discurso burocrático da “presunção de inocência” para nada fazer. É exatamente o mesmo roteiro de gestões anteriores, inclusive o de dirigentes que hoje estão presos.
O mais grave é que não se trata de ignorância. As informações estão na imprensa, os alertas foram feitos, os indícios são públicos. Ainda assim, o presidente do INSS afirma não ter buscado saber quais políticos foram beneficiados por acordos suspeitos assinados por seus subordinados, como é o caso de Wesley Martins.
O próprio Wesley foi demitido após a Operação Sem Desconto, mas readmitido durante as curtas férias do presidente do INSS, de apenas cinco dias. Na volta ao trabalho, Waller não fez nada; deixou o caso nas mãos da Corregedoria, apesar de ter amplos poderes sobre a nomeação e a demissão de pessoas — o que revela uma clara postura de omissão diante de pressões políticas evidentes.
Nada disso acontece por acaso. Luiz Inácio Lula da Silva tem um histórico claro: nomeia para cargos-chave pessoas que não enfrentam esquemas, que não compram briga e que permitem que tudo siga funcionando como sempre funcionou. Foi assim em governos passados do PT. Está sendo assim novamente. A diferença é que agora os fatos estão sendo escancarados em uma Comissão Parlamentar de Inquérito, a CPMI do INSS.
A CPMI, aliás, revelou outro escândalo ainda mais perverso. Os aposentados roubados por sindicatos e associações fraudulentas foram ressarcidos com dinheiro público — do pagador de impostos. Já os aposentados lesados por bancos ficaram sem a mesma proteção, porque o governo Lula decidiu vetar o dispositivo legal que obrigaria o ressarcimento.
A lógica é cristalina: o pagador de impostos banca o rombo deixado pelos “companheiros”, enquanto o sistema financeiro é preservado
VEJA TAMBÉM:
O correto seria que todos os lesados fossem ressarcidos pelos ladrões, sejam eles dos sindicatos, sejam dos bancos, jamais pela sociedade brasileira, que já paga tanto imposto para pouco ou nenhum retorno.
Enquanto Waller esbanjava incompetência na CPMI, os descontos indevidos continuam aparecendo nos contracheques. É o que os aposentados revelam, em tempo real, no chat das transmissões ao vivo dos trabalhos da comissão nas redes sociais. O próprio presidente do INSS admite que a fiscalização é feita “por amostragem” e que o órgão não tem capacidade de controle efetivo. Em bom português: o Estado sabe que o roubo acontece, sabe que não consegue impedir e aceita tudo isso como normal. A roubalheira é apenas um efeito colateral. Já para quem depende de uma aposentadoria mínima para sobreviver, isso é cruel.
A conclusão é inevitável. A narrativa de que Lula “colocou alguém para sanear o INSS” é falsa. O que se vê é a repetição do modelo petista: aparelhamento, conivência e transferência da conta para a sociedade. Desta vez, porém, todo esse escândalo não vai acabar em pizza.
A verdade está vindo à tona, e a CPMI irá até o fim para responsabilizar os envolvidos e pôr fim à impunidade e ao descontrole que corroem o INSS há décadas, inclusive sob a gestão do atual presidente, Gilberto Waller Júnior.




