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Dentre tantos legados nocivos à democracia deixados pelo PT após o seu período no comando do país — quando demonstrou uma sanha incomum para se encastelar no poder, a ponto de torcer o braço do próprio sistema eleitoral —, a estigmatização de termos como “esquerda” e “progressista” merece destaque.

O bom senso pede prudência na hora de apregoar veredictos definitivos, mas aqui me arrisco: graças ao trauma provocado por Luiz Inácio, seus comandados diretos e legendas compadres, a repulsa popular à esquerda e às pautas progressistas deve ecoar por gerações.

Tal constatação pode soar como flauta de menestrel para aqueles avessos ao PSOL, ao PDT e principalmente ao Partido dos Trabalhadores, mas não é algo a ser comemorado. A democracia necessita de alternativas ideológicas para sobreviver. Na medida em que a cena política se inclina em direção a um dos extremos, abre-se espaço para argumentos autoritários. Esses, por sua vez, sufocam vozes descontentes. Cedo ou tarde, reações exasperadas por parte da sociedade acabam levando ao poder discursos tão radicais quanto aqueles finalmente rechaçados, apenas com o sinal trocado.

Exatamente como hoje acontece no Brasil.

O bom senso pede prudência na hora de apregoar veredictos, definitivos, mas, impulsionados por um eleitor historicamente propenso a apoiar salvadores da pátria e retóricas populistas, a ciranda eleitoral brasileira e o momento atual permitem uma previsão assaz óbvia: “conservador” e “liberal” têm tudo para ser os próximos termos malditos.

Com os cumprimentos do governo Jair Bolsonaro, de parte do seu ministério e de seus rebentos, bem como daqueles insensíveis às suas constantes ofensas à ordem democrática, não será de espantar quando isso acontecer. Novamente, contudo, o país sairá perdendo.

Trata-se de um epílogo tão retórico quanto inescapável: se a esquerda só está interessada em dilapidar os cofres públicos para se perpetuar no poder e os progressistas em afrontar valores comuns às nossas raízes; se os conservadores não passam de nazifascistas e os liberais são incapazes de se sensibilizar para além dos lucros, sobra o quê?

Em tempos bicudos, quando a dicotomia impõe a ridicularização de quem busca o diálogo, de tal modo que abster-se de posicionamentos ferrenhos garante lugar na prateleira dos covardes, é duro constatar que vários dos principais atores no debate público colaboram para o expurgo das virtudes inerentes a ambos os espectros ideológicos.

A postura desafiadora do governo, por vezes absurda e até mesmo agressiva, encaminha a uma rejeição absoluta de princípios que poderiam vir a somar, trazendo equilíbrio para as diversas esferas da administração pública e amadurecimento nas relações interpessoais.

É uma pena, mas vale lembrar que tanto Lula quanto Bolsonaro e seus ministérios em momento algum foram impostos ou são estranhos à sociedade que os elegeu. Tampouco seus apoiadores.

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