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Os fundamentos para bem escrever

Diante da necessidade de um desempenho satisfatório na redação o vestibulando não poderá ignorar os pré-requisitos para bem escrever e se destacar em meio aos milhares de candidatos aspirantes a uma vaga no ensino superior,no entanto nenhuma vitória é alcançada sem esforço. Se a opção é prestar um vestibular e empreender uma carreira universitária é preciso ficar “de olho” nas exigências, mas se o candidato optar por um curso técnico,por exemplo,não poderá, igualmente,ignorar as boas condições de prontidão à escrita.

Relatórios, pareceres técnicos, redação de orçamentos, reivindicações profissionais e outros tantos modos de expressão exigem segurança – e os que manifestam autonomia nesse quesito fazem sempre a diferença.

Um dia os jovens deixam as faculdades e passam ao mundo do trabalho efetivo. Secretárias, administradores, advogados, jornalistas, professores e tantos outros profissionais farão a diferença se escreverem bem. Será que alguém duvida disso? Eu não – e você?

Uma questão prévia

Nada substitui a boa, clássica e segura formação de conhecimentos estruturais da língua que nos une na condição de brasileiros, seja na oralidade,seja à ocasião da escrita.Saber o significado das palavras é ter noções semânticas, que colaboram com o usuário da língua a se expressar adequadamente e sempre pronto ao ajuste do contexto, da situação. Valer-se de advérbios,de adjetivos, interjeições ou substantivos que lhe sustentem as idéias faz do usuário um poderoso domador das palavras, mas nossos escolares foram induzidos por uma leva de colegas mal formados a abominar o estudo das categorias gramaticais. O resultado está ai: nossos estudantes não conhecem a língua que nos une como brasileiros. Não sabem atribuir funções às palavras e esquecem de que elas são obedientes e para nós trabalham se assim lhes administramos os usos e sentidos que elas carregam.

Sem tapar o sol com a peneira

Raro é o vestibulando que sabe redigir com autonomia, porque além das dificuldades relativas à morfossintaxe (estudos de morfologia e sintaxe), a maioria não exercita a reflexão. Quem é que duvida do quanto não saber pensar resulta em não entender – e o que é pior – não ser entendido. Instala-se ai, exatamente ai, o crucial “nó” da questão. Para comprovar o que afirmo basta conversar e indagar professores de qualquer disciplina e nível escolar. As queixas e as lamentações serão as mesmas e sempre com fartura de exemplos. Nossos meninos e meninas falam com laconismos, engolem palavras vitais e à ocasião da escrita essas subtrações causam um estrago danado à clareza e defesa das idéias. Assim, diante das exigências da leitura e da escrita, as dificuldades dessa geração de jovens concluintes do ensino médio nos causam enormes preocupações. Escrever com autonomia, linguagem qualificada e escolhas vocabulares precisas parece um sonho quase inatingível para muitos.

Os problemas

Tenho uma lista de 28 problemas frequentemente encontrados nas redações dos escolares do ensino médio – e também de um outro nível de alunos, os universitários. Compartilho aqui alguns, o que já dará uma idéia da gravidade da situação.

Ilegibilidade – na maioria das vezes o impacto com a falta de legibilidade nem seduz à leitura dos textos que os jovens entregam como redação escolar. O desleixo com o desenho das letras – quase incompletas e imprecisas – é regra geral.

Falta de coerência e coesão entre as idéias – concatenação esta é a palavra que a maioria não conhece. Pensar organizado é estabelecer nexos, sentidos ao que se escreve daí a oportuníssima seleção feita com as questões discursivas e o teor multidisciplinar das questões presentes nos vestibulares mais concorridos. A desorganização nas idéias se traduz em redação mal feita, mal elaborada. Fazer um rascunho já aliviaria as dificuldades, mas nossos estudantes fogem dessa estratégia e jogam fora um elemento vital de acerto.

Falta de objetividade – quem explora as idéias precisa ser ágil, direto, certeiro, mas o que se vê é essa enrolação tremenda nas redações. Ir direto ao ponto resolve meio mundo, evita mal entendido e registra-se o motivo dessa expressão das idéias. Exposição objetiva de uma idéia se consegue com a mobilização dos operadores coesivos – e entram aqui as esquecidas conjunções, preposições, pronomes relativos e a nossa abandonada pontuação.

Desatenção ao leitor – quem desatende à noção fabulosa da existência de interlocutores perde a batalha. Escreve e fala só para si. O resultado é desalentador. É preciso de uma vez por todas pensar no outro que lê, examina e que atribui sentido aos textos. É o interlocutor o nosso maior intento. Conseguir a atenção dele exige manobras radicais, de elevado respeito – e uma delas é o conhecimento do tema da redação. Leitor exigente conhece de longe uma enrolação e sabe punir o interlocutor lhe oferecendo o silêncio, o descrédito, a página virada e o clique em outro blog, também…

Providências imprescindíveis

>Revisão morfossintática (consulte a gramática e suas apostilas).

>Ler mais (vá à biblioteca, atualize a leitura dos jornais e revistas, ao menos um texto por dia).

>Não desperdiçar o tempo (estude relaxe, durma bem, encontre amigos, mas reserve o tempo à disciplina com os seus estudos).

>Escrever mais. Faça pequenos resumos, opine sobre assuntos variados, tome uma posição, reivindique seus direitos, escreva diariamente, ao menos um texto – e vá aumentando essa quantidade, sempre que possível. Faça um blog e escreva ou envie comentários aos que costuma visitar. Verá que a expressão escrita se abastece do exercício constante e da certeza de que ninguém nasce já escrevendo; é treino constante e olho vivo no tempo de plantar e de colher a vitória, merecida para os que se dedicam vorazmente a qualificar seus textos.

Uma advertência severa: levar com seriedade os estudos não fará mal algum a qualquer estudante.É preciso estimular nossos jovens à dedicação, ao apuro dos conhecimentos. Quem não gosta de estudar e aprender sempre não merece sentar numa cadeira universitária, nem mesmo aspirar carreiras acadêmicas.Estará no lugar errado e será qualquer coisa menos um pesquisador, um mediador educacional.Estarei equivocada? Não creio.

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